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Notícias
22
mar
2007
(AQUECIMENTO GLOBAL)
Gore pede ao Congresso dos EUA que enfrente o aquecimento global
O ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore disse nesta quarta-feira, 21, que o aquecimento global colocou o ser humano frente à maior crise de sua história, e pediu ao Congresso americano que tome atitudes em relação ao que qualificou como uma "verdadeira emergência planetária".
A comunidade científica insiste na necessidade de reduzir a emissão de gases de efeito estufa na atmosfera para frear a constante elevação de temperaturas, que ameaça, em última instância, a existência da própria vida na Terra.
Gore, que participou nesta quarta de várias audiências no Capitólio, não comparecia ao Congresso desde janeiro de 2001, quando teve que oficializar a vitória concedida pelo Colégio Eleitoral a seu rival - e atual ocupante da Casa Branca - George W. Bush.
Desde então, o político americano se tornou um líder ambientalista com prestígio internacional, e protagonizou um documentário sobre mudanças climáticas que conquistou dois Oscar. Sua luta pela causa ecológica o transformou em aspirante ao Prêmio Nobel da Paz.
Seu retorno ao Capitólio reflete o compromisso do novo Congresso - em mãos democratas desde janeiro - com o desafio do aquecimento global, um problema que os EUA ignoraram durante anos.
Além disso, o país foi um dos últimos a aceitar as evidências científicas sobre as mudanças climáticas, e até pouco tempo atrás resistiu em reconhecer a conexão entre as atividades humanas e o aumento global das temperaturas.
Os democratas dizem que querem mudar a situação e, em um sinal dos novos tempos, criaram em janeiro um novo comitê sobre mudança climática.
A maior atenção dada ao problema também ficou clara na apresentação ao Senado, nos últimos dois meses, de nove projetos de lei sobre o tema. "Existe a esperança no país de que esse Congresso aproveitará a ocasião e apresentará soluções valiosas para a crise", disse Gore, que encontrou um ambiente bastante acolhedor na ala democrata, mas enfrentou uma fria recepção de parlamentares republicanos.
"Você está totalmente errado", rebateu Joe Barton, republicano de maior destaque no Comitê de Comércio e Energia da Câmara de Representantes, que questionou a tese de que as emissões de dióxido de carbono provocam uma alta das temperaturas. "A ciência sobre o aquecimento global é desigual e continua evoluindo", acrescentou Barton.
Gore não perdeu tempo e contestou o colega afirmando que as provas são inquestionáveis e contam com o respaldo majoritário da comunidade científica.
No Senado também teve início um caloroso debate com James Inhofe, republicano de Oklahoma famoso por ter se referido ao aquecimento global como "o maior engano" já divulgado ao povo americano.
O senador tachou Gore de "alarmista" e lembrou à audiência que a implementação das medidas propostas pelo Protocolo de Kyoto e de outros esquemas para reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO2) custariam mais de US$ 300 bilhões.
Protocolo de Kyoto
O ex-senador democrata lembrou seu apoio ao Protocolo de Kyoto, que procura reduzir a emissão de gases estufa, responsáveis pelo aquecimento do planeta. Washington se nega a ratificar o documento em resposta à negativa de países como China, o segundo país em volume de emissões depois do próprio EUA, em fazer parte do acordo.
"Sou a favor de Kyoto (...) embora entenda perfeitamente que seja visto como algo negativo", assinalou Gore, insistindo em que, apesar de não fazer parte do acordo, os Estados Unidos deveriam cumprir com as metas estabelecidas.
Para isso, propôs o congelamento "imediato" das emissões de CO2, principal causador do aquecimento global, e, a partir daí, aconselha a redução de emissões de gases de efeito estufa e de gases poluentes em 90% até 2050.
Recomendou, ainda, que se utilize o sistema tributário para desestimular as emissões e pediu aos EUA para participarem das negociações de um novo tratado global, depois que o Protocolo de Kyoto perder sua validade.
Para frear o aquecimento global, seria necessário, além disso, estabelecer uma moratória na construção de novas usinas de energia à base de carvão que não realizem "captura e seqüestro de CO2", um sistema que impede que os gases alcancem a atmosfera.
Gore previu também uma explosão de produtores de eletricidade em pequena escala, e comparou o fenômeno com o que fez a internet com o sistema de troca de informações. Para dar asas ao fenômeno, pediu ao Congresso que permita aos produtores vender energia diretamente à rede de fornecimento de eletricidade.
