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Notícias

21
out
2026
(SILVICULTURA)
A área de árvores cultivadas para fins industriais no Brasil alcançou 10,73 milhões de hectares

A área de árvores cultivadas para fins industriais no Brasil manteve trajetória de expansão em 2025, alcançando 10,73 milhões de hectares, com base em dados de sensoriamento remoto obtidos a partir de imagens de satélite da Canopy Remote Sensing Solutions. O resultado representa um crescimento de 2% em relação aos 10,52 milhões de hectares em 2024, acompanhando o ciclo de investimentos do setor e a demanda crescente por produtos de base renovável.

Essa expansão tem acontecido principalmente em áreas previamente antropizadas, muitas delas pastagens de baixa produtividade, transformadas em cobertura florestal produtiva. O Atlas da Pastagem, desenvolvido pela Universidade Federal de Goiás1, indica que há no Brasil mais de 100 milhões de hectares de terra com algum nível de degradação, com potencial para serem restaurados ou convertidos em sistemas produtivos sustentáveis de alimentos, grãos, fibras e energia. Ao substituir áreas degradadas, os plantios de eucalipto, pinus e outras espécies promovem sequestro de carbono e provisão de serviços ecossistêmicos, como a proteção do solo, a regulação do fluxo hídrico e a proteção da biodiversidade.

Este é um setor que, faça chuva ou faça sol, planta, colhe e replanta. Por dia, são plantadas 2,2 milhões de mudas para fins industriais.

Os estados com as maiores áreas plantadas de árvores para fins comerciais são Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná e Santa Catarina (Figura 34). Em 2025, alguns estados apresentaram pequenas retrações na área plantada, enquanto o Mato Grosso do Sul manteve-se como principal vetor de expansão da atividade, com aumento da ordem de 222 mil hectares, confirmando o potencial de novas fronteiras florestais no país.

A cultura do eucalipto manteve-se como o principal pilar da silvicultura brasileira em 2025, com área estimada em 8,3 milhões de hectares. A espécie é central para o abastecimento das cadeias de celulose, papel, painéis, bioenergia e outros produtos de base florestal renovável. A distribuição regional dos plantios mostra a presença consolidada do eucalipto no Sudeste, com aproximadamente 3,5 milhões de hectares (Figura 35), e o avanço para o Centro-Oeste, com cerca de 2 milhões de hectares, impulsionado pela instalação e expansão de grandes e novas fábricas. A Região Sul soma 1,4 milhão de hectares de área plantada

No recorte estadual, Minas Gerais permanece como o principal produtor nacional de eucalipto, com 2,2 milhões de hectares, correspondentes a cerca de 27% da área total do país. Essa posição está associada à longa tradição do estado nas cadeias de carvão vegetal, celulose e produtos siderúrgicos. Na segunda colocação, está o Mato Grosso do Sul, que alcançou 1,7 milhão de hectares, representando 21% dos plantios de eucalipto no Brasil e consolidando-se como o principal eixo recente de expansão da silvicultura nacional. Apenas entre 2024 e 2025, o estado registrou crescimento de 14,65%.

O crescimento do Mato Grosso do Sul vem sendo impulsionado por políticas estaduais sólidas para o setor e por grandes empreendimentos industriais já instalados, em implantação ou anunciados. Esse movimento gera efeitos sobre a economia regional, em emprego e renda, e também sinaliza novas oportunidades para estados vizinhos, como Mato Grosso e Goiás, por reunirem condições edafoclimáticas favoráveis e disponibilidade de áreas antropizadas. Goiás já vem se preparando para esse novo ciclo com o Plano de Desenvolvimento Florestal Sustentável, voltado à atração de investimentos, à ampliação dos plantios e ao fortalecimento da cadeia florestal estadual. 12% 42%

O Mato Grosso, por sua vez, apresentou crescimento de 23,7 mil hectares de eucalipto em 2025, alcançando um total aproximado de 169 mil hectares plantados. Assim como Goiás, Mato Grosso também lançou este ano o Plano de Desenvolvimento Florestal e Biomassa, que foi acompanhado da celebração de um Termo de Compromisso Ambiental (TCA) entre o Governo do Estado e o Ministério Público Estadual, estabelecendo a expansão de 700 mil hectares de florestas plantadas até 2040, além da implantação de mecanismos de rastreabilidade da biomassa, do aperfeiçoamento dos Planos de Suprimento Sustentável (PSS) e de incentivos ao reflorestamento em detrimento do uso de vegetação nativa para fins energéticos.

Os plantios de pinus, que possuem um ciclo produtivo de 14 anos, em média, totalizaram 1,9 milhão de hectares no Brasil em 2025, praticamente estáveis em relação ao ano anterior. A cultura tem distribuição concentrada na Região Sul, que reúne aproximadamente 89% da área total, o equivalente a 1,67 milhão de hectares e possui presença histórica de cadeias industriais associadas a essa matéria-prima, como os segmentos de painéis, serraria e papel. A Região Sudeste responde por cerca de 10% da área nacional, ou 190 mil hectares, dos quais 155 mil hectares estão em São Paulo

As outras espécies florestais cultivadas mantiveram, em 2025, uma área próxima de 500 mil hectares no Brasil (Figura 37). Ainda que representem parcela menor quando comparadas ao eucalipto e ao pinus, essas espécies desempenham papel relevante em nichos específicos de mercado, tanto industriais quanto agroflorestais.

A Hevea brasiliensis (seringueira), que produz borracha natural, permanece como a principal cultura desse grupo, com cerca de 248 mil hectares plantados, sendo a única espécie a registrar expansão no período. A Tectona grandis (teca) e a Acacia spp. (acácia) tiveram pequena diminuição de área

Fonte: IBÀ RELATÓRIO SETORIAL 2026

Sindimadeira_rs ITTO