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Notícias
24
jun
2006
(GERAL)
Brasil tem baixa participação no mercado internacional de móveis
Embora tenha grande disponibilidade de matérias primas, como madeira e couro, capacidade de design, produção industrial e mão-de-obra abundante, o Brasil tem participação de apenas 1% das vendas no mercado mundial de móveis. É partindo dessa perspectiva paradoxal que o diretor de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp, o economista Roberto Giannetti da Fonseca, vai conduzir a sua análise sobre o quadro internacional do setor moveleiro e a necessidade de posicionamento do Brasil frente às novas tendências internacionais.
O economista, que já foi o responsável pela Câmara Brasileira de Comércio Exterior na gestão FHC, integra o painel “Crise ou Mudança no Cenário: o móvel brasileiro na era do dólar desvalorizado” no Congresso Nacional Moveleiro, promovido pela Abimóvel (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário) e pelo Sebrae Nacional nos dias 28 e 29 de junho, durante a FIQ 2006 – Feira Internacional da Qualidade em Máquinas Matérias-Primas e Acessórios, realizada no Expoara, em Arapongas (Norte do Paraná).
Tendo em vista o potencial brasileiro, o país está longe de ter um bom desempenho nas vendas internacionais: mesmo tendo exportado U$ 991 milhões em móveis em 2005 e obtido um superávit de mais de U$ 800 milhões, isso representa uma pequena fatia do mercado mundial de móveis, que movimenta cerca de U$ 100 bilhões por ano em importações. Os principais importadores atualmente são os EUA, Alemanha, Reino Unido, França, Japão e Canadá, que juntos representam mais de 60% do mercado comprador.
“A grande novidade acontecida no mercado mundial de móveis, a partir de 2004, foi o surgimento da China como o maior exportador, superando a Itália, historicamente o maior vendedor de móveis, com participação girando em torno de 15% até então, seguida de Alemanha, Canadá, Polônia e México. As vendas da China são baseadas em grandes volumes, baixos custos de produção e pouca preocupação com qualidade ou inovação.”, analisa Giannetti da Fonseca.
O mercado brasileiro de móveis vem sentido a fundo as conseqüências não só da alta competitividade chinesa mas também da baixa do dólar, que está influindo nas demissões e cancelamento das exportações de algumas empresas. “É importante lembrar que a questão da taxa de câmbio é apenas um dos fatores conjunturais que afeta as pequenas empresas em seu desempenho comercial. Outros fatores internos como taxas de juros, carga tributária e logística inadequada são também especialmente nocivos para as empresas de menor porte.”
Diante do quadro de desafio, o economista defende a exploração de novos nichos e chama a atenção para as novas tendências nessa mudança no mercado internacional, que incluem o aumento da demanda por móveis de madeira de reflorestamento, ampliação do mercado SOHO (pequenos escritórios em casa), crescimento da população solteira e com capacidade de compra e renovação freqüente dos móveis nos mercados compradores - em especial por necessidade de adaptação a pequenos espaços e multifuncionalidade (ex.: grande aceitação de mesas extensíveis e unidades combináveis).
Além disso, outros pontos que devem ser considerados são as formações de parcerias internacionais, intensificando fornecimento local, e a valorização da origem do móvel e sua identificação regional, visando neutralizar o efeito China. Do ponto de vista de mercados específicos, existem ainda algumas recomendações, como a abordagem de diferentes mercados com diferentes estratégias. “A União Européia exige aprendizado e parceria; os EUA e México acenam com boa aceitação dos produtos em pinus e a uma outra possibilidade é o fornecimento para “private label” ou para composições, como a Itália e Alemanha, que re-exportaram volumes bastante consideráveis de outros móveis de madeira e partes (de assentos e de móveis), principalmente produzidos na China, Polônia, Indonésia e África do Sul.”, destaca o economista.
Tendências Internacionais
O novo estilo de vida da sociedade moderna passou a priorizar maior funcionalidade e conforto, tendência típica nos Estados Unidos e alguns países da Europa. Uma outra tendência é a de misturar diferentes materiais na confecção do móvel: o sofisticado design do móvel italiano, por exemplo, em geral mistura metais, madeira, vidro, pedra, couro, entre outros materiais, procurando distinguir seus produtos e perseguindo uma estratégia de diferenciação e exclusividade.
Por conta de cuidados com o meio-ambiente, móveis confeccionados de madeiras reflorestáveis, como o eucalipto e o pinus, são extremamente valorizados, e largamente utilizadas em países como Nova Zelândia, Austrália, Chile, entre outros, o que também acontece com muito destaque no Brasil. Na Malásia, Filipinas e Ceilão já começam a surgir móveis feitos de seringueira. Outros países vêm se especializando em segmentos do mercado ainda pouco explorados: é o caso de Taiwan, que tem forte presença no comércio internacional e vem desenvolvendo móveis em metal, com maior valor agregado, em pequenos volumes e grande diversidade de estilos.
Perfil Brasileiro
“Para o Brasil, é muito relevante o aumento da demanda internacional por móveis de madeira e a receptividade internacional para produtos com características brasileiras. As exigências de certificações de caráter ambiental e a própria norma ISO-14000 estão inibindo o mercado de móveis confeccionados com madeira de lei e estimulando o uso de madeira de reflorestamento, que parece ser uma tendência a ganhar força no mercado mundial e para a qual a indústria brasileira revela muito boas condições de competitividade.”, analisa Giannetti da Fonseca.
Isso porque hoje o país conta com mais de 3 milhões de hectares de florestas com o certificado FSC (Forest Stewardship Council), a mais importante garantia de origem de matéria-prima no mundo. Somente 62 países do mundo detêm este certificado, o que confere ao Brasil um lugar de destaque em relação ao respeito ao meio-ambiente, hoje de grande importância para o mundo desenvolvido e também levado em conta no mercado internacional.
Atualmente, do total de móveis exportados pelo Brasil, 38% tem como destino os Estados Unidos, 9% a França, 7% o Reino Unido, e 4% a Alemanha, 4% a Espanha e 4% a Argentina. “É muito importante, ainda, para as empresas brasileiras o investimento em tecnologias que aumentem a competitividade dos produtos e permitam produzir a tão necessária exclusividade, que vale como diferencial no mercado externo. Além disso, o investimento em técnicas de gestão contribui para que as empresas se modernizem, em adequação às exigências do mercado internacional.”, alerta o economista.
FIQ 2006
O economista, que já foi o responsável pela Câmara Brasileira de Comércio Exterior na gestão FHC, integra o painel “Crise ou Mudança no Cenário: o móvel brasileiro na era do dólar desvalorizado” no Congresso Nacional Moveleiro, promovido pela Abimóvel (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário) e pelo Sebrae Nacional nos dias 28 e 29 de junho, durante a FIQ 2006 – Feira Internacional da Qualidade em Máquinas Matérias-Primas e Acessórios, realizada no Expoara, em Arapongas (Norte do Paraná).
Tendo em vista o potencial brasileiro, o país está longe de ter um bom desempenho nas vendas internacionais: mesmo tendo exportado U$ 991 milhões em móveis em 2005 e obtido um superávit de mais de U$ 800 milhões, isso representa uma pequena fatia do mercado mundial de móveis, que movimenta cerca de U$ 100 bilhões por ano em importações. Os principais importadores atualmente são os EUA, Alemanha, Reino Unido, França, Japão e Canadá, que juntos representam mais de 60% do mercado comprador.
“A grande novidade acontecida no mercado mundial de móveis, a partir de 2004, foi o surgimento da China como o maior exportador, superando a Itália, historicamente o maior vendedor de móveis, com participação girando em torno de 15% até então, seguida de Alemanha, Canadá, Polônia e México. As vendas da China são baseadas em grandes volumes, baixos custos de produção e pouca preocupação com qualidade ou inovação.”, analisa Giannetti da Fonseca.
O mercado brasileiro de móveis vem sentido a fundo as conseqüências não só da alta competitividade chinesa mas também da baixa do dólar, que está influindo nas demissões e cancelamento das exportações de algumas empresas. “É importante lembrar que a questão da taxa de câmbio é apenas um dos fatores conjunturais que afeta as pequenas empresas em seu desempenho comercial. Outros fatores internos como taxas de juros, carga tributária e logística inadequada são também especialmente nocivos para as empresas de menor porte.”
Diante do quadro de desafio, o economista defende a exploração de novos nichos e chama a atenção para as novas tendências nessa mudança no mercado internacional, que incluem o aumento da demanda por móveis de madeira de reflorestamento, ampliação do mercado SOHO (pequenos escritórios em casa), crescimento da população solteira e com capacidade de compra e renovação freqüente dos móveis nos mercados compradores - em especial por necessidade de adaptação a pequenos espaços e multifuncionalidade (ex.: grande aceitação de mesas extensíveis e unidades combináveis).
Além disso, outros pontos que devem ser considerados são as formações de parcerias internacionais, intensificando fornecimento local, e a valorização da origem do móvel e sua identificação regional, visando neutralizar o efeito China. Do ponto de vista de mercados específicos, existem ainda algumas recomendações, como a abordagem de diferentes mercados com diferentes estratégias. “A União Européia exige aprendizado e parceria; os EUA e México acenam com boa aceitação dos produtos em pinus e a uma outra possibilidade é o fornecimento para “private label” ou para composições, como a Itália e Alemanha, que re-exportaram volumes bastante consideráveis de outros móveis de madeira e partes (de assentos e de móveis), principalmente produzidos na China, Polônia, Indonésia e África do Sul.”, destaca o economista.
Tendências Internacionais
O novo estilo de vida da sociedade moderna passou a priorizar maior funcionalidade e conforto, tendência típica nos Estados Unidos e alguns países da Europa. Uma outra tendência é a de misturar diferentes materiais na confecção do móvel: o sofisticado design do móvel italiano, por exemplo, em geral mistura metais, madeira, vidro, pedra, couro, entre outros materiais, procurando distinguir seus produtos e perseguindo uma estratégia de diferenciação e exclusividade.
Por conta de cuidados com o meio-ambiente, móveis confeccionados de madeiras reflorestáveis, como o eucalipto e o pinus, são extremamente valorizados, e largamente utilizadas em países como Nova Zelândia, Austrália, Chile, entre outros, o que também acontece com muito destaque no Brasil. Na Malásia, Filipinas e Ceilão já começam a surgir móveis feitos de seringueira. Outros países vêm se especializando em segmentos do mercado ainda pouco explorados: é o caso de Taiwan, que tem forte presença no comércio internacional e vem desenvolvendo móveis em metal, com maior valor agregado, em pequenos volumes e grande diversidade de estilos.
Perfil Brasileiro
“Para o Brasil, é muito relevante o aumento da demanda internacional por móveis de madeira e a receptividade internacional para produtos com características brasileiras. As exigências de certificações de caráter ambiental e a própria norma ISO-14000 estão inibindo o mercado de móveis confeccionados com madeira de lei e estimulando o uso de madeira de reflorestamento, que parece ser uma tendência a ganhar força no mercado mundial e para a qual a indústria brasileira revela muito boas condições de competitividade.”, analisa Giannetti da Fonseca.
Isso porque hoje o país conta com mais de 3 milhões de hectares de florestas com o certificado FSC (Forest Stewardship Council), a mais importante garantia de origem de matéria-prima no mundo. Somente 62 países do mundo detêm este certificado, o que confere ao Brasil um lugar de destaque em relação ao respeito ao meio-ambiente, hoje de grande importância para o mundo desenvolvido e também levado em conta no mercado internacional.
Atualmente, do total de móveis exportados pelo Brasil, 38% tem como destino os Estados Unidos, 9% a França, 7% o Reino Unido, e 4% a Alemanha, 4% a Espanha e 4% a Argentina. “É muito importante, ainda, para as empresas brasileiras o investimento em tecnologias que aumentem a competitividade dos produtos e permitam produzir a tão necessária exclusividade, que vale como diferencial no mercado externo. Além disso, o investimento em técnicas de gestão contribui para que as empresas se modernizem, em adequação às exigências do mercado internacional.”, alerta o economista.
FIQ 2006
Fonte:
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