Voltar
Notícias
23
out
2006
(GERAL)
Política Florestal equivocada desemprega 62% do setor na Região Sul no Paraná
Após inúmeros alertas do equívoco de se adotar uma moratória branca de proibição do manejo e qualquer corte no Paraná, usando como argumento a Resolução CONAMA 278/01 (que deveria focar apenas algumas espécies), agravado com a situação cambial onde as Empresas tradicionais não podem utilizar suas economias imobilizadas em estoques florestais, o setor florestal, especialmente de compensados e serrados, desabou seu índice de emprego, gerando a mais profunda crise setorial de toda História.
Desconsiderando os milhares de desempregados nas atividades de exploração, condução de manejo, silvicultura, colheita, e o de empresas que trabalhavam na informalidade, só nas atividades industriais em sete municípios pesquisados da micro região Sul do Estado do Paraná, cerca de 3.456 trabalhadores perderam sua vaga, conforme levantamento realizado pela ONG Instituto Ecoplan. Isso representa perda de 62% dos empregos existentes, comparativamente a janeiro de 2005, com impactos sociais profundos.
O efeito pode ser relacionado também ao fato dessa região possuir a maior remanescência de florestas de Araucárias, mesmo estando em exploração há mais de 100 anos, com municípios atingindo índices de cobertura de florestas nativas superiores a 50%, as quais, conduzidas conjuntamente com reflorestamentos, sempre mantiveram equilíbrio entre o uso e as dificuldades de mercado, servindo de poupança moderadora em crises conjunturais.
No caso das Empresas focadas nesta pesquisa, principalmente de compensados, o produto básico, atualmente à base de Pinus spp., atinge em média US$ 245 dólares por m3. Quando recebe uma capa de madeira de Araucária apenas em uma das suas faces (o que representa cerca de 8% no produto de 15 mm), agrega-se valor, passando o mesmo produto para a faixa de US$ 500.
Com este mecanismo, empresas foram certificadas pelo FSC e outras mantêm reservas nativas que só com o incremento natural da floresta permitiriam agregar valor a seus produtos e suportar a crise cambial, mas que, vedadas de seu uso por ato administrativo, entraram em colapso, além de algumas fomentarem maior informalidade e mercado de madeira com corte ilegal.
Colapso sócio-ambiental
Outro levantamento que está sendo realizado nos Sindicatos Rurais, Câmara de Vereadores, Prefeituras, Associações e ONGs da mesma região aponta preliminarmente que a totalidade dos entrevistados indica a proibição ou suspensão temporária do corte e manejo de florestas nativas como a responsável pelo maior desmatamento ou desestímulo ao uso destas espécies de toda história conhecida, gerando efeito totalmente oposto do esperado.
No caso da Araucária, a pesquisa demonstra a indicação de que – lamentavelmente - a espécie passou a ser considerada um empecilho na propriedade rural, especialmente a pequena e média, sendo que qualquer muda que possa nascer já é rapidamente eliminada pela maioria dos agricultores, que sempre acreditaram na floresta como uma poupança e agora sentem-se frustrados.
Mesmo com as denúncias, estudos - e o prazo estipulado da Resolução CONAMA para normas serem publicadas já ter vencido -, nenhuma medida vem sendo tomada para acabar com este equívoco, além de novas medidas estarem penalizando ainda a organização e fomento a alternativa das florestas plantadas e até programas ao pequeno produtor rural como o PRONAF.
Luciano Pizzatto engenheiro florestal e empresário, Diretor de Parques Nacionais e Reservas do IBDF/IBAMA 88/89, Deputado de 1989/2003, detentor do Prêmio Nacional de Ecologia.
Desconsiderando os milhares de desempregados nas atividades de exploração, condução de manejo, silvicultura, colheita, e o de empresas que trabalhavam na informalidade, só nas atividades industriais em sete municípios pesquisados da micro região Sul do Estado do Paraná, cerca de 3.456 trabalhadores perderam sua vaga, conforme levantamento realizado pela ONG Instituto Ecoplan. Isso representa perda de 62% dos empregos existentes, comparativamente a janeiro de 2005, com impactos sociais profundos.
