Notícias
Embarques somam US$ 471,9 milhões entre janeiro e agosto; queda de 39,9% nas vendas aos Estados Unidos pressiona resultado, enquanto demais destinos avançam cerca de 5,5%
As exportações brasileiras de móveis e colchões mantiveram trajetória de retração em agosto, em um momento no qual a indústria começa a sentir de forma mais direta um ambiente internacional marcado por novas barreiras comerciais, menor previsibilidade e a importância crescente de estratégias de diversificação de mercados.
No mês, os embarques somaram US$ 60,2 milhões, queda de 2,9% em relação a julho. O resultado sucede outro recuo mensal: em julho, as exportações haviam alcançado US$ 61,9 milhões, 4,6% abaixo do mês anterior.
Apesar da sequência negativa na comparação mensal, o acumulado apresentou uma ligeira melhora relativa. Entre janeiro e julho, as exportações estavam 7,5% abaixo do mesmo período de 2025. Com a incorporação de agosto, a retração passou para 6,7%, com US$ 471,9 milhões exportados entre janeiro e agosto de 2026, ante US$ 506,0 milhões um ano antes. Em 12 meses, a queda acumulada é de 6,9%.
Os dados constam da Conjuntura de Móveis – Edição Setembro 2026, elaborada pelo IEMI – Inteligência de Mercado com exclusividade para a ABIMÓVEL (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário).
Estados Unidos concentram a maior parte da retração
O resultado agregado, contudo, não significa uma perda generalizada de espaço do mobiliário brasileiro no exterior.
A principal pressão permanece concentrada nos Estados Unidos, historicamente o maior destino das exportações brasileiras de móveis e colchões. Entre janeiro e agosto, os embarques para o país recuaram de US$ 136,0 milhões para US$ 81,7 milhões, queda de 39,9%.
Com isso, a participação americana nas exportações brasileiras do setor diminuiu de 26,9% para 17,3% em apenas um ano.
A dimensão desse movimento aparece com ainda mais clareza quando os Estados Unidos são retirados da conta. Excluído o mercado estadunidense, as exportações brasileiras de móveis e colchões cresceram aproximadamente 5,5% entre janeiro e agosto.
Enquanto o setor perdeu cerca de US$ 54,3 milhões em vendas aos Estados Unidos, os demais mercados, em conjunto, ampliaram as compras do produto brasileiro e compensaram parte importante dessa retração, mas não o suficiente para revertê-la.
Destino das Exportações
(acumulado do ano)
Dentre os principais mercados externos consumidores de móveis e colchões brasileiros, no acumulado do ano, de janeiro a agosto de 2026, destacaram-se as participações de Estados Unidos (17,3%), Uruguai (13,1%) e Argentina (7,7%).
Agosto inaugura uma nova fase de observação
Os números de agosto também merecem atenção pelo momento em que foram registrados. As exportações para os Estados Unidos já vinham diminuindo antes das novas medidas comerciais anunciadas pelo governo Trump no final de julho. Portanto, a queda acumulada de 39,9% não pode ser atribuída exclusivamente às sobretaxas recentes.
Agosto, porém, representa o primeiro mês completo após a entrada dessas novas condições comerciais. Diferentes categorias de móveis brasileiros passaram a enfrentar tarifas adicionais que podem chegar a 37,5% sobre as alíquotas ordinárias de importação, aumentando o custo de entrada dos produtos e interferindo nas negociações entre fabricantes brasileiros, importadores, distribuidores e varejistas norte-americanos.
Os próximos meses serão determinantes para avaliar em que medida essas novas tarifas poderão intensificar uma retração que já estava em curso, influenciando pedidos, volumes, preços, margens e decisões comerciais para 2027.
América Latina amplia participação
Enquanto o principal mercado brasileiro perde peso, os números mostram uma expansão relevante em diferentes países latino-americanos.
Entre os dez principais destinos das exportações brasileiras de móveis e colchões entre janeiro e agosto, oito são latino-americanos: Uruguai, Argentina, Chile, Peru, Paraguai, México, Colômbia e Bolívia.
Juntos, esses mercados receberam aproximadamente US$ 228,8 milhões em produtos brasileiros no período, frente a cerca de US$ 196,2 milhões nos oito primeiros meses de 2025. Avanço de aproximadamente 16,6%.
A região já responde, portanto, por quase metade das exportações brasileiras de móveis e colchões.
Europa também é estratégica para diversificação
A União Europeia representa um mercado estratégico para a diversificação das exportações brasileiras de móveis, tanto pelo potencial de consumo quanto pelas perspectivas de ampliação das relações comerciais com o Acordo Mercosul–União Europeia.
Na última semana, Cândida Cervieri, Diretora-Executiva da ABIMÓVEL, esteve em Bruxelas, na Bélgica, representando a entidade em missão empresarial coordenada pela ApexBrasil, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE).
A missão reuniu 19 entidades empresariais de oito setores produtivos para discutir oportunidades de acesso ao mercado europeu, parcerias comerciais, investimentos e barreiras regulatórias. A agenda contou também com a participação de representantes dos Setores de Promoção Comercial (SECOMs) das embaixadas brasileiras com atuação na União Europeia, ampliando o diálogo sobre oportunidades e estratégias de inserção no mercado europeu.
A presença da ABIMÓVEL reafirma o compromisso da entidade com a representação dos interesses da indústria brasileira do mobiliário e com a articulação institucional voltada à ampliação de oportunidades para o setor no exterior.
A diversificação de mercados exige uma atuação estratégica, orientada à construção de parcerias, à ampliação dos canais de distribuição e à redução de riscos comerciais. Nesse contexto, o diálogo entre entidades representativas, instituições públicas e interlocutores internacionais é fundamental para fortalecer a competitividade e ampliar a presença do mobiliário brasileiro no cenário global.
Suprimentos avançam mesmo com recuo nos Estados Unidos
A dinâmica é diferente quando a análise se amplia para componentes, fornecedores e máquinas ligados à cadeia moveleira.
As exportações desse grupo somaram US$ 2,38 bilhões entre janeiro e agosto, crescimento de aproximadamente 5,2% frente aos US$ 2,26 bilhões registrados no mesmo período de 2025.
Os Estados Unidos também permanecem como principal destino, mas suas compras recuaram 8,6%, de US$ 862,3 milhões para US$ 787,7 milhões. A participação americana caiu de 38,1% para 33,1%.
Nesse segmento, entretanto, o avanço dos demais mercados foi suficiente para mais do que compensar a redução. Sem os Estados Unidos, as exportações de suprimentos, componentes e máquinas cresceram cerca de 13,8%.
A Argentina alcançou US$ 309,5 milhões em compras, crescimento de 7,3%. O México avançou 27,6%; o Paraguai, 21,0%; e a Colômbia, 36,6%.
Também chama atenção Singapura, cujas compras passaram de US$ 8,3 milhões para aproximadamente US$ 95,0 milhões. Pela magnitude da variação, a evolução desse fluxo deverá ser acompanhada nas próximas edições para verificar sua continuidade, especialmente diante da entrada em vigor do Acordo Mercosul-Singapura.
Destino das Exportações
(acumulado do ano)
Dentre os principais mercados externos consumidores de componentes, fornecedores e máquinas brasileiras, entre janeiro e agosto de 2026, destacaram-se as participações de Estados Unidos (33,1%), Argentina (13,0%) e México (5,1%).
A íntegra da Conjuntura de Móveis – Setembro/2026 está disponível no acervo digital da ABIMÓVEL: abimovel.com/acervo-digital
MÓVEIS: O NOSSO NEGÓCIO!
Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (ABIMÓVEL)
Assessoria de Imprensa — press@abimovel.com | 14.99156-0238
Fonte: Abimóvel
Notícias em destaque














