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Notícias
03
mai
2007
(ECONOMIA)
Política ambiental não pode afetar economia, diz Bush pai
A decisão do Banco Mundial de emprestar US$ 90 milhões para financiar a expansão da pecuária na região amazônica é "um risco grave para o ambiente e para a reputação do banco". Quem diz não é uma ONG ambientalista, mas o economista Kenneth Chomitz, o maior especialista em Amazônia do próprio banco em Washington.
Em um memorando interno, dirigido a um dos diretores do Grupo Banco Mundial e "vazado" a ambientalistas antes de ser obtido pela Folha, Chomitz faz críticas à iniciativa da IFC (Corporação Financeira Internacional) --o braço do banco que financia a iniciativa privada-- de conceder o dinheiro para o Grupo Bertin. A empresa é um dos principais exportadores de carne e couro do país.
O objetivo do empréstimo, aprovado em março pelo Conselho Diretor da IFC, é dobrar (de 250 mil para 500 mil) a capacidade de abate anual do frigorífico da Bertin em Marabá (PA) e expandir atividades em Rondônia e Mato Grosso.
O empréstimo preocupa por duas razões principais: primeiro, a pecuária é o principal motor do desmatamento da floresta. Depois, a IFC já cometeu um erro de avaliação no passado, ao conceder um empréstimo sem as devidas exigências ambientais para a expansão da soja em Mato Grosso --tendo sido repreendida pelos auditores do Banco Mundial. Há o temor de que o erro se repita.
Segundo a IFC, no entanto, o empréstimo à Bertin deve ser feito porque ajudará a moralizar a pecuária e a ordenar o caos fundiário que impera na região de Marabá. A lógica da instituição, respaldada também por alguns ambientalistas, é a seguinte: já que não dá para expulsar o boi da Amazônia, que ao menos ele seja produzido com critérios sustentáveis.
A presença de uma empresa grande como a Bertin deve influenciar fazendeiros do local --que terão um cliente de peso e precisarão entrar na linha e regularizar seus títulos de terra, se quiserem vender a ele.
Segundo Chomitz, no entanto, a análise de risco ambiental apresentada pela IFC a representantes dos EUA antes da aprovação do projeto não sustenta essa lógica. Ela "falha em diagnosticar (...) o risco de desmatamento do projeto e é pouco (...) convincente".
Os argumentos do IFC para dizer que não haverá desmatamento são a existência de um excedente de oferta de gado na região e a possibilidade de usar zootecnia para criar mais cabeças de gado por hectare.
"O argumento do "excedente" é incorreto e enganoso", diz o documento. "Por "excedente" o relatório [da IFC] quer dizer que boa parte da produção local de carne é vendida para abatedouros sem licença ou para fora do Estado. Essas não são vacas ociosas esperando pelas instalações da Bertin."
Ao contrário, argumenta Chomitz, a chegada de um grande comprador aumentará o preço do boi, incentivando o desmate. Além disso, diz, muitos fazendeiros de Marabá descumprem o Código Florestal, segundo o qual 80% de uma propriedade rural na Amazônia precisa ser preservada.
"A maneira mais fácil de encontrar fornecedores de acordo com a lei seria recrutá-los em áreas recém-desmatadas, nas quais a floresta remanescente é suficiente para satisfazer a regulamentação. Isso resultaria em um desmatamento aumentado, mas legal."
"Velho"
A assessora de imprensa da IFC no Brasil, Karina Manasseh, dize que o memorando é "velho", do começo do ano, e a questão já foi resolvida. "O Chomitz deu a opinião dele sem conhecer o projeto. Falamos com ele, apresentamos o projeto e ele concordou com o que dissemos."
Procurado pela Folha, o economista se recusou a comentar o documento. "Nós não discutimos memorandos internos. Esse documento foi corrompido, há várias fontes [tipográficas] diferentes nele", disse.
Em um memorando interno, dirigido a um dos diretores do Grupo Banco Mundial e "vazado" a ambientalistas antes de ser obtido pela Folha, Chomitz faz críticas à iniciativa da IFC (Corporação Financeira Internacional) --o braço do banco que financia a iniciativa privada-- de conceder o dinheiro para o Grupo Bertin. A empresa é um dos principais exportadores de carne e couro do país.
O objetivo do empréstimo, aprovado em março pelo Conselho Diretor da IFC, é dobrar (de 250 mil para 500 mil) a capacidade de abate anual do frigorífico da Bertin em Marabá (PA) e expandir atividades em Rondônia e Mato Grosso.
O empréstimo preocupa por duas razões principais: primeiro, a pecuária é o principal motor do desmatamento da floresta. Depois, a IFC já cometeu um erro de avaliação no passado, ao conceder um empréstimo sem as devidas exigências ambientais para a expansão da soja em Mato Grosso --tendo sido repreendida pelos auditores do Banco Mundial. Há o temor de que o erro se repita.
Segundo a IFC, no entanto, o empréstimo à Bertin deve ser feito porque ajudará a moralizar a pecuária e a ordenar o caos fundiário que impera na região de Marabá. A lógica da instituição, respaldada também por alguns ambientalistas, é a seguinte: já que não dá para expulsar o boi da Amazônia, que ao menos ele seja produzido com critérios sustentáveis.
A presença de uma empresa grande como a Bertin deve influenciar fazendeiros do local --que terão um cliente de peso e precisarão entrar na linha e regularizar seus títulos de terra, se quiserem vender a ele.
Segundo Chomitz, no entanto, a análise de risco ambiental apresentada pela IFC a representantes dos EUA antes da aprovação do projeto não sustenta essa lógica. Ela "falha em diagnosticar (...) o risco de desmatamento do projeto e é pouco (...) convincente".
Os argumentos do IFC para dizer que não haverá desmatamento são a existência de um excedente de oferta de gado na região e a possibilidade de usar zootecnia para criar mais cabeças de gado por hectare.
"O argumento do "excedente" é incorreto e enganoso", diz o documento. "Por "excedente" o relatório [da IFC] quer dizer que boa parte da produção local de carne é vendida para abatedouros sem licença ou para fora do Estado. Essas não são vacas ociosas esperando pelas instalações da Bertin."
Ao contrário, argumenta Chomitz, a chegada de um grande comprador aumentará o preço do boi, incentivando o desmate. Além disso, diz, muitos fazendeiros de Marabá descumprem o Código Florestal, segundo o qual 80% de uma propriedade rural na Amazônia precisa ser preservada.
"A maneira mais fácil de encontrar fornecedores de acordo com a lei seria recrutá-los em áreas recém-desmatadas, nas quais a floresta remanescente é suficiente para satisfazer a regulamentação. Isso resultaria em um desmatamento aumentado, mas legal."
"Velho"
A assessora de imprensa da IFC no Brasil, Karina Manasseh, dize que o memorando é "velho", do começo do ano, e a questão já foi resolvida. "O Chomitz deu a opinião dele sem conhecer o projeto. Falamos com ele, apresentamos o projeto e ele concordou com o que dissemos."
Procurado pela Folha, o economista se recusou a comentar o documento. "Nós não discutimos memorandos internos. Esse documento foi corrompido, há várias fontes [tipográficas] diferentes nele", disse.
Fonte: Bruno Garcez - BBC Brasil / Folha Online
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