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(GERAL)
Retirada de madeira com valor comercial passará a ser contabilizada por sistema desenvolvido pelo Inpe e Imazon
Está no forno o sistema que vai monitorar o corte seletivo da floresta amazônica, trabalho que madeireiros fazem para tirar só as árvores com valor comercial e que até hoje não foi contabilizado pelo governo federal.
O instrumento foi desenvolvido em parceria pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), órgão paulista responsável pelo cálculo anual do desmatamento na Amazônia, e o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), organização de pesquisa do Pará.
O Ministério do Meio Ambiente (MMA) promete R$ 1,4 milhão para colocar o projeto em prática, que depende agora do anúncio oficial. Por dois ou três meses, os dois institutos vão testar e calibrar o método e estimar uma margem de erro no Distrito Florestal da BR-163, rodovia que liga Cuiabá (MT) a Santarém (PA) e que sofre forte pressão de madeireiros, agricultores e grileiros.
O valor deve subir quando o sistema funcionar para valer. Os dados virão do satélite francês Spot, que custa caro: imagens com resolução de 10 metros custam 3,5 mil, e de 20 metros, 2,7 mil. "Uma estimativa inicial de monitoramento do arco de desmatamento (região que compreende o sul e o sudeste da Amazônia) é de R$ 5 milhões", calcula Dalton Valeriano, coordenador do programa Amazônia do Inpe.
A metodologia leva em consideração a área afetada e a intensidade do desmate, e se baseia em um trabalho do pesquisador Carlos Souza Jr., do Imazon.
Os sistemas atuais de monitoramento de desmatamento na Amazônia não são programados para perceber este tipo de corte. Ele não abre grandes clareiras na selva e mantém o dossel, visto pelo satélite de cima, quase intacto. O que se percebe visualmente é a rarefação da floresta. Com uma resolução de 30 metros, como as imagens do satélite Landsat (que está perto da aposentadoria), é possível observar pátios de manobra, clareiras abertas para o estoque das toras até o carregamento dos caminhões, quando são enviadas às serrarias.
Ao cálculo da vegetação, do solo exposto e da sombra, Souza Jr. Incluiu um quarto elemento, a biomassa não fotossintética, ou a matéria morta, que compõe a floresta amazônica.
Cada elemento fornece um sinal diferente para o satélite. "O sistema usa essas quatro proporções e cria um índice", explica Valeriano. Ele será comparado a um mapa do biênio 2004/2005, gerado com esta metodologia e as imagens do Landsat já disponíveis.
O ministério espera usar o sistema para monitorar concessões de exploração em florestas públicas e privadas.
Para o secretário de Biodiversidade e Florestas do MMA, João Paulo Capobianco, ele servirá como uma ferramenta de fiscalização nos moldes do Deter, outro sistema do Inpe que gera relatórios sobre desmatamento (corte raso) a cada duas semanas.
DEBATE
Inpe e ministério evitam incluir os dados do corte seletivo na contagem geral do desmatamento na Amazônia. "Isso não é conversão da floresta e pode ser predatório ou não", diz Capobianco. "Ele não pode ser contabilizado porque a maior parte da área se recupera", afirma Valeriano.
Porém o corte seletivo serve como a abertura de uma nova frente de exploração da floresta, uma vez que abre estradas por onde grileiros e produtores se movimentam na mata.
Em outubro do ano passado, o pesquisador americano Greg Asner, do Instituto Carnegie de Washington, publicou um estudo no qual sugere que esse tipo de atividade representaria um aumento de 60% a 123% da área desmatada na Amazônia entre 1999 e 2002. O Inpe e o Imazon contestaram a metodologia.
(www.ecodebate.com.br) Fonte - O Estado de S. Paulo - 14/06/2006
Cristina Amorim
O instrumento foi desenvolvido em parceria pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), órgão paulista responsável pelo cálculo anual do desmatamento na Amazônia, e o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), organização de pesquisa do Pará.
O Ministério do Meio Ambiente (MMA) promete R$ 1,4 milhão para colocar o projeto em prática, que depende agora do anúncio oficial. Por dois ou três meses, os dois institutos vão testar e calibrar o método e estimar uma margem de erro no Distrito Florestal da BR-163, rodovia que liga Cuiabá (MT) a Santarém (PA) e que sofre forte pressão de madeireiros, agricultores e grileiros.
O valor deve subir quando o sistema funcionar para valer. Os dados virão do satélite francês Spot, que custa caro: imagens com resolução de 10 metros custam 3,5 mil, e de 20 metros, 2,7 mil. "Uma estimativa inicial de monitoramento do arco de desmatamento (região que compreende o sul e o sudeste da Amazônia) é de R$ 5 milhões", calcula Dalton Valeriano, coordenador do programa Amazônia do Inpe.
A metodologia leva em consideração a área afetada e a intensidade do desmate, e se baseia em um trabalho do pesquisador Carlos Souza Jr., do Imazon.
Os sistemas atuais de monitoramento de desmatamento na Amazônia não são programados para perceber este tipo de corte. Ele não abre grandes clareiras na selva e mantém o dossel, visto pelo satélite de cima, quase intacto. O que se percebe visualmente é a rarefação da floresta. Com uma resolução de 30 metros, como as imagens do satélite Landsat (que está perto da aposentadoria), é possível observar pátios de manobra, clareiras abertas para o estoque das toras até o carregamento dos caminhões, quando são enviadas às serrarias.
Ao cálculo da vegetação, do solo exposto e da sombra, Souza Jr. Incluiu um quarto elemento, a biomassa não fotossintética, ou a matéria morta, que compõe a floresta amazônica.
Cada elemento fornece um sinal diferente para o satélite. "O sistema usa essas quatro proporções e cria um índice", explica Valeriano. Ele será comparado a um mapa do biênio 2004/2005, gerado com esta metodologia e as imagens do Landsat já disponíveis.
O ministério espera usar o sistema para monitorar concessões de exploração em florestas públicas e privadas.
Para o secretário de Biodiversidade e Florestas do MMA, João Paulo Capobianco, ele servirá como uma ferramenta de fiscalização nos moldes do Deter, outro sistema do Inpe que gera relatórios sobre desmatamento (corte raso) a cada duas semanas.
DEBATE
Inpe e ministério evitam incluir os dados do corte seletivo na contagem geral do desmatamento na Amazônia. "Isso não é conversão da floresta e pode ser predatório ou não", diz Capobianco. "Ele não pode ser contabilizado porque a maior parte da área se recupera", afirma Valeriano.
Porém o corte seletivo serve como a abertura de uma nova frente de exploração da floresta, uma vez que abre estradas por onde grileiros e produtores se movimentam na mata.
Em outubro do ano passado, o pesquisador americano Greg Asner, do Instituto Carnegie de Washington, publicou um estudo no qual sugere que esse tipo de atividade representaria um aumento de 60% a 123% da área desmatada na Amazônia entre 1999 e 2002. O Inpe e o Imazon contestaram a metodologia.
(www.ecodebate.com.br) Fonte - O Estado de S. Paulo - 14/06/2006
Cristina Amorim
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