O efeito pode ser relacionado também ao fato dessa região possuir a maior remanescência de florestas de Araucárias, mesmo estando em exploração há mais de 100 anos, com municípios atingindo índices de cobertura de florestas nativas superiores a 50%, as quais, conduzidas conjuntamente com reflorestamentos, sempre mantiveram equilíbrio entre o uso e as dificuldades de mercado, servindo de poupança moderadora em crises conjunturais.
No caso das Empresas focadas nesta pesquisa, principalmente de compensados, o produto básico, atualmente à base de Pinus spp., atinge em média US$ 245 dólares por m3. Quando recebe uma capa de madeira de Araucária apenas em uma das suas faces (o que representa cerca de 8% no produto de 15 mm), agrega-se valor, passando o mesmo produto para a faixa de US$ 500.
Com este mecanismo, empresas foram certificadas pelo FSC e outras mantêm reservas nativas que só com o incremento natural da floresta permitiriam agregar valor a seus produtos e suportar a crise cambial, mas que, vedadas de seu uso por ato administrativo, entraram em colapso, além de algumas fomentarem maior informalidade e mercado de madeira com corte ilegal.
Colapso sócio-ambiental
Outro levantamento que está sendo realizado nos Sindicatos Rurais, Câmara de Vereadores, Prefeituras, Associações e ONGs da mesma região aponta preliminarmente que a totalidade dos entrevistados indica a proibição ou suspensão temporária do corte e manejo de florestas nativas como a responsável pelo maior desmatamento ou desestímulo ao uso destas espécies de toda história conhecida, gerando efeito totalmente oposto do esperado.
No caso da Araucária, a pesquisa demonstra a indicação de que – lamentavelmente - a espécie passou a ser considerada um empecilho na propriedade rural, especialmente a pequena e média, sendo que qualquer muda que possa nascer já é rapidamente eliminada pela maioria dos agricultores, que sempre acreditaram na floresta como uma poupança e agora sentem-se frustrados.
Mesmo com as denúncias, estudos - e o prazo estipulado da Resolução CONAMA para normas serem publicadas já ter vencido -, nenhuma medida vem sendo tomada para acabar com este equívoco, além de novas medidas estarem penalizando ainda a organização e fomento a alternativa das florestas plantadas e até programas ao pequeno produtor rural como o PRONAF.
Luciano Pizzatto engenheiro florestal e empresário, Diretor de Parques Nacionais e Reservas do IBDF/IBAMA 88/89, Deputado de 1989/2003, detentor do Prêmio Nacional de Ecologia.
Fonte: AmbienteBrasil
Notícias em destaque
Portos do Paraná batem recorde histórico com 73,5 milhões de toneladas e lideram crescimento nacional em 2025
Os portos do Paraná encerraram o ano de 2025 com um resultado histórico: 73,5 milhões de toneladas movimentadas, entre...
(LOGÍSTICA)
Cientistas brasileiros criam tecnologia com lignina Kraft para combater ervas daninhas e reduzir uso de herbicidas
Pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Nanotecnologia para Agricultura Sustentável (INCT NanoAgro)...
(GERAL)
Revolução na construção: cientistas criam madeira superforte que pode substituir o aço
Pesquisadores desenvolvem processo de autodensificação que aumenta significativamente a resistência da madeira.
A madeira...
(GERAL)
Além do carvão: conheça a madeira certa para garantir a brasa ideal no seu churrasco
Nem toda lenha é igual; entenda como o tipo de madeira influencia no calor, no sabor da carne e na economia do seu...
(GERAL)
Sem tijolos, a maior estrutura de madeira do mundo tem 86m de altura e prova que o futuro das cidades é feito de árvores
Esqueça o concreto e o aço; o futuro da construção civil pode estar nas árvores. O edifício Ascent MKE,...
(MADEIRA E PRODUTOS)
Mais leve que a fibra de vidro e com resistência comparável, o bambu começa a substituir materiais industriais em compósitos usados na indústria automotiva, esportiva e eólica
Mais leve que a fibra de vidro e com resistência comparável, o bambu começa a substituir materiais industriais em...
(CONSTRUÇÃO CIVIL)














