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(GERAL)
Ação antiinflamatória da copaíba é duas vezes maior que a do diclofenato de sódio
Testes realizados na Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto comprovaram a eficácia da árvore usada como antiinflamatório pela medicina popular. Os pesquisadores já solicitaram o registro da patente
"No caso da copaíba, teremos um medicamento fitoterápico com a mesma ação de um sintético"
Mais uma vez a Ciência comprovou a eficácia de uma planta largamente usada na medicina popular. Pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP constataram que o óleo de copaíba apresenta ação antiinflamatória. Esse potencial se mostrou duas vezes maior que o encontrado no diclofenaco de sódio, um dos medicamentos mais utilizados no mercado. O estudo, realizado em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz, em Manguinhos, no Rio de Janeiro, teve seus resultados depositados para patente.
A autora do trabalho, Mônica Freiman de Souza Ramos, separou o óleo de copaíba em duas frações: volátil (líquida, com componentes que podem evaporar) e resinosa (com uma consistência um pouco mais fluída que o mel). "Não usamos a fração resinosa porque além de ser mais difícil de trabalhar, a composição da substância não indicava que ela pudesse ter ação antiinflamatória", afirma.
Os estudos foram concentrados nessa fração volátil, produto que sofre evaporação rápida, o que limita sua veiculação em formas farmacêuticas convencionais. Por isso, a pesquisadora desenvolveu microcápsulas (cápsulas microscópicas) que aprisionam essa fração volátil - limitando sua perda por evaporação - e a transformam em um produto sólido, capaz de ser administrado nesta forma ou em outras mais convencionais, como comprimidos e cápsulas.
A patente refere-se a todo esse processo, incluindo a descrição química da substância. Procura-se garantir que, caso o óleo da copaíba se transforme num produto farmacêutico, a patente seja em parte da FCFRP.
Mônica realizou testes biológicos em camundongos que sofriam de pleurisia induzida (inflamação da pleura, membrana que envolve os pulmões) e de edemas nas patas. Tanto a fração volátil como as microcápsulas foram eficazes no tratamento. "O produto microencapsulado poderá ser usado na indústria farmacêutica tanto como uma forma final (microcápsula) ou como intermediária em outras preparações", explica.
Diclofenaco x copaíba
O diclofenaco de sódio é um medicamento sintético de ação antiinflamatória comprovada. "No caso da copaíba, teremos um medicamento fitoterápico com a mesma ação de um sintético", esclarece. Nos testes, as doses usadas foram de 100 miligramas (mg/) por quilo (Kg) de diclofenaco e 32mg/Kg de fração volátil e de microcápsulas. O efeito antiinflamatório foi o mesmo: "A potência da copaíba se mostrou maior, porque com uma dose menor, obtivemos a mesma equivalência terapêutica", conta a pesquisadora.
Mas haverá um longo caminho até que a população possa usufruir deste antiinflamatório extraído da copaíba. Ainda são necessários testes toxicológicos e, em seguida, os testes clínico em humanos. A pesquisadora acredita que esse processo deve durar cerca de cinco anos.
As copaíbas são árvores nativas da região tropical da América Latina e da África Ocidental. No Brasil é encontrada na região Amazônica e no Centro-Oeste. O óleo bruto da árvore é exportado para a Europa, desde o início do século passado, para ser usado na indústria de aromas, vernizes e restauração de quadros. Na medicina popular, é empregada como cicatrizante e antiinflamatório.
A pesquisa de doutorado de Mônica, Desenvolvimento de Microcápsulas Contendo a Fração Volátil de Copaíba por Spray-Drying: Estudo de Estabilidade e Avaliação Farmacológica, foi apresentada em março deste ano e teve a orientação do professor Osvaldo de Freitas, da FCFRP.
Com informações do Serviço de Comunicação Social da Prefeitura do Campus Administrativo de Ribeirão Preto
Valéria Dias
Agência USP de Notícias
www.EcoDebate.com.br
"No caso da copaíba, teremos um medicamento fitoterápico com a mesma ação de um sintético"
Mais uma vez a Ciência comprovou a eficácia de uma planta largamente usada na medicina popular. Pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP constataram que o óleo de copaíba apresenta ação antiinflamatória. Esse potencial se mostrou duas vezes maior que o encontrado no diclofenaco de sódio, um dos medicamentos mais utilizados no mercado. O estudo, realizado em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz, em Manguinhos, no Rio de Janeiro, teve seus resultados depositados para patente.
A autora do trabalho, Mônica Freiman de Souza Ramos, separou o óleo de copaíba em duas frações: volátil (líquida, com componentes que podem evaporar) e resinosa (com uma consistência um pouco mais fluída que o mel). "Não usamos a fração resinosa porque além de ser mais difícil de trabalhar, a composição da substância não indicava que ela pudesse ter ação antiinflamatória", afirma.
Os estudos foram concentrados nessa fração volátil, produto que sofre evaporação rápida, o que limita sua veiculação em formas farmacêuticas convencionais. Por isso, a pesquisadora desenvolveu microcápsulas (cápsulas microscópicas) que aprisionam essa fração volátil - limitando sua perda por evaporação - e a transformam em um produto sólido, capaz de ser administrado nesta forma ou em outras mais convencionais, como comprimidos e cápsulas.
A patente refere-se a todo esse processo, incluindo a descrição química da substância. Procura-se garantir que, caso o óleo da copaíba se transforme num produto farmacêutico, a patente seja em parte da FCFRP.
Mônica realizou testes biológicos em camundongos que sofriam de pleurisia induzida (inflamação da pleura, membrana que envolve os pulmões) e de edemas nas patas. Tanto a fração volátil como as microcápsulas foram eficazes no tratamento. "O produto microencapsulado poderá ser usado na indústria farmacêutica tanto como uma forma final (microcápsula) ou como intermediária em outras preparações", explica.
Diclofenaco x copaíba
O diclofenaco de sódio é um medicamento sintético de ação antiinflamatória comprovada. "No caso da copaíba, teremos um medicamento fitoterápico com a mesma ação de um sintético", esclarece. Nos testes, as doses usadas foram de 100 miligramas (mg/) por quilo (Kg) de diclofenaco e 32mg/Kg de fração volátil e de microcápsulas. O efeito antiinflamatório foi o mesmo: "A potência da copaíba se mostrou maior, porque com uma dose menor, obtivemos a mesma equivalência terapêutica", conta a pesquisadora.
Mas haverá um longo caminho até que a população possa usufruir deste antiinflamatório extraído da copaíba. Ainda são necessários testes toxicológicos e, em seguida, os testes clínico em humanos. A pesquisadora acredita que esse processo deve durar cerca de cinco anos.
As copaíbas são árvores nativas da região tropical da América Latina e da África Ocidental. No Brasil é encontrada na região Amazônica e no Centro-Oeste. O óleo bruto da árvore é exportado para a Europa, desde o início do século passado, para ser usado na indústria de aromas, vernizes e restauração de quadros. Na medicina popular, é empregada como cicatrizante e antiinflamatório.
A pesquisa de doutorado de Mônica, Desenvolvimento de Microcápsulas Contendo a Fração Volátil de Copaíba por Spray-Drying: Estudo de Estabilidade e Avaliação Farmacológica, foi apresentada em março deste ano e teve a orientação do professor Osvaldo de Freitas, da FCFRP.
Com informações do Serviço de Comunicação Social da Prefeitura do Campus Administrativo de Ribeirão Preto
Valéria Dias
Agência USP de Notícias
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