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Notícias
11
out
2006
(GERAL)
Pesquisa indica que 37,3% das áreas sob proteção sofrem desmatamento
A simples demarcação das unidades de conservação na Amazônia Legal não é suficiente para impedir a derrubada da floresta. A pressão da atividade humana ameaça 37,3% das áreas sob proteção legal, revela um cruzamento de dados de mapas digitais feitos por pesquisadores brasileiros. Os dados são referentes ao desflorestamento acumulado até 2004.
O quadro mais dramático é o do Maranhão. Das 20 áreas protegidas estudadas no Estado, 17 não estão contendo o processo de desmatamento. "Isso não significa que unidades de conservação não funcionem. Muito pelo contrário. Elas são ferramentas importantes para a preservação da floresta" diz Leandro Ferreira, do Museu Paraense Emílio Goeldi, autor do estudo. Ele contou com a colaboração de Eduardo Venticinque, da ONG Wildlife Conservation Society, na compilação dos dados.
Das 727 unidades de conservação da Amazônia, a pesquisa analisou 424. Juntas, elas somam mais de 150 milhões de hectares. Ao investigar as florestas protegidas que correm mais riscos --sempre por causa da pressão externa, que é cada vez mais alta--, a dupla de cientistas conseguiu identificar o tipo de unidade de conservação mais frágil. Esse título vai para as APAs (áreas de proteção ambiental). Essa categoria está dentro das chamadas regiões de uso sustentável, em oposição às de proteção integral.
"Isso ocorre também por falta de uma implementação real dessas unidades de conservação", afirma Ferreira. "Muitas precisam sair do papel, mas não sou contra as APAs". Do total do desmatamento identificado pela análise de dados, 20,1% ocorreu só nesse tipo de zona protegida. O segundo da lista, com apenas 3,8%, é o da reserva extrativista.
Planos de ação
Para Maurício Mercadante, diretor de Áreas Protegidas do Ministério do Meio Ambiente, o estudo pode ser lido por um outro prisma. "A pesquisa também mostra que mesmo onde ainda não existe um plano de manejo implementado, a unidade de conservação tem uma importância grande". Segundo o representante do governo, dez planos de manejo estão em fase de elaboração atualmente para a floresta amazônica.
Além de saber como aquela área será gerenciada, explica Mercadante, outras estratégias são essenciais. "É preciso também ter infra-estrutura adequada, equipe de trabalho e fiscalização. E estamos avançado em todas essas frentes", disse.
Segundo o MMA, 287 unidades federais de conservação ambiental em todo o Brasil, só 53 têm planos de manejo. Outros 62 estão em fase de elaboração e mais 13 sob revisão. "Estes números estão sendo revisados e teremos uma idéia melhor deles no fim do ano", afirma Mercadante.
Algumas zonas emblemáticas mostram extremos da pressão exercida sobre a floresta. Enquanto em Rondônia, na terra indígena Uru-eu-wau-wau, o desmatamento foi de 1% ("Os índios matam quem invadir aquela área para derrubar árvore", diz Ferreira), o Parque Nacional do Xingu está à beira de ceder às pressões, por causa da pressão da pecuária e da soja. Ao contrário das APAs, as áreas sob proteção integral e as terras indígenas registraram um impacto antrópico (de atividade humana) menor, segundo o estudo.
O quadro mais dramático é o do Maranhão. Das 20 áreas protegidas estudadas no Estado, 17 não estão contendo o processo de desmatamento. "Isso não significa que unidades de conservação não funcionem. Muito pelo contrário. Elas são ferramentas importantes para a preservação da floresta" diz Leandro Ferreira, do Museu Paraense Emílio Goeldi, autor do estudo. Ele contou com a colaboração de Eduardo Venticinque, da ONG Wildlife Conservation Society, na compilação dos dados.
Das 727 unidades de conservação da Amazônia, a pesquisa analisou 424. Juntas, elas somam mais de 150 milhões de hectares. Ao investigar as florestas protegidas que correm mais riscos --sempre por causa da pressão externa, que é cada vez mais alta--, a dupla de cientistas conseguiu identificar o tipo de unidade de conservação mais frágil. Esse título vai para as APAs (áreas de proteção ambiental). Essa categoria está dentro das chamadas regiões de uso sustentável, em oposição às de proteção integral.
"Isso ocorre também por falta de uma implementação real dessas unidades de conservação", afirma Ferreira. "Muitas precisam sair do papel, mas não sou contra as APAs". Do total do desmatamento identificado pela análise de dados, 20,1% ocorreu só nesse tipo de zona protegida. O segundo da lista, com apenas 3,8%, é o da reserva extrativista.
Planos de ação
Para Maurício Mercadante, diretor de Áreas Protegidas do Ministério do Meio Ambiente, o estudo pode ser lido por um outro prisma. "A pesquisa também mostra que mesmo onde ainda não existe um plano de manejo implementado, a unidade de conservação tem uma importância grande". Segundo o representante do governo, dez planos de manejo estão em fase de elaboração atualmente para a floresta amazônica.
Além de saber como aquela área será gerenciada, explica Mercadante, outras estratégias são essenciais. "É preciso também ter infra-estrutura adequada, equipe de trabalho e fiscalização. E estamos avançado em todas essas frentes", disse.
Segundo o MMA, 287 unidades federais de conservação ambiental em todo o Brasil, só 53 têm planos de manejo. Outros 62 estão em fase de elaboração e mais 13 sob revisão. "Estes números estão sendo revisados e teremos uma idéia melhor deles no fim do ano", afirma Mercadante.
Algumas zonas emblemáticas mostram extremos da pressão exercida sobre a floresta. Enquanto em Rondônia, na terra indígena Uru-eu-wau-wau, o desmatamento foi de 1% ("Os índios matam quem invadir aquela área para derrubar árvore", diz Ferreira), o Parque Nacional do Xingu está à beira de ceder às pressões, por causa da pressão da pecuária e da soja. Ao contrário das APAs, as áreas sob proteção integral e as terras indígenas registraram um impacto antrópico (de atividade humana) menor, segundo o estudo.
Fonte: Folha de São Paulo
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