O ex-futuro presidente dos EUA, como ele se autoproclama, finalizou seu discurso na Câmara oferecendo votos de sucesso aos legisladores em sua luta contra o "desafio histórico" que estão prestes a enfrentar.
A comunidade científica insiste na necessidade de reduzir a emissão de gases de efeito estufa na atmosfera para frear a constante elevação de temperaturas, que ameaça, em última instância, a existência da própria vida na Terra.
Gore, que participou nesta quarta de várias audiências no Capitólio, não comparecia ao Congresso desde janeiro de 2001, quando teve que oficializar a vitória concedida pelo Colégio Eleitoral a seu rival - e atual ocupante da Casa Branca - George W. Bush.
Desde então, o político americano se tornou um líder ambientalista com prestígio internacional, e protagonizou um documentário sobre mudanças climáticas que conquistou dois Oscar. Sua luta pela causa ecológica o transformou em aspirante ao Prêmio Nobel da Paz.
Seu retorno ao Capitólio reflete o compromisso do novo Congresso - em mãos democratas desde janeiro - com o desafio do aquecimento global, um problema que os EUA ignoraram durante anos.
Além disso, o país foi um dos últimos a aceitar as evidências científicas sobre as mudanças climáticas, e até pouco tempo atrás resistiu em reconhecer a conexão entre as atividades humanas e o aumento global das temperaturas.
Os democratas dizem que querem mudar a situação e, em um sinal dos novos tempos, criaram em janeiro um novo comitê sobre mudança climática.
A maior atenção dada ao problema também ficou clara na apresentação ao Senado, nos últimos dois meses, de nove projetos de lei sobre o tema. "Existe a esperança no país de que esse Congresso aproveitará a ocasião e apresentará soluções valiosas para a crise", disse Gore, que encontrou um ambiente bastante acolhedor na ala democrata, mas enfrentou uma fria recepção de parlamentares republicanos.
"Você está totalmente errado", rebateu Joe Barton, republicano de maior destaque no Comitê de Comércio e Energia da Câmara de Representantes, que questionou a tese de que as emissões de dióxido de carbono provocam uma alta das temperaturas. "A ciência sobre o aquecimento global é desigual e continua evoluindo", acrescentou Barton.
Gore não perdeu tempo e contestou o colega afirmando que as provas são inquestionáveis e contam com o respaldo majoritário da comunidade científica.
No Senado também teve início um caloroso debate com James Inhofe, republicano de Oklahoma famoso por ter se referido ao aquecimento global como "o maior engano" já divulgado ao povo americano.
O senador tachou Gore de "alarmista" e lembrou à audiência que a implementação das medidas propostas pelo Protocolo de Kyoto e de outros esquemas para reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO2) custariam mais de US$ 300 bilhões.
Protocolo de Kyoto
O ex-senador democrata lembrou seu apoio ao Protocolo de Kyoto, que procura reduzir a emissão de gases estufa, responsáveis pelo aquecimento do planeta. Washington se nega a ratificar o documento em resposta à negativa de países como China, o segundo país em volume de emissões depois do próprio EUA, em fazer parte do acordo.
"Sou a favor de Kyoto (...) embora entenda perfeitamente que seja visto como algo negativo", assinalou Gore, insistindo em que, apesar de não fazer parte do acordo, os Estados Unidos deveriam cumprir com as metas estabelecidas.
Para isso, propôs o congelamento "imediato" das emissões de CO2, principal causador do aquecimento global, e, a partir daí, aconselha a redução de emissões de gases de efeito estufa e de gases poluentes em 90% até 2050.
Recomendou, ainda, que se utilize o sistema tributário para desestimular as emissões e pediu aos EUA para participarem das negociações de um novo tratado global, depois que o Protocolo de Kyoto perder sua validade.
Para frear o aquecimento global, seria necessário, além disso, estabelecer uma moratória na construção de novas usinas de energia à base de carvão que não realizem "captura e seqüestro de CO2", um sistema que impede que os gases alcancem a atmosfera.
Gore previu também uma explosão de produtores de eletricidade em pequena escala, e comparou o fenômeno com o que fez a internet com o sistema de troca de informações. Para dar asas ao fenômeno, pediu ao Congresso que permita aos produtores vender energia diretamente à rede de fornecimento de eletricidade.
O ex-futuro presidente dos EUA, como ele se autoproclama, finalizou seu discurso na Câmara oferecendo votos de sucesso aos legisladores em sua luta contra o "desafio histórico" que estão prestes a enfrentar.
Fonte: Estadão
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