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Notícias
28
jul
2006
(GERAL)
Brasil disputa preferência dos japoneses
O interesse japonês em investir no Brasil foi renovado em razão do bom desempenho macroeconômico observado nos últimos três anos, de acordo com Yuji Watanabe, diretor-presidente da Jetro (Japan External Trade Organization) em São Paulo. Segundo ele, o momento de estabilidade econômica é favorável para a reversão do quadro de paralisia dos investimentos japoneses no País.
No ano passado, somaram US$ 779 milhões, ou 2,1% dos investimentos totais do Japão no mundo. Ou ainda, o equivalente a 3,6% do total de investimento estrangeiro direto captado pelo Brasil, de acordo com o Banco Central. Em 2004, esse montante foi de apenas US$ 243 milhões, sendo que em 2003 os investimentos diretos japoneses somaram US$ 1,37 bilhão.
"Os investimentos do Japão no Brasil ainda são muito instáveis em termos de quantidade. Naquele ano, foram puxados por uma operação de compra de papéis da Companhia Vale do Rio Doce pela Mitsui e, em 2005, pela compra da área de seguros do ABN pela Tokyo Marine", diz Watanabe.
A pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Luciana Acioly, acredita que para reduzir essa instabilidade seria necessário adotar uma política industrial mais voltada para áreas de interesse mundial, como energia renovável, além de ampliar as taxas de crescimento econômico e reduzir a volatilidade cambial.
"Mas não é só isso, a disputa por investimentos com países asiáticos é acirrada e o fator geográfico pesa." No final de 2005 uma missão de 42 empresários visitou o País. O principal foco foi o segmento de alta tecnologia, como construção de aeronaves, perfuração de petróleo e produção de etanol. "Siderurgia, papel e celulose, logística, indústrias automotiva e eletroeletrônica são os segmentos brasileiros com maior potencial de atração de investimentos", diz Watanabe.
De acordo com o executivo, as áreas de energia e meio ambiente têm futuro promissor. "Cresce no mundo a importância de fontes alternativas de energia. No ano passado, o Japão comprou do Brasil 315 milhões de litros de etanol para uso em medicina e indústria química. Em 2010, para quando está previsto o início do uso do etanol na gasolina pelo Japão, a demanda deve ser ampliada em 360 milhões de litros só para combustível automotivo", diz Watanabe.
A Jetro estima que, se o Japão aprovar uma mistura de 3% de etanol na gasolina, a importação de etanol chegaria a 1,8 bilhão de litros, mais que o total de 1,7 bilhão de litros exportado pelo Brasil em 2004. Atualmente, há no País aproximadamente 300 empresas japonesas instaladas, a maior parte de grande porte. Já a China, possui 18 mil empresas japonesas, grande parte de pequeno e médio porte que fornecem para as grandes.
A missão que visitou o Brasil em dezembro também visava facilitar a instalação de pequenas e médias empresas japonesas no País, que tem como principal fator dificultador a distância. Apesar disso prejudicar o Brasil em relação a seus concorrentes, a localização o torna estratégico como plataforma comercial para os Estados Unidos.
Fonte: Cristina Borges Guimarães (Gazeta Mercantil)
No ano passado, somaram US$ 779 milhões, ou 2,1% dos investimentos totais do Japão no mundo. Ou ainda, o equivalente a 3,6% do total de investimento estrangeiro direto captado pelo Brasil, de acordo com o Banco Central. Em 2004, esse montante foi de apenas US$ 243 milhões, sendo que em 2003 os investimentos diretos japoneses somaram US$ 1,37 bilhão.
"Os investimentos do Japão no Brasil ainda são muito instáveis em termos de quantidade. Naquele ano, foram puxados por uma operação de compra de papéis da Companhia Vale do Rio Doce pela Mitsui e, em 2005, pela compra da área de seguros do ABN pela Tokyo Marine", diz Watanabe.
A pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Luciana Acioly, acredita que para reduzir essa instabilidade seria necessário adotar uma política industrial mais voltada para áreas de interesse mundial, como energia renovável, além de ampliar as taxas de crescimento econômico e reduzir a volatilidade cambial.
"Mas não é só isso, a disputa por investimentos com países asiáticos é acirrada e o fator geográfico pesa." No final de 2005 uma missão de 42 empresários visitou o País. O principal foco foi o segmento de alta tecnologia, como construção de aeronaves, perfuração de petróleo e produção de etanol. "Siderurgia, papel e celulose, logística, indústrias automotiva e eletroeletrônica são os segmentos brasileiros com maior potencial de atração de investimentos", diz Watanabe.
De acordo com o executivo, as áreas de energia e meio ambiente têm futuro promissor. "Cresce no mundo a importância de fontes alternativas de energia. No ano passado, o Japão comprou do Brasil 315 milhões de litros de etanol para uso em medicina e indústria química. Em 2010, para quando está previsto o início do uso do etanol na gasolina pelo Japão, a demanda deve ser ampliada em 360 milhões de litros só para combustível automotivo", diz Watanabe.
A Jetro estima que, se o Japão aprovar uma mistura de 3% de etanol na gasolina, a importação de etanol chegaria a 1,8 bilhão de litros, mais que o total de 1,7 bilhão de litros exportado pelo Brasil em 2004. Atualmente, há no País aproximadamente 300 empresas japonesas instaladas, a maior parte de grande porte. Já a China, possui 18 mil empresas japonesas, grande parte de pequeno e médio porte que fornecem para as grandes.
A missão que visitou o Brasil em dezembro também visava facilitar a instalação de pequenas e médias empresas japonesas no País, que tem como principal fator dificultador a distância. Apesar disso prejudicar o Brasil em relação a seus concorrentes, a localização o torna estratégico como plataforma comercial para os Estados Unidos.
Fonte: Cristina Borges Guimarães (Gazeta Mercantil)
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