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Queda de 41,3% nos embarques de móveis e colchões aos Estados Unidos pressiona o setor; enquanto isso, vendas a outros destinos avançam, mas alta das importações intensifica a pressão competitiva em meio à reconfiguração do comércio internacional
O comércio exterior na cadeia moveleira apresentou trajetórias distintas nos primeiros sete meses de 2026. As exportações brasileiras de móveis e colchões recuaram 7,5% em relação ao mesmo período do ano passado, caindo para US$ 411,7 milhões. Já as vendas externas de componentes, matérias-primas, máquinas e demais suprimentos produtivos cresceram 5,1%, alcançando US$ 2,11 bilhões.
No fluxo inverso, as importações brasileiras de móveis e colchões aumentaram 41,2%, somando US$ 234,6 milhões entre janeiro e julho. Na cadeia de suprimentos, a alta foi de 2,7%, para US$ 2,55 bilhões.
Os indicadores integram a “Conjuntura de Móveis”, estudo mensal desenvolvido pelo IEMI – Inteligência de Mercado com exclusividade para a ABIMÓVEL (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário), a partir de informações da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), fontes oficiais e pesquisas setoriais.
Estados Unidos puxam retração
A perda de espaço nos Estados Unidos foi determinante para a queda das exportações de móveis e colchões. Entre janeiro e julho, os embarques ao país diminuíram US$ 50,5 milhões, de US$ 122,3 milhões no mesmo período em 2025 para US$ 71,8 milhões em 2026. Uma retração de 41,3%.
Como resultado, a participação estadunidense na pauta exportadora do setor caiu de 27,5% para 17,4%. Ainda assim, o país permaneceu como o maior destino individual do mobiliário brasileiro.
A dimensão dessa perda fica mais clara quando comparada ao resultado geral. As exportações totais do segmento recuaram US$ 33,5 milhões no período, valor inferior à redução registrada somente nos Estados Unidos. Isso significa que o crescimento em outros mercados compensou parte importante do impacto: excluído o destino norte-americano, os embarques brasileiros avançaram aproximadamente 5,3%.
A América Latina teve papel relevante nessa compensação. As vendas ao Uruguai, segundo maior destino do setor, cresceram 17,5%, para US$ 54,3 milhões. A Argentina ampliou as compras em 55,3%, para US$ 29,7 milhões, enquanto o Peru registrou alta de 65,4%, alcançando US$ 27,0 milhões.
Também houve crescimento nos embarques para Paraguai, Bolívia e Colômbia. Proximidade geográfica, menores tempos logísticos, relações comerciais estabelecidas e acordos regionais favorecem a expansão do mobiliário brasileiro nesses mercados.
A evolução, contudo, não foi uniforme. As vendas para Chile e México recuaram, a exemplo do que foi visto nas vendas para o Reino Unido, importante parceiro comercial na Europa. O resultado demonstra que a diversificação exige mais do que ampliar o número de países atendidos: depende de presença comercial continuada, adequação de produtos, canais de distribuição e capacidade de responder a diferentes padrões técnicos e de consumo.
Brasil – Detalhamento do Comércio Externo
Destino das Exportações
(acumulado do ano)
Dentre os principais mercados externos consumidores de móveis e colchões brasileiros, no acumulado do ano, de janeiro a julho de 2026, destacaram-se as participações de Estados Unidos (17,4%), Uruguai (13,2%) e Argentina (7,2%).
Origens das Importações
(acumulado do ano)
Em termos de participação, a China segue sendo a principal origem, com 74,2% das importações totais de móveis e colchões realizadas pelo Brasil no acumulado do ano de 2026, de janeiro a julho. Em seguida, vem a Áustria, com 7,0% e a Itália com 5,1%.
Fonte: Secex (Ministério da Economia). Elaboração: IEMI.
Nota: Não inclui assentos para aviões e automóveis, nem partes para móveis e nem partes para assentos
Novas tarifas ampliam incerteza para o segundo semestre
Importante ressaltar, contudo, que essa queda registrada nas exportações aos Estados Unidos antecede as novas medidas tarifárias adotadas pelo país em julho. Ou seja, a situação tende a se agravar.
Para diversas categorias atingidas pelas duas medidas anunciadas pelo governo americano e que passaram a vigorar no final de julho, as sobretaxas acumuladas chegam a 37,5%, além da tarifa aduaneira regular.
Os impactos deverão, portanto, aparecer com maior clareza nos próximos meses, à medida que pedidos, contratos e embarques passarem a incorporar os custos adicionais. Entre os possíveis efeitos estão a compressão de margens, renegociação de preços, redução de volumes e perda de competitividade em linhas mais sensíveis a preço.
País vizinho aos EUA, o Canadá também adicionou outra barreira de acesso à América do Norte. Desde 31 de julho, o país aplica uma salvaguarda provisória de 25% sobre determinados armários, gabinetes de madeira e outros subcomponentes. Como o Brasil não está entre os países isentos, os produtos nacionais enquadrados nos códigos abrangidos também estão sujeitos à cobrança.
A medida pode permanecer em vigor por até 200 dias, enquanto o Tribunal Canadense de Comércio Internacional conduz a investigação. A conclusão está prevista para janeiro de 2027. A ABIMÓVEL acompanha o processo e atua na defesa dos interesses da indústria brasileira no país