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13
out
2026
(TECNOLOGIA)
Gesso agrícola eleva volume inicial de eucalipto em até 65 por cento em experimento em Minas Gerais

Estudo em Carbonita mostra resposta ao manejo do perfil do solo aos 12 meses; análise técnica é essencial para definir a necessidade do insumo em cada área

O manejo do perfil do solo pode influenciar o desenvolvimento inicial e a eficiência das florestas plantadas. Em um experimento com eucalipto realizado em Carbonita (MG), a aplicação de gesso agrícola em área total proporcionou volume de madeira 65% superior ao tratamento sem o insumo, aos 12 meses. Na aplicação em faixa sobre a linha de plantio, o ganho foi de 37%.

Os resultados foram obtidos em uma área que já havia recebido 3 toneladas de calcário por hectare. O estudo indica que, nas condições avaliadas, o manejo complementar das camadas subsuperficiais favoreceu o crescimento das árvores mesmo após a calagem.

Segundo Maurício Komori, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento de Mercado da Agronelli Soluções e especialista em Fertilidade do Solo e Nutrição de Plantas, a resposta deve ser interpretada dentro das características do experimento. Para ele, os dados reforçam a importância de avaliar o ambiente radicular desde a implantação da floresta.

Aplicação em área total apresentou maior volume de madeira

O experimento comparou duas formas de aplicação do gesso agrícola — em faixa sobre a linha de plantio e em área total — com um tratamento sem aplicação.

Aos 12 meses, o volume registrado foi de 11,7 m³ por hectare no tratamento sem gesso. Com aplicação em faixa, alcançou 16,06 m³ por hectare, enquanto o uso em área total resultou em 19,25 m³ por hectare.

Também foram identificadas diferenças estatísticas entre os tratamentos na circunferência e no diâmetro à altura do peito, parâmetros utilizados para acompanhar o crescimento das árvores.

Komori destaca que a correção prévia com calcário é um aspecto relevante para compreender os resultados.

“Isso mostra que, mesmo após a calagem, ainda podem existir limitações no perfil do solo que restringem o desenvolvimento das raízes. Quando essas limitações são corrigidas, o potencial de resposta das árvores pode ser bastante expressivo”, afirma.

Condições do solo na implantação repercutem durante anos

Diferentemente das culturas anuais, a produção florestal exige decisões que podem acompanhar a área por vários anos. Restrições ao crescimento das raízes no início do ciclo podem limitar o acesso à água e aos nutrientes durante o desenvolvimento das árvores.

“Na agricultura anual, o produtor tem uma nova oportunidade de ajustar o manejo a cada safra. Na silvicultura, a árvore permanecerá vários anos naquela área”, explica Komori.

Por isso, a avaliação precisa considerar também as camadas mais profundas. Segundo o especialista, baixos teores de cálcio e condições limitantes de alumínio podem dificultar a exploração do perfil pelas raízes, reduzindo o acesso a recursos importantes nos períodos de maior estresse.

O gesso agrícola é uma das ferramentas empregadas nesse manejo por fornecer cálcio e enxofre e favorecer o ambiente químico em camadas subsuperficiais. A necessidade de aplicação e a dose, entretanto, devem ser definidas com base em análise de solo e recomendação técnica.

Crescimento inicial pode contribuir para antecipar metas de produção

Na avaliação de Komori, melhorar as condições para o desenvolvimento radicular pode ampliar a eficiência no aproveitamento de água, nutrientes e insumos ao longo do ciclo.

O especialista também aponta a possibilidade de a floresta atingir mais rapidamente o volume de madeira desejado, contribuindo para antecipar o retorno do investimento. Essa perspectiva, porém, depende das condições da área e do desempenho das árvores durante o ciclo produtivo; os resultados apresentados no experimento correspondem à avaliação aos 12 meses.

Para a produção comercial, o planejamento deve relacionar crescimento, uniformidade e uso eficiente dos recursos ao objetivo econômico da floresta.

Brasil tem 8,1 milhões de hectares de eucalipto

A relevância do manejo ganha dimensão diante da escala da silvicultura nacional. Segundo dados da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), o Brasil possui 10,5 milhões de hectares de árvores plantadas, dos quais 8,1 milhões são ocupados por eucalipto.

Em 2024, a produtividade média nacional da cultura foi de 34,4 m³ por hectare ao ano, com resultados estaduais entre 20 e 41,3 m³ por hectare ao ano. A idade média considerada nesse cálculo foi de 6,8 anos.

A demanda industrial também reforça a importância da eficiência produtiva. Conforme a Ibá, a produção brasileira de celulose atingiu 29,4 milhões de toneladas em 2025, recorde e crescimento de 6,9% sobre o ano anterior.

Para Komori, identificar e corrigir limitações do solo antes ou no início do plantio integra a proteção do investimento florestal.

“Na silvicultura comercial, construir um bom perfil de solo é também uma forma de proteger o potencial produtivo daquele investimento”, conclui.

https://www.portaldoagronegocio.com.br/florestal/culturas-florestais/noticias/gesso-agricola-eleva-volume-inicial-de-eucalipto-em-ate-65-em-experimento-em-minas-gerais

Fonte: Portal do Agronegócio

Sindimadeira_rs ITTO