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Notícias
05
out
2006
(GERAL)
O risco da exportação concentrada
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, revisou para cima as expectativas das exportações em 2006: de US$ 132 bilhões para US$ 135 bilhões. O otimismo foi possível porque nos nove primeiros meses do ano o País acumulou US$ 34 bilhões, 4,2% a mais que no mesmo período de 2005. No acumulado do ano, as exportações já atingiram US$ 100,7 bilhões, valor 16,1% maior, na mesma comparação.
O secretário de comércio exterior do ministério, Armando Meziat, a expansão das vendas externas foi influenciada pelo valor das exportações nos últimos doze meses. Apesar desta ressalva, o secretário adiantou que a participação das exportações brasileiras no total mundial deve crescer de 1,1% em 2005 para 1,25% neste ano.
Antes que a euforia vitime o necessário bom senso, convém notar o que o secretário Meziat chamou de "desempenho dinâmico" das exportações de matérias primas: soja em grão, carne in natura, açúcar e álcool, café, couros, papel e celulose, suco de laranja, sem esquecer os industrializados que incluem petróleo, celulares e automóveis.
O que o secretário não destacou, mas os números do ministério confirmam, é que apenas 17 produtos respondem por 90,3% das vendas ao exterior, o mesmo índice de setembro do ano passado. Tal concentração consolida um óbvio risco. É importante que o País tenha vendido 16,8% a mais nos três primeiros trimestres do ano, porém não é tranqüilizador que venda cada vez mais do mesmo.
Até nos produtos industrializados que ganharam mercado, convém observar o perfil de nacionalização. Em algumas situações esse perfil não supera 30%. O fato sugere cautela porque qualquer oscilação nas commodities pode ter forte impacto na balança de comércio. Diversificar a pauta, portanto, é mais do que mera decisão empresarial. É imperiosa obrigação a busca de mercado para produtos com maior valor agregado.
O governo insiste em ler os números da balança comercial unicamente pela lógica do acerto da política cambial. As importações acumularam até setembro US$ 66,7 bilhões, um crescimento de 23,3% na comparação com o mesmo período de 2005, ritmo mais forte que o das exportações. O secretário Meziat reconheceu que, apesar do crescente superávit, 2006 será o ano das importações para todos os tipos de produtos, por conta da depreciação do dólar.
A princípio, o avanço das importações pode representar ganhos qualitativos se a taxa cambial favorável é usada para máquinas e equipamentos, leia-se modernização do parque industrial nacional. Na pauta de importações encontra-se este perfil, mas não só ele. O mercado de consumo interno brasileiro está algo desatento à chegada maciça de produtos, inclusive bens duráveis, de origem asiática, principalmente chinesa. Contra este fato, não basta brandir a eficiência da lógica da máxima competitividade. A permissividade na taxa de câmbio está fazendo vítimas nas exportações mais qualificadas e nas importações em todos os níveis.
A política comercial brasileira parte da premissa de que a taxa de câmbio não prejudica nossa corrente de comércio, oferecendo os números de sucesso da balança comercial para a testar o acerto da tese. Nesta visão, enfrenta-se desvalorização cambial com produtividade crescente.
Aqui está o risco. A produtividade da indústria brasileira, como mostrou reportagem deste jornal publicada segunda-feira, cresceu 2,7% no primeiro semestre, uma desaceleração em relação ao mesmo período de 2005, quando atingiu 3,1%. O pior é o crescimento desigual entre os setores: a produtividade é maior entre os que pertencem às cadeias de exportação de commodities e menor nos setores com maior uso de mão-de-obra intensiva. O Instituto de Estudo para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) mostrou que cresceu a produtividade dos setores extrativos na composição do valor agregado da indústria em geral.
Pauta de exportação muito concentrada, ao lado de produtividade menos acelerada nos setores com evolução tecnológica, não é perspectiva tranqüilizadora. Mesmo se e quando o superávit comercial for maior que o do ano anterior. kicker: País exportou 16,8% a mais até setembro do que em 2005. Porém, concentrar em apenas 17 produtos 90,3% das vendas não é bom.
O secretário de comércio exterior do ministério, Armando Meziat, a expansão das vendas externas foi influenciada pelo valor das exportações nos últimos doze meses. Apesar desta ressalva, o secretário adiantou que a participação das exportações brasileiras no total mundial deve crescer de 1,1% em 2005 para 1,25% neste ano.
Antes que a euforia vitime o necessário bom senso, convém notar o que o secretário Meziat chamou de "desempenho dinâmico" das exportações de matérias primas: soja em grão, carne in natura, açúcar e álcool, café, couros, papel e celulose, suco de laranja, sem esquecer os industrializados que incluem petróleo, celulares e automóveis.
O que o secretário não destacou, mas os números do ministério confirmam, é que apenas 17 produtos respondem por 90,3% das vendas ao exterior, o mesmo índice de setembro do ano passado. Tal concentração consolida um óbvio risco. É importante que o País tenha vendido 16,8% a mais nos três primeiros trimestres do ano, porém não é tranqüilizador que venda cada vez mais do mesmo.
Até nos produtos industrializados que ganharam mercado, convém observar o perfil de nacionalização. Em algumas situações esse perfil não supera 30%. O fato sugere cautela porque qualquer oscilação nas commodities pode ter forte impacto na balança de comércio. Diversificar a pauta, portanto, é mais do que mera decisão empresarial. É imperiosa obrigação a busca de mercado para produtos com maior valor agregado.
O governo insiste em ler os números da balança comercial unicamente pela lógica do acerto da política cambial. As importações acumularam até setembro US$ 66,7 bilhões, um crescimento de 23,3% na comparação com o mesmo período de 2005, ritmo mais forte que o das exportações. O secretário Meziat reconheceu que, apesar do crescente superávit, 2006 será o ano das importações para todos os tipos de produtos, por conta da depreciação do dólar.
A princípio, o avanço das importações pode representar ganhos qualitativos se a taxa cambial favorável é usada para máquinas e equipamentos, leia-se modernização do parque industrial nacional. Na pauta de importações encontra-se este perfil, mas não só ele. O mercado de consumo interno brasileiro está algo desatento à chegada maciça de produtos, inclusive bens duráveis, de origem asiática, principalmente chinesa. Contra este fato, não basta brandir a eficiência da lógica da máxima competitividade. A permissividade na taxa de câmbio está fazendo vítimas nas exportações mais qualificadas e nas importações em todos os níveis.
A política comercial brasileira parte da premissa de que a taxa de câmbio não prejudica nossa corrente de comércio, oferecendo os números de sucesso da balança comercial para a testar o acerto da tese. Nesta visão, enfrenta-se desvalorização cambial com produtividade crescente.
Aqui está o risco. A produtividade da indústria brasileira, como mostrou reportagem deste jornal publicada segunda-feira, cresceu 2,7% no primeiro semestre, uma desaceleração em relação ao mesmo período de 2005, quando atingiu 3,1%. O pior é o crescimento desigual entre os setores: a produtividade é maior entre os que pertencem às cadeias de exportação de commodities e menor nos setores com maior uso de mão-de-obra intensiva. O Instituto de Estudo para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) mostrou que cresceu a produtividade dos setores extrativos na composição do valor agregado da indústria em geral.
Pauta de exportação muito concentrada, ao lado de produtividade menos acelerada nos setores com evolução tecnológica, não é perspectiva tranqüilizadora. Mesmo se e quando o superávit comercial for maior que o do ano anterior. kicker: País exportou 16,8% a mais até setembro do que em 2005. Porém, concentrar em apenas 17 produtos 90,3% das vendas não é bom.
Fonte: Gazeta Mercantil
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