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Notícias
02
dez
2006
(GERAL)
Fragmentação florestal ameaça a biodiversidade na Amazônia
Estudo mostra que as árvores que vivem nas áreas remanescentes acabam morrendo mais rápido do que se estivessem em uma floresta contínua
A fragmentação da floresta amazônica, em pequenos trechos de mata, ameaça a biodiversidade local de um modo muito mais grave do que se imaginava. Estudo publicado nesta semana na revista científica PNAS mostra que as árvores que vivem nessas áreas remanescentes acabam morrendo mais rápido do que se estivessem em uma floresta contínua.
A equipe internacional liderada por William Laurance, e composta por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas (Inpa), monitorou, por 22 anos, 40 parcelas florestais de um hectare a cerca de 80 km de Manaus - metade delas em fragmentos de mata, e a outra metade, em área contínua. No total foram observadas 32 mil árvores. Eles notaram que a dinâmica da floresta muda, e a taxa de mortalidade acaba sendo maior no primeiro caso.
“De um modo geral, 1% das árvores morrem naturalmente em um ano nas áreas contínuas, número que sobe para 4% nos fragmentos”, explica ao Estado Henrique Nascimento, pesquisador do Inpa. Outro problema, segundo ele, é que algumas espécies acabam sendo extintas localmente.
Isso porque a Amazônia possui, em pequenos trechos, as comunidades de árvores mais diversas do planeta. Em uma área de dois campos de futebol podem ocorrer mais de 300 espécies. Só que, às vezes, ter muitas espécies num espaço pequeno significa poucos representantes de cada uma. Os menores fragmentos podem ficar com apenas um indivíduo de uma espécie.
“Quando ele morre, essa espécie deixa de existir ali. Como o fragmento é isolado do resto da mata, a polinização fica mais difícil. E aí não há mais volta”, lamenta Nascimento.
A descoberta mais surpreendente, escrevem os autores, é como a fragmentação acelera mudanças nas comunidades de árvores. “Árvores de florestas tropicais podem viver por 500 anos, mil anos. Mas em apenas duas décadas, um piscar de olhos considerando o tempo de vida delas, o ecossistema foi seriamente degradado”, explica Laurance.
Já se sabia que as plantas que vivem na fronteira da floresta com uma área de pasto, por exemplo, sofria com os ventos quentes e acabavam morrendo mais cedo. O grupo agora notou que mesmo as que estão mais para dentro do fragmento também sofrem com isso. “Elas simplesmente não conseguem lidar com esse estresse”, afirma Nascimento.
Para complementar, a regeneração também é afetada. “As novas árvores que nascem no lugar não são da mesma espécie da que morreu, mas as chamadas pioneiras, que se dão bem em áreas perturbadas, como cipós e trepadeiras, tomando o espaço das centenárias.”
Giovana Girardi
A fragmentação da floresta amazônica, em pequenos trechos de mata, ameaça a biodiversidade local de um modo muito mais grave do que se imaginava. Estudo publicado nesta semana na revista científica PNAS mostra que as árvores que vivem nessas áreas remanescentes acabam morrendo mais rápido do que se estivessem em uma floresta contínua.
A equipe internacional liderada por William Laurance, e composta por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas (Inpa), monitorou, por 22 anos, 40 parcelas florestais de um hectare a cerca de 80 km de Manaus - metade delas em fragmentos de mata, e a outra metade, em área contínua. No total foram observadas 32 mil árvores. Eles notaram que a dinâmica da floresta muda, e a taxa de mortalidade acaba sendo maior no primeiro caso.
“De um modo geral, 1% das árvores morrem naturalmente em um ano nas áreas contínuas, número que sobe para 4% nos fragmentos”, explica ao Estado Henrique Nascimento, pesquisador do Inpa. Outro problema, segundo ele, é que algumas espécies acabam sendo extintas localmente.
Isso porque a Amazônia possui, em pequenos trechos, as comunidades de árvores mais diversas do planeta. Em uma área de dois campos de futebol podem ocorrer mais de 300 espécies. Só que, às vezes, ter muitas espécies num espaço pequeno significa poucos representantes de cada uma. Os menores fragmentos podem ficar com apenas um indivíduo de uma espécie.
“Quando ele morre, essa espécie deixa de existir ali. Como o fragmento é isolado do resto da mata, a polinização fica mais difícil. E aí não há mais volta”, lamenta Nascimento.
A descoberta mais surpreendente, escrevem os autores, é como a fragmentação acelera mudanças nas comunidades de árvores. “Árvores de florestas tropicais podem viver por 500 anos, mil anos. Mas em apenas duas décadas, um piscar de olhos considerando o tempo de vida delas, o ecossistema foi seriamente degradado”, explica Laurance.
Já se sabia que as plantas que vivem na fronteira da floresta com uma área de pasto, por exemplo, sofria com os ventos quentes e acabavam morrendo mais cedo. O grupo agora notou que mesmo as que estão mais para dentro do fragmento também sofrem com isso. “Elas simplesmente não conseguem lidar com esse estresse”, afirma Nascimento.
Para complementar, a regeneração também é afetada. “As novas árvores que nascem no lugar não são da mesma espécie da que morreu, mas as chamadas pioneiras, que se dão bem em áreas perturbadas, como cipós e trepadeiras, tomando o espaço das centenárias.”
Giovana Girardi
Fonte: Estadão
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