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Notícias
06
fev
2007
(GERAL)
Biodiversidade - Riqueza na floresta
O país que ostenta o título de mais rico em biodiversidade, concentrando de 15% a 20% das espécies do planeta, conhece muito pouco do que existe em suas matas. Levantamento do Ministério do Meio Ambiente (MMA), que será transformado em cinco publicações ao longo deste ano, catalogou nada menos de 775 espécies brasileiras classificadas como plantas do futuro. "São as frutas, os remédios, os temperos, os óleos de amanhã. Relacionamos aquilo que já tem uso local, entre as comunidades, mas que ainda não ganhou projeção nacional", diz Lídio Coradin, coordenador da área de recursos genéticos do MMA.
A idéia é fomentar, além da utilização local, oportunidades empresariais a partir das plantas do futuro. "Distribuiremos os livros com explicações aprofundadas sobre as espécies de cada região, suas potencialidade, e faremos seminários para incentivar os empreendedores", ressalta. Coradin defende que, no lugar do mamão e melão, presentes no café da manhã do brasileiro, haja araticum, pupunha, araçá-boi e bacuri. Das plantas silvestres da mata brasileira, é possível também obter óleos, essências, medicamentos, cosméticos e confeccionar artesanato.
Há 30 anos embrenhado na floresta amazônica, o pesquisador Charles Clement ressalta que as espécies nativas são de fácil identificação. "Difícil é transformar as oportunidades em lucro", afirma Clement, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Os obstáculos são ainda maiores, segundo o pesquisador, em locais afastados dos grandes centros, sobretudo do Sudeste. "Aqui, na Região Amazônica, sobra biodiversidade, mas faltam academias, onde as espécies possam ser estudadas e melhoradas, além de empresários dispostos a investir", afirma.
Mas há exceções. Um dos exemplos locais de "negócio" bem-sucedido fica na pequena Silves, a 280km de Manaus. Foi na cidade que tem menos de 10 mil habitantes que a Associação Vida Verde da Amazônia (Avive) se formou seis anos atrás. O objetivo: produzir velas com essências oriundas da floresta, extraídas de plantas como pau-rosa, andiroba e copaíba. A produção, que inicialmente era comprada apenas pelo hotel da cidade, hoje está nas prateleiras da rede de supermercados Pão de Açúcar. São 5 mil velas por mês, que vão para feiras, exposições e encomendas de revendedores.
Franciane Souza Canto, uma das coordenadoras da Avive, conta que a transformação na vida das mulheres participantes do projeto é latente. "No início, muita gente não acreditava, até a população da cidade desconfiava. Agora temos orgulho, já viajamos para falar da experiência, promovemos cursos por meio da Avive", relata.
Cada integrante consegue tirar cerca de R$ 150 por mês, que representa um grande reforço no orçamento doméstico, especialmente quando se vive na cidade de Silves. Com a expansão da associação, as mulheres buscaram apoio da organização não-governamental WWF no Brasil. Em 2002, o projeto recebeu um prêmio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Para este ano, a Avive planeja construir uma fábrica de sabonetes. E deve receber o aval da Agência Nacional da Vigilância Sanitária. "Há um ano e meio estamos participando de reuniões, já fechamos um financiamento no banco e agora aguardamos o sinal positivo do estado", empolga-se Franciane.
Das 775 espécies destacadas no relatório do Ministério do Meio Ambiente, dentro do Projeto de Utilização Sustentável da Diversidade Biológica Brasileira, 148 são plantas ornamentais, 70 podem ser usadas como alimentação, 99 têm propriedades medicinais, 9 são recomendadas para a fabricação de aromas e 31 de óleos. Para Lídio Coradin, que coordenou o levantamento, falta informação sobre as riquezas do país. "As escolas não ensinam sobre as frutíferas nativas, como o araticum, cagaita, cajuzinho do cerrado. Pelo contrário, as crianças só conhecem a pêra, a maçã, entre outros gêneros alimentícios que não são originários do Brasil", critica.
Enquanto isso, plantas nativas se tornam populares lá fora. Caso do camu-camu, fruta típica da Região Norte com 20 vezes mais vitamina C que a acerola, é exportada para os Estados Unidos, Japão e Europa a preços irrisórios. Outro exemplo de celebridade brasileira no exterior é a goiaba serrana, típica do Sul do país, que tem sido utilizada para fazer sucos, biscoitos, geléias, óleos e champanhe na Nova Zelândia. "Eles lá tiram o máximo de uma espécie, nós aqui tiramos o mínimo", lamenta Coradin.
Inúmeras espécies, defende o pesquisador, poderiam substituir, no prato do brasileiro, os produtos de fora. "Somos muito dependentes na alimentação, embora tenhamos a maior biodiversidade do mundo. Veja que 60% da energia que consumimos está no arroz, trigo, milho e batata. E nenhum é nosso", afirma o especialista. O desafio é tornar as espécies conhecidas e fomentar a sua utilização, inclusive para fins comerciais, sem perder de vista a preservação ambiental.
O açaí, fruta do Norte brasileiro, é um exemplo emblemático de espécie que ganhou projeção nacional. E até fora do país. A popularidade da fruta, típica nas mesas dos paraenses, foi impulsionada em meados dos anos 90, quando um seriado juvenil da TV Globo, Malhação, vinculava o açaí ao vigor físico. Desde então, a fruta se tornou febre entre freqüentadores de academias. Hoje pode ser facilmente encontrada em lanchonetes e restaurantes do país.
A idéia é fomentar, além da utilização local, oportunidades empresariais a partir das plantas do futuro. "Distribuiremos os livros com explicações aprofundadas sobre as espécies de cada região, suas potencialidade, e faremos seminários para incentivar os empreendedores", ressalta. Coradin defende que, no lugar do mamão e melão, presentes no café da manhã do brasileiro, haja araticum, pupunha, araçá-boi e bacuri. Das plantas silvestres da mata brasileira, é possível também obter óleos, essências, medicamentos, cosméticos e confeccionar artesanato.
Há 30 anos embrenhado na floresta amazônica, o pesquisador Charles Clement ressalta que as espécies nativas são de fácil identificação. "Difícil é transformar as oportunidades em lucro", afirma Clement, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Os obstáculos são ainda maiores, segundo o pesquisador, em locais afastados dos grandes centros, sobretudo do Sudeste. "Aqui, na Região Amazônica, sobra biodiversidade, mas faltam academias, onde as espécies possam ser estudadas e melhoradas, além de empresários dispostos a investir", afirma.
Mas há exceções. Um dos exemplos locais de "negócio" bem-sucedido fica na pequena Silves, a 280km de Manaus. Foi na cidade que tem menos de 10 mil habitantes que a Associação Vida Verde da Amazônia (Avive) se formou seis anos atrás. O objetivo: produzir velas com essências oriundas da floresta, extraídas de plantas como pau-rosa, andiroba e copaíba. A produção, que inicialmente era comprada apenas pelo hotel da cidade, hoje está nas prateleiras da rede de supermercados Pão de Açúcar. São 5 mil velas por mês, que vão para feiras, exposições e encomendas de revendedores.
Franciane Souza Canto, uma das coordenadoras da Avive, conta que a transformação na vida das mulheres participantes do projeto é latente. "No início, muita gente não acreditava, até a população da cidade desconfiava. Agora temos orgulho, já viajamos para falar da experiência, promovemos cursos por meio da Avive", relata.
Cada integrante consegue tirar cerca de R$ 150 por mês, que representa um grande reforço no orçamento doméstico, especialmente quando se vive na cidade de Silves. Com a expansão da associação, as mulheres buscaram apoio da organização não-governamental WWF no Brasil. Em 2002, o projeto recebeu um prêmio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Para este ano, a Avive planeja construir uma fábrica de sabonetes. E deve receber o aval da Agência Nacional da Vigilância Sanitária. "Há um ano e meio estamos participando de reuniões, já fechamos um financiamento no banco e agora aguardamos o sinal positivo do estado", empolga-se Franciane.
Das 775 espécies destacadas no relatório do Ministério do Meio Ambiente, dentro do Projeto de Utilização Sustentável da Diversidade Biológica Brasileira, 148 são plantas ornamentais, 70 podem ser usadas como alimentação, 99 têm propriedades medicinais, 9 são recomendadas para a fabricação de aromas e 31 de óleos. Para Lídio Coradin, que coordenou o levantamento, falta informação sobre as riquezas do país. "As escolas não ensinam sobre as frutíferas nativas, como o araticum, cagaita, cajuzinho do cerrado. Pelo contrário, as crianças só conhecem a pêra, a maçã, entre outros gêneros alimentícios que não são originários do Brasil", critica.
Enquanto isso, plantas nativas se tornam populares lá fora. Caso do camu-camu, fruta típica da Região Norte com 20 vezes mais vitamina C que a acerola, é exportada para os Estados Unidos, Japão e Europa a preços irrisórios. Outro exemplo de celebridade brasileira no exterior é a goiaba serrana, típica do Sul do país, que tem sido utilizada para fazer sucos, biscoitos, geléias, óleos e champanhe na Nova Zelândia. "Eles lá tiram o máximo de uma espécie, nós aqui tiramos o mínimo", lamenta Coradin.
Inúmeras espécies, defende o pesquisador, poderiam substituir, no prato do brasileiro, os produtos de fora. "Somos muito dependentes na alimentação, embora tenhamos a maior biodiversidade do mundo. Veja que 60% da energia que consumimos está no arroz, trigo, milho e batata. E nenhum é nosso", afirma o especialista. O desafio é tornar as espécies conhecidas e fomentar a sua utilização, inclusive para fins comerciais, sem perder de vista a preservação ambiental.
O açaí, fruta do Norte brasileiro, é um exemplo emblemático de espécie que ganhou projeção nacional. E até fora do país. A popularidade da fruta, típica nas mesas dos paraenses, foi impulsionada em meados dos anos 90, quando um seriado juvenil da TV Globo, Malhação, vinculava o açaí ao vigor físico. Desde então, a fruta se tornou febre entre freqüentadores de academias. Hoje pode ser facilmente encontrada em lanchonetes e restaurantes do país.
Fonte: Correio Braziliense
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