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Notícias
14
fev
2007
(GERAL)
Empresas sofrem com custo do real valorizado
No ano passado, um estudo da Confederação Nacional da indústria (CNI) mostrou que mais da metade das empresas brasileiras estavam importando bem mais insumos do que nos dois anos anteriores. Esta era só a parte mais visível de uma situação bem mais complexa.
Agora, o economista do BNDES Fernando Pimentel Puga, em análise bem fundamentada teoricamente, revelou que 61,8% das exportações brasileiras do setor industrial perdem muito pouco e muitas vezes até ganham com o dólar fragilizado como está. Diversos segmentos importam parte considerável dos insumos, integram cadeias produtivas com os mais diversos produtores externos e acabam vendendo seus produtos no mercado internacional com preços tão competititivos quanto o mais agressivo dos dragões asiáticos.
Porém, o outro lado de toda essa felicidade movimentada a câmbio valorizado não é exatamente agradável, do ponto de vista estratégico, para o Brasil. Sem a mesma facilidade de integrar cadeias produtivas ou de comprar insumos fora do País, 38,2% dos produtores industriais brasileiros amargam perdas consideráveis com a valorização cambial. Nestes setores, calçados, alimentos e bebidas, principalmente, o impacto negativo do real valorizado destrói investimentos, anula projetos e esmaga empregos.
A pesquisa da CNI já tinha indicado que grandes empresas aproveitaram o dólar baixo para importar matéria-prima e bens de capital, sugerindo que a tendência dura mais dois anos e deixa um rastro de investimento produtivo, desenvolvimento e empregos. O estudo de Puga avançou neste caminho utilizando metodologia de segmentação setorial (o Coeficiente de Comércio Exterior das Firmas), avaliando importação/exportação de cada setor.
Por exemplo, de máquinas de escritório a ótica, de químico a material eletrônico, integraram aestruturas de produção e ganharam com a desvalorização. Têxtil, material elétrico ou as montadoras de carros: tiveram efeito neutro, ganhavam quando integravam mas perdiam certos contratos de vendas. Quem não importa sequer matéria-prima ficou em situação insustentável: de papel e celulose até móveis, além de alimentícios foram muito afetados pelo câmbio. O economista classificou, com metodologia, quem perdeu e quem ganhou com a atual política cambial.
Em termos monetários, no entanto, o dólar "derretido" parece não gerar maiores preocupações. Alguns consultores, analisando flutuações cambiais e a inflação dos 13 principais parceiros comerciais do Brasil, concluem que a apreciação do real não é dramática, posto que com este processo a taxa real move-se para níveis "próximos à sua média histórica". Este processo tem fortes implicações internacionais.
A elevação do preço das commodities reverteu o fluxo monetário na direção dos emergentes. Esse movimento foi tão significativo que, apenas na América Latina implicou um ajuste de quase US$ 100 bilhões nos últimos cinco anos.
Os superávits comerciais dos exportadores de commodities levou a inevitáveis apreciações cambiais, cCom reflexos notadamente perversos para os emergentes. Como notou a insuspeita opinião do ex-economista chefe do Fundo Monetário Internacional Kenneth Rogoff, a apreciação cambial dos pobres criou o "maior programa de ajuda externa do mundo" e na direção dos países ricos.
Os emergentes lotados de dólares acabam emprestando-os aos ricos deficitários, derrubando os juros e barateando os excessos de consumo, notadamente nos EUA. A solução de acumular reservas cambiais tem custo alto: a remuneração dos dólares acumulados é menor que a metade dos juros dos títulos públicos emitidos para comprar estes dólares.
No estudo do economista do BNDES, no entanto, há um outro alerta que merece atenção: muitas vezes joga-se no câmbio o que é prejuízo gerado por carga tributária excessiva e taxas de juros elevados além do necessário. A César o que é César: o dólar tem responsabilidade, sim, na tragédia econômica de alguns setores da economia brasileira. Mas não é o único destruidor de emprego e renda dos brasileiros.
Agora, o economista do BNDES Fernando Pimentel Puga, em análise bem fundamentada teoricamente, revelou que 61,8% das exportações brasileiras do setor industrial perdem muito pouco e muitas vezes até ganham com o dólar fragilizado como está. Diversos segmentos importam parte considerável dos insumos, integram cadeias produtivas com os mais diversos produtores externos e acabam vendendo seus produtos no mercado internacional com preços tão competititivos quanto o mais agressivo dos dragões asiáticos.
Porém, o outro lado de toda essa felicidade movimentada a câmbio valorizado não é exatamente agradável, do ponto de vista estratégico, para o Brasil. Sem a mesma facilidade de integrar cadeias produtivas ou de comprar insumos fora do País, 38,2% dos produtores industriais brasileiros amargam perdas consideráveis com a valorização cambial. Nestes setores, calçados, alimentos e bebidas, principalmente, o impacto negativo do real valorizado destrói investimentos, anula projetos e esmaga empregos.
A pesquisa da CNI já tinha indicado que grandes empresas aproveitaram o dólar baixo para importar matéria-prima e bens de capital, sugerindo que a tendência dura mais dois anos e deixa um rastro de investimento produtivo, desenvolvimento e empregos. O estudo de Puga avançou neste caminho utilizando metodologia de segmentação setorial (o Coeficiente de Comércio Exterior das Firmas), avaliando importação/exportação de cada setor.
Por exemplo, de máquinas de escritório a ótica, de químico a material eletrônico, integraram aestruturas de produção e ganharam com a desvalorização. Têxtil, material elétrico ou as montadoras de carros: tiveram efeito neutro, ganhavam quando integravam mas perdiam certos contratos de vendas. Quem não importa sequer matéria-prima ficou em situação insustentável: de papel e celulose até móveis, além de alimentícios foram muito afetados pelo câmbio. O economista classificou, com metodologia, quem perdeu e quem ganhou com a atual política cambial.
Em termos monetários, no entanto, o dólar "derretido" parece não gerar maiores preocupações. Alguns consultores, analisando flutuações cambiais e a inflação dos 13 principais parceiros comerciais do Brasil, concluem que a apreciação do real não é dramática, posto que com este processo a taxa real move-se para níveis "próximos à sua média histórica". Este processo tem fortes implicações internacionais.
A elevação do preço das commodities reverteu o fluxo monetário na direção dos emergentes. Esse movimento foi tão significativo que, apenas na América Latina implicou um ajuste de quase US$ 100 bilhões nos últimos cinco anos.
Os superávits comerciais dos exportadores de commodities levou a inevitáveis apreciações cambiais, cCom reflexos notadamente perversos para os emergentes. Como notou a insuspeita opinião do ex-economista chefe do Fundo Monetário Internacional Kenneth Rogoff, a apreciação cambial dos pobres criou o "maior programa de ajuda externa do mundo" e na direção dos países ricos.
Os emergentes lotados de dólares acabam emprestando-os aos ricos deficitários, derrubando os juros e barateando os excessos de consumo, notadamente nos EUA. A solução de acumular reservas cambiais tem custo alto: a remuneração dos dólares acumulados é menor que a metade dos juros dos títulos públicos emitidos para comprar estes dólares.
No estudo do economista do BNDES, no entanto, há um outro alerta que merece atenção: muitas vezes joga-se no câmbio o que é prejuízo gerado por carga tributária excessiva e taxas de juros elevados além do necessário. A César o que é César: o dólar tem responsabilidade, sim, na tragédia econômica de alguns setores da economia brasileira. Mas não é o único destruidor de emprego e renda dos brasileiros.
Fonte: Gazeta Mercantil
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