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Notícias
18
dez
2006
(GERAL)
Identificado local mais chuvoso do Brasil
Após analisar séries históricas de chuvas em mais de 400 estações meteorológicas localizadas na região Amazônica, o município de Calçoene, no Amapá, foi identificado como o local mais chuvoso do Brasil com uma precipitação média anual de 4.165 mm. A análise dos dados foi realizada em 2006 pelo pesquisador Daniel Pereira Guimarães, da área de Agrometeorologia da Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG). O município, de apenas sete mil habitantes, está localizado no extremo Norte do Brasil, na microrregião do Oiapoque, e abrange uma área de aproximadamente 14 mil km2. Anteriormente, a literatura citava a região da Serra do Mar, entre Paranapiacaba e Itapanhaú, em São Paulo, com uma precipitação média anual de 3.600 mm, como o local mais chuvoso do país.
Segundo Daniel Guimarães a falta de dados de registros históricos consistentes e de longa duração limitava esses estudos. A partir da criação da ANA - Agência Nacional das Águas foram organizados bancos de dados contendo milhares de séries históricas em todos os estados da Federação. “Era natural de se supor que, na Amazônia, estariam os locais de maior pluviosidade”, conclui o pesquisador. Segundo ele, a caracterização climática de uma região deve-se basear em dados consistentes e coletados por, pelo menos, 30 anos, fato ocorrido recentemente com a estação de Calçoene. O Atlas Climatológico para a Amazônia Legal, elaborado pelo Inmet - Instituto Nacional de Meteorologia em 2001, baseou-se em apenas 100 estações e registros de séries históricas de dez anos. Com essa nova abordagem informações mais detalhadas puderam ser obtidas para a região.
A precipitação em Calçoene é cerca de três vezes maior que a registrada na cidade de São Paulo. Entre janeiro e junho foram registrados mais de 25 dias de chuvas em todos os meses, ou seja, chove quase todos os dias. No ano de 2000 foram registrados quase sete mil milímetros de chuva.
A pesquisa também permitiu a elaboração de um novo mapa da precipitação na região Amazônica e mostra que existe uma enorme variação nos padrões de distribuição das chuvas. Roraima apresenta áreas no nordeste do estado onde a precipitação é muito inferior à média regional e a distribuição das chuvas mostra maior concentração nos meses de maio a julho, enquanto, nos demais estados, essa concentração se dá entre janeiro e abril. Áreas de baixa pluviosidade são também observadas no sul dos estados de Tocantins e Rondônia. Conforme o pesquisador, no Pantanal Matogrossense, as precipitações são tão baixas quanto as registradas no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, região do Polígono das Secas. As áreas de maiores precipitações ocorrem no litoral do Amapá e na região do estado do Amazonas conhecida como “Cabeça de Cachorro”. Em ambas existem zonas onde as precipitações médias superam os quatro mil milímetros mensais.
História – As principais atividades produtivas do município de Calçoene são a agropecuária, a silvicultura e o garimpo de ouro. A descoberta do ouro no rio Calçoene culminou com o surgimento de vários conflitos entre brasileiros e franceses de Caiena pela posse da terra, a qual foi, em 1900, anexada ao território brasileiro. A identificação de Calçoene como o local mais chuvoso do Brasil reaquece a recente descoberta de um sítio arqueológico nesse local. O “Stonehenge Amazônico”, espécie de altar de pedras e uma alusão ao complexo monolítico de Stonehenge, em Salisbury, no sul da Inglaterra, é formado por 127 granitos megalíticos alinhados de forma circular, o que lembra um observatório astronômico. Foi construído no período pré-colombiano e, curiosamente, no local de maior incidência de chuvas.
Segundo Daniel Guimarães a falta de dados de registros históricos consistentes e de longa duração limitava esses estudos. A partir da criação da ANA - Agência Nacional das Águas foram organizados bancos de dados contendo milhares de séries históricas em todos os estados da Federação. “Era natural de se supor que, na Amazônia, estariam os locais de maior pluviosidade”, conclui o pesquisador. Segundo ele, a caracterização climática de uma região deve-se basear em dados consistentes e coletados por, pelo menos, 30 anos, fato ocorrido recentemente com a estação de Calçoene. O Atlas Climatológico para a Amazônia Legal, elaborado pelo Inmet - Instituto Nacional de Meteorologia em 2001, baseou-se em apenas 100 estações e registros de séries históricas de dez anos. Com essa nova abordagem informações mais detalhadas puderam ser obtidas para a região.
A precipitação em Calçoene é cerca de três vezes maior que a registrada na cidade de São Paulo. Entre janeiro e junho foram registrados mais de 25 dias de chuvas em todos os meses, ou seja, chove quase todos os dias. No ano de 2000 foram registrados quase sete mil milímetros de chuva.
A pesquisa também permitiu a elaboração de um novo mapa da precipitação na região Amazônica e mostra que existe uma enorme variação nos padrões de distribuição das chuvas. Roraima apresenta áreas no nordeste do estado onde a precipitação é muito inferior à média regional e a distribuição das chuvas mostra maior concentração nos meses de maio a julho, enquanto, nos demais estados, essa concentração se dá entre janeiro e abril. Áreas de baixa pluviosidade são também observadas no sul dos estados de Tocantins e Rondônia. Conforme o pesquisador, no Pantanal Matogrossense, as precipitações são tão baixas quanto as registradas no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, região do Polígono das Secas. As áreas de maiores precipitações ocorrem no litoral do Amapá e na região do estado do Amazonas conhecida como “Cabeça de Cachorro”. Em ambas existem zonas onde as precipitações médias superam os quatro mil milímetros mensais.
História – As principais atividades produtivas do município de Calçoene são a agropecuária, a silvicultura e o garimpo de ouro. A descoberta do ouro no rio Calçoene culminou com o surgimento de vários conflitos entre brasileiros e franceses de Caiena pela posse da terra, a qual foi, em 1900, anexada ao território brasileiro. A identificação de Calçoene como o local mais chuvoso do Brasil reaquece a recente descoberta de um sítio arqueológico nesse local. O “Stonehenge Amazônico”, espécie de altar de pedras e uma alusão ao complexo monolítico de Stonehenge, em Salisbury, no sul da Inglaterra, é formado por 127 granitos megalíticos alinhados de forma circular, o que lembra um observatório astronômico. Foi construído no período pré-colombiano e, curiosamente, no local de maior incidência de chuvas.
Fonte: Embrapa Milho e Sorgo
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