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24
out
2026
(MEIO AMBIENTE)
Brasil pode movimentar até US$ 26 bilhões por ano com atividades ligadas à restauração florestal

As empresas dos diversos segmentos, representadas pela Ibá, têm sob sua gestão cerca de 57 mil hectares em processo de recuperação O Brasil reúne condições únicas para assumir uma posição de liderança na economia verde global, transformando a restauração e a silvicultura de espécies nativas em novos vetores de desenvolvimento econômico, climático e socioambiental. Nos últimos anos, o país consolidou modelos produtivos mais maduros, com capacidade técnica e operacional para gerar empregos, atrair investimentos, remover carbono da atmosfera, conservar a biodiversidade e promover impactos positivos nos territórios onde os projetos são implantados.

As empresas dos diversos segmentos industriais e as empresas de projetos de crédito de carbono representadas pela Ibá atuaram ativamente na restauração florestal, tendo sob sua gestão cerca de 57,5 mil hectares em processo de recuperação. Durante os últimos cinco anos, mais de 18,5 milhões de espécies nativas foram plantadas para esse fim. Esse resultado reforça a evolução da restauração florestal — atividade representada pela Ibá desde 2024 — como uma indústria nascente no Brasil, apoiada em modelos de negócio que integram restauração, silvicultura de espécies nativas, venda de produtos madeireiros e não madeireiros, créditos de carbono de alta integridade e o desenvolvimento de cadeias produtivas regionais. 46 TTG Brasil

Estudos indicam que essa oportunidade é expressiva: segundo estudo da McKinsey2, o Brasil pode movimentar até US$ 26 bilhões por ano com atividades ligadas à restauração florestal e ao mercado de carbono, com potencial de geração de aproximadamente 880 mil empregos. Ao mesmo tempo, o crescimento da demanda global por produtos florestais de baixo carbono reforça o potencial da silvicultura de espécies nativas como alternativa sustentável para ampliar a oferta de madeira tropical legal, rastreável e livre de desmatamento.

Apesar dos avanços técnicos, o principal desafio para a expansão do setor continua sendo o acesso a financiamento de longo prazo. O país já conta com metodologias consolidadas, cadeias de sementes e mudas em expansão, sistemas modernos de monitoramento e mão de obra cada vez mais qualificada. No entanto, a ausência de instrumentos financeiros plenamente adequados ao perfil de risco, ao longo ciclo de maturação dos projetos e às exigências de garantias ainda limita a entrada de novos investidores e reduz a velocidade de crescimento desse mercado. Nesse contexto, investimentos recentes demonstram o valor das parcerias público-privadas para acelerar a agenda de restauração e de silvicultura de espécies nativas.

Em 2025, operações apoiadas pelo BNDES e pelo Fundo Clima passaram a desempenhar um papel estratégico na estruturação desse novo mercado, evidenciando que a restauração florestal deixou de ser apenas uma pauta ambiental e passou a ser reconhecida como infraestrutura verde, ativo climático e oportunidade econômica. Esses aportes inauguram um novo capítulo na restauração florestal e na silvicultura de espécies nativas no Brasil. A atuação estratégica do BNDES e do Fundo Clima demonstra que a agenda de sustentabilidade e a atratividade econômica podem avançar juntas. Instrumentos como cartas-fiança, fundos garantidores, seguros, contratos de compra futura de créditos de carbono e estruturas híbridas de capital serão fundamentais para ampliar a escala dos projetos.

Além do financiamento, o fortalecimento dessa nova economia depende de um ambiente regulatório mais favorável, com segurança jurídica, incentivos fiscais (Sudam e Sudene), acesso aos mercados internacionais de carbono e mecanismos que ampliem a demanda por produtos e serviços ambientais de origem sustentável. A previsibilidade da demanda por créditos de carbono é um tema central, especialmente diante da conexão com mercados regulados  e da implementação do Artigo 6 do Acordo de Paris, incluindo autorizações para transferências internacionais de resultados de mitigação. A questão fundiária também permanece como um dos principais gargalos estruturais do país, podendo gerar insegurança jurídica e desafios para a implantação de projetos em larga escala. Nesse contexto, as concessões florestais para restauração representam uma alternativa relevante, ao permitir que empresas privadas recuperem áreas públicas degradadas e, em contrapartida, comercializem créditos de carbono e outros ativos ambientais, sem que haja disputa pela posse da terra.

Outro desafio estratégico é ampliar a pesquisa, o desenvolvimento e a inovação. A restauração em larga escala e a silvicultura de espécies nativas demandam conhecimento técnico sobre sementes, mudas, genética, manejo, produtividade, monitoramento, permanência de carbono, biodiversidade e adaptação climática. Nesse cenário, a experiência acumulada pelo setor de árvores cultivadas é fundamental para iluminar caminhos, reduzir riscos e acelerar a consolidação dessa indústria emergente.

Os impactos dessa agenda vão além do cenário ambiental. A restauração florestal fortalece viveiros, impulsiona cadeias produtivas regionais, cria oportunidades para comunidades tradicionais, jovens e mulheres, melhora a segurança hídrica e alimentar e estimula a inovação nos territórios. Cada hectare restaurado representa também geração de renda, qualificação profissional e desenvolvimento local, consolidando um novo modelo de negócios de soluções baseadas na natureza.

Com sua vasta biodiversidade, experiência, capacidade empresarial e vocação florestal, o Brasil tem condições de se tornar referência mundial em restauração e em silvicultura de espécies nativas. Para isso, será fundamental ampliar a cooperação entre governo, setor privado, academia, comunidades e sociedade civil, transformando a restauração e a produção florestal com espécies nativas em uma agenda estratégica de desenvolvimento econômico, competitividade e protagonismo climático nos cenários nacional e internacional.

Fonte: IBÁ 2026 RELATÓRIO ANUAL

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