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Notícias
27
out
2006
(GERAL)
China usa madeira ilegal da Rússia e Indonésia
ONU indica incompatibilidade entre volume oficial de madeira importada por país asiático e total de produtos chineses exportados
A China se tornou a maior exportadora de produtos de madeira do mundo sem sequer contar com florestas suficientes para abastecer suas vendas domésticas. A Organização das Nações Unidas (ONU) aponta para exportações chinesas em 2005 de US$ 16,4 bilhões no setor, mas a entidade alerta que parte da madeira transformada na China em móveis e outros produtos, como árvores de Natal, é extraída ilegalmente das florestas da Rússia, por exemplo.
Segundo os dados da ONU, a China é a segunda maior importadora do mundo de toras, troncos e madeira bruta, superada apenas pelos Estados Unidos.
De acordo com o governo da Rússia, o país exportou no ano passado 19 milhões de metros cúbicos de madeira para a China. Mas a ONU suspeita que o comércio de madeira ilegal extraída no leste russo seja bem maior para alimentar a produção chinesa. Segundo a Organização Internacional de Madeira Tropical, os dados chineses relativos à importação de toras registram volumes bem superiores ao total exportado à China por seus fornecedores.
As contas simplesmente não batem, e isso é o principal indício de que a madeira usada na China é de fato cortada ilegalmente nos países de origem.
MATÉRIA-PRIMA CLANDESTINA
Na avaliação da entidade WWF, 20% da madeira extraída na Rússia é ilegal, ante mais de 75% na Indonésia, outro país fornecedor de toras para a indústria chinesa. Para os analistas, o resultado disso tem sido um aumento nas exportações de móveis de 33% por ano desde 1995. Os produtos da China já ocupam mais de um terço do mercado europeu de móveis e representam 43% das importações americanas desse setor.
Os dados indicam que a China já ultrapassou a Itália como o maior fornecedor de móveis do mundo, posição que era mantida pelos italianos há décadas.
Além de móveis, a China também incrementa suas exportações de piso de madeira. Nesse campo, porém, a concorrência com outros produtos que não têm madeira como base é intensa. Mesmo assim, os chineses já ocupam 35% do mercado mundial. Em 2000, representavam apenas 10%.
O aumento das vendas ainda tem gerado queixas de vários países europeus e dos Estados Unidos sobre possíveis práticas de dumping por parte da China. Alemanha, Itália, Estados Unidos e Canadá já abriram investigações.
ÁRVORES DE NATAL DA CHINA
Os americanos ainda estabeleceram barreiras contra árvores de Natal chinesas, o que está gerando muita polêmica. O caso chegou a ser levado para os órgãos de questões fitossanitárias da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Washington alega que teve de colocar a barreira depois que um inseto foi identificado em vários carregamentos de árvores de Natal vindos da China. Para Pequim, as medidas necessárias já foram tomadas para que o comércio seja restabelecido, o que prova que a medida é apenas uma forma de proteger o mercado dos Estados Unidos contra as importações.
A região de Shenzhen, no sul da China, exportava até a imposição da barreira, cerca de US$ 100 milhões em árvores de Natal apenas para os Estados Unidos. Se as árvores de plástico forem somadas aos cálculos, sete em cada dez árvores compradas no último Natal nos Estados Unidos eram chinesas.
Jamil Chade – Correspondente Genebra
A China se tornou a maior exportadora de produtos de madeira do mundo sem sequer contar com florestas suficientes para abastecer suas vendas domésticas. A Organização das Nações Unidas (ONU) aponta para exportações chinesas em 2005 de US$ 16,4 bilhões no setor, mas a entidade alerta que parte da madeira transformada na China em móveis e outros produtos, como árvores de Natal, é extraída ilegalmente das florestas da Rússia, por exemplo.
Segundo os dados da ONU, a China é a segunda maior importadora do mundo de toras, troncos e madeira bruta, superada apenas pelos Estados Unidos.
De acordo com o governo da Rússia, o país exportou no ano passado 19 milhões de metros cúbicos de madeira para a China. Mas a ONU suspeita que o comércio de madeira ilegal extraída no leste russo seja bem maior para alimentar a produção chinesa. Segundo a Organização Internacional de Madeira Tropical, os dados chineses relativos à importação de toras registram volumes bem superiores ao total exportado à China por seus fornecedores.
As contas simplesmente não batem, e isso é o principal indício de que a madeira usada na China é de fato cortada ilegalmente nos países de origem.
MATÉRIA-PRIMA CLANDESTINA
Na avaliação da entidade WWF, 20% da madeira extraída na Rússia é ilegal, ante mais de 75% na Indonésia, outro país fornecedor de toras para a indústria chinesa. Para os analistas, o resultado disso tem sido um aumento nas exportações de móveis de 33% por ano desde 1995. Os produtos da China já ocupam mais de um terço do mercado europeu de móveis e representam 43% das importações americanas desse setor.
Os dados indicam que a China já ultrapassou a Itália como o maior fornecedor de móveis do mundo, posição que era mantida pelos italianos há décadas.
Além de móveis, a China também incrementa suas exportações de piso de madeira. Nesse campo, porém, a concorrência com outros produtos que não têm madeira como base é intensa. Mesmo assim, os chineses já ocupam 35% do mercado mundial. Em 2000, representavam apenas 10%.
O aumento das vendas ainda tem gerado queixas de vários países europeus e dos Estados Unidos sobre possíveis práticas de dumping por parte da China. Alemanha, Itália, Estados Unidos e Canadá já abriram investigações.
ÁRVORES DE NATAL DA CHINA
Os americanos ainda estabeleceram barreiras contra árvores de Natal chinesas, o que está gerando muita polêmica. O caso chegou a ser levado para os órgãos de questões fitossanitárias da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Washington alega que teve de colocar a barreira depois que um inseto foi identificado em vários carregamentos de árvores de Natal vindos da China. Para Pequim, as medidas necessárias já foram tomadas para que o comércio seja restabelecido, o que prova que a medida é apenas uma forma de proteger o mercado dos Estados Unidos contra as importações.
A região de Shenzhen, no sul da China, exportava até a imposição da barreira, cerca de US$ 100 milhões em árvores de Natal apenas para os Estados Unidos. Se as árvores de plástico forem somadas aos cálculos, sete em cada dez árvores compradas no último Natal nos Estados Unidos eram chinesas.
Jamil Chade – Correspondente Genebra
Fonte: O Estado de S.Paulo
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