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(GERAL)
Sustentabilidade pode reverter caos na Amazônia
Por Alexandra Duarte* - Até dois terços da destruição projetada pelo SimAmazonia podem ser evitados, no Brasil, se houver uma ação decidida do governo e da sociedade
O SimAmazonia, estudo que apresenta a mais completa e detalhada simulação por computador já feita sobre o futuro da Amazônia projetou que a maior floresta tropical do planeta estará reduzida no ano 2050 a pouco mais que a metade de sua área original pelo corte raso. O estudo aponta que restarão somente 3,2 milhões de km² de floresta amazônica, dos 5,4 milhões de km² ainda existentes em nove países na passagem do século XX para o XXI. Mas, mesmo assim, muita coisa ainda pode ser feita, indica o trabalho, para cortar pela metade essa destruição anunciada principalmente devido a expansão da fronteira agrícola e pecuária.
O controle do desmatamento e a aplicação de métodos de sustentabilidade devem ser aplicados o quanto antes. Caso contrário, a destruição e fragmentação de hábitats colocará em risco a sobrevivência de quase uma centena de mamíferos, além do agravamento do aquecimento global e suas conseqüências.
A boa notícia é que a floresta amazônica ainda poderá chegar à segunda metade do século XXI com 4,5 milhões de km² de floresta em pé. Para chegar a uma conclusão como essa, os programas que compõem o software do SimAmazonia foram equipados com dispositivos que permitem modular e simular o comportamento de uma série de variáveis, isoladamente, inclusive o efeito de políticas públicas – ou da falta delas, ou ainda de sua implementação apenas parcial. Foi assim que o grupo gerou dois cenários extremos, o “mesmo de sempre” (business-as-usual, ou BAU, do qual saíram as previsões acima) e outro de “governança” (governance).
Cenário otimista
No cenário “governança”, os programas de simulação partem das mesmas taxas médias de desmatamento, mas projetam sua desaceleração ao longo do tempo, como resultado de uma progressiva implementação de políticas públicas na Amazônia.
O aspecto mais importante a é o enorme potencial para redução do impacto das tendências atuais de desmatamento na Amazônia. Até dois terços da destruição projetada pelo SimAmazonia no cenário “mesmo de sempre” podem ser evitados, no Brasil, se houver uma ação decidida das esferas governamentais (federal e estadual, sobretudo).
Fruto de um projeto iniciado há quase oito anos pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), de Belém do Pará, e pelo Woods Hole Research Institute (WHRC), dos Estados Unidos, o estudo teve como principais autores Britaldo Silveira Soares-Filho, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e Daniel Curtis Nepstad (WHRC/IPAM e Universidade Federal do Pará).
Soluções preventivas
A certificação sócio-ambiental de produtos como carne bovina, soja e madeiras tropicais pode capturar alguns incentivos de mercado para o manejo adequado do solo amazônico. Países desenvolvidos devem estar dispostos a pagar para tornar a “governança” na fronteira politicamente possível.
Parte desse financiamento pode ser fornecido por meio da venda de créditos de carbono derivados da economia de emissões de carbono em uma convenção de mudança climática modificada”, afirma o artigo na Nature. “O decréscimo potencial nas emissões de carbono da Amazônia, dentro do cenário de governança, é mais que oito vezes o decréscimo mundial nas emissões de gases-estufa que será obtido durante o primeiro período de compensação do Protocolo de Kyoto.”
Entre outras formas de arrecadar fundos para promover os projetos ambientais está o eco turismo, que surge como uma das alternativas de desenvolvimento sustentável para a Amazônia. Pois, se bem planejado, é capaz de minimizar os impactos ambientais, além de apresentar um potencial multiplicador significativo, em termos de geração de emprego e renda.
Este é o momento para a sociedade e o governo colocarem em prática as décadas de debates com o intuito de gerar soluções eficientes para evitar o caos apocalíptico na Amazônia. Os mecanismos existem e são do interesse de todos, mas, o tempo para a implantação deles é curto e requer iniciativas imediatas.
*Alexandra Duarte é jornalista e redatora da Revista da Madeira
O SimAmazonia, estudo que apresenta a mais completa e detalhada simulação por computador já feita sobre o futuro da Amazônia projetou que a maior floresta tropical do planeta estará reduzida no ano 2050 a pouco mais que a metade de sua área original pelo corte raso. O estudo aponta que restarão somente 3,2 milhões de km² de floresta amazônica, dos 5,4 milhões de km² ainda existentes em nove países na passagem do século XX para o XXI. Mas, mesmo assim, muita coisa ainda pode ser feita, indica o trabalho, para cortar pela metade essa destruição anunciada principalmente devido a expansão da fronteira agrícola e pecuária.
O controle do desmatamento e a aplicação de métodos de sustentabilidade devem ser aplicados o quanto antes. Caso contrário, a destruição e fragmentação de hábitats colocará em risco a sobrevivência de quase uma centena de mamíferos, além do agravamento do aquecimento global e suas conseqüências.
A boa notícia é que a floresta amazônica ainda poderá chegar à segunda metade do século XXI com 4,5 milhões de km² de floresta em pé. Para chegar a uma conclusão como essa, os programas que compõem o software do SimAmazonia foram equipados com dispositivos que permitem modular e simular o comportamento de uma série de variáveis, isoladamente, inclusive o efeito de políticas públicas – ou da falta delas, ou ainda de sua implementação apenas parcial. Foi assim que o grupo gerou dois cenários extremos, o “mesmo de sempre” (business-as-usual, ou BAU, do qual saíram as previsões acima) e outro de “governança” (governance).
Cenário otimista
No cenário “governança”, os programas de simulação partem das mesmas taxas médias de desmatamento, mas projetam sua desaceleração ao longo do tempo, como resultado de uma progressiva implementação de políticas públicas na Amazônia.
O aspecto mais importante a é o enorme potencial para redução do impacto das tendências atuais de desmatamento na Amazônia. Até dois terços da destruição projetada pelo SimAmazonia no cenário “mesmo de sempre” podem ser evitados, no Brasil, se houver uma ação decidida das esferas governamentais (federal e estadual, sobretudo).
Fruto de um projeto iniciado há quase oito anos pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), de Belém do Pará, e pelo Woods Hole Research Institute (WHRC), dos Estados Unidos, o estudo teve como principais autores Britaldo Silveira Soares-Filho, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e Daniel Curtis Nepstad (WHRC/IPAM e Universidade Federal do Pará).
Soluções preventivas
A certificação sócio-ambiental de produtos como carne bovina, soja e madeiras tropicais pode capturar alguns incentivos de mercado para o manejo adequado do solo amazônico. Países desenvolvidos devem estar dispostos a pagar para tornar a “governança” na fronteira politicamente possível.
Parte desse financiamento pode ser fornecido por meio da venda de créditos de carbono derivados da economia de emissões de carbono em uma convenção de mudança climática modificada”, afirma o artigo na Nature. “O decréscimo potencial nas emissões de carbono da Amazônia, dentro do cenário de governança, é mais que oito vezes o decréscimo mundial nas emissões de gases-estufa que será obtido durante o primeiro período de compensação do Protocolo de Kyoto.”
Entre outras formas de arrecadar fundos para promover os projetos ambientais está o eco turismo, que surge como uma das alternativas de desenvolvimento sustentável para a Amazônia. Pois, se bem planejado, é capaz de minimizar os impactos ambientais, além de apresentar um potencial multiplicador significativo, em termos de geração de emprego e renda.
Este é o momento para a sociedade e o governo colocarem em prática as décadas de debates com o intuito de gerar soluções eficientes para evitar o caos apocalíptico na Amazônia. Os mecanismos existem e são do interesse de todos, mas, o tempo para a implantação deles é curto e requer iniciativas imediatas.
*Alexandra Duarte é jornalista e redatora da Revista da Madeira
Fonte:
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