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Notícias
16
mar
2007
(AQUECIMENTO GLOBAL)
Aquecimento vai reduzir mata atlântica
A mata atlântica brasileira pode perder cerca de 60% de sua área atual se a temperatura média do planeta subir de 3ºC a 4ºC até o fim deste século.
O cálculo é de Carlos Alfredo Joly, botânico da Unicamp, e foi feito com base nas previsões do terceiro relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática), divulgado em 2001.
Mas o quarto relatório do painel do clima, divulgado em fevereiro deste ano, estima que seja essa a faixa de aumento na temperatura global até 2100.
A íntegra do trabalho científico, apresentado em parte durante o 1º Simpósio Brasileiro de Mudanças Ambientais Globais, encerrado ontem no Rio, será divulgada no meio do ano. E traz projeções desagradáveis. "O palmito, por exemplo, tende a desaparecer por completo", explicou o pesquisador.
Joly adianta que o estudo é uma aproximação. Ele e seu grupo usaram 30 espécies de planta típicas do bioma, o mais ameaçado do Brasil (resta hoje apenas 6,98% da sua cobertura vegetal original).
"A queda de 60%, de acordo com o cenário mais pessimista do IPCC, não significa então que podemos derrubar tudo hoje de vez, já que a perda é inevitável", lembra Joly. "Agora é preciso ter mais cuidado com a floresta ainda", disse.
Visão otimista
A análise da Unicamp é a primeira a tentar relacionar o impacto as mudanças ambientais globais sobre a floresta atlântica. Ela também levou em conta um dos cenários otimistas do penúltimo relatório do IPCC.
Nesse caso, no fim deste século, a temperatura subiria, na média, entre 1,5ºC e 2ºC.
"A diminuição na área da mata atlântica, nesse caso, seria de 28%. Apenas para algumas espécies, que vivem nas bordas desse bioma, essa situação seria benéfica --elas cresceriam em área de distribuição", disse.
Nas duas simulações, os pesquisadores compararam a situação climática atual com aquela que deverá existir no futuro. "Levamos em consideração a temperatura, a precipitação e a umidade presente no ambiente", explicou.
Nesse cenário, as condições ambientais da região onde hoje se encontra a floresta atlântica mudarão tanto que não serão mais compatíveis com a presença de uma floresta tropical, bioma que depende de uma determinada quantidade de chuvas e de uma determinada faixa de temperatura para existir.
Segundo Joly, não é possível saber o que ocorrerá com a floresta. "Não sabemos se ela vai simplesmente morrer ou virar outra coisa. É certo que apenas em algumas áreas, por causa talvez da topografia, a mata atlântica continuará a existir."
Se a fragmentação acontecer, a mata atlântica estará seguindo a reação à mudança climática de outra floresta tropical brasileira, a amazônica. Um modelo do Inpe estima que parte da Amazônia tende a virar uma espécie de savana com o aquecimento global.
Números
O pesquisador da Unicamp, um dos principais especialistas em ecologia vegetal do Brasil, também comentou os estudos feitos a pedido do Ministério do Meio Ambiente sobre remanescentes vegetais.
A análise do governo federal revelou um crescimento surpreendente da mata atlântica. Pelo novo mapeamento, haveria no Brasil, em vez dos conhecidos 7%, quase quatro vezes mais de área no bioma (27,1%).
Para o botânico, a análise do MMA considera áreas que não podem ser chamadas de mata atlântica. "São capoeiras."
O cálculo é de Carlos Alfredo Joly, botânico da Unicamp, e foi feito com base nas previsões do terceiro relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática), divulgado em 2001.
Mas o quarto relatório do painel do clima, divulgado em fevereiro deste ano, estima que seja essa a faixa de aumento na temperatura global até 2100.
A íntegra do trabalho científico, apresentado em parte durante o 1º Simpósio Brasileiro de Mudanças Ambientais Globais, encerrado ontem no Rio, será divulgada no meio do ano. E traz projeções desagradáveis. "O palmito, por exemplo, tende a desaparecer por completo", explicou o pesquisador.
Joly adianta que o estudo é uma aproximação. Ele e seu grupo usaram 30 espécies de planta típicas do bioma, o mais ameaçado do Brasil (resta hoje apenas 6,98% da sua cobertura vegetal original).
"A queda de 60%, de acordo com o cenário mais pessimista do IPCC, não significa então que podemos derrubar tudo hoje de vez, já que a perda é inevitável", lembra Joly. "Agora é preciso ter mais cuidado com a floresta ainda", disse.
Visão otimista
A análise da Unicamp é a primeira a tentar relacionar o impacto as mudanças ambientais globais sobre a floresta atlântica. Ela também levou em conta um dos cenários otimistas do penúltimo relatório do IPCC.
Nesse caso, no fim deste século, a temperatura subiria, na média, entre 1,5ºC e 2ºC.
"A diminuição na área da mata atlântica, nesse caso, seria de 28%. Apenas para algumas espécies, que vivem nas bordas desse bioma, essa situação seria benéfica --elas cresceriam em área de distribuição", disse.
Nas duas simulações, os pesquisadores compararam a situação climática atual com aquela que deverá existir no futuro. "Levamos em consideração a temperatura, a precipitação e a umidade presente no ambiente", explicou.
Nesse cenário, as condições ambientais da região onde hoje se encontra a floresta atlântica mudarão tanto que não serão mais compatíveis com a presença de uma floresta tropical, bioma que depende de uma determinada quantidade de chuvas e de uma determinada faixa de temperatura para existir.
Segundo Joly, não é possível saber o que ocorrerá com a floresta. "Não sabemos se ela vai simplesmente morrer ou virar outra coisa. É certo que apenas em algumas áreas, por causa talvez da topografia, a mata atlântica continuará a existir."
Se a fragmentação acontecer, a mata atlântica estará seguindo a reação à mudança climática de outra floresta tropical brasileira, a amazônica. Um modelo do Inpe estima que parte da Amazônia tende a virar uma espécie de savana com o aquecimento global.
Números
O pesquisador da Unicamp, um dos principais especialistas em ecologia vegetal do Brasil, também comentou os estudos feitos a pedido do Ministério do Meio Ambiente sobre remanescentes vegetais.
A análise do governo federal revelou um crescimento surpreendente da mata atlântica. Pelo novo mapeamento, haveria no Brasil, em vez dos conhecidos 7%, quase quatro vezes mais de área no bioma (27,1%).
Para o botânico, a análise do MMA considera áreas que não podem ser chamadas de mata atlântica. "São capoeiras."
Fonte: Eduardo Geraque - Folha de S.Paulo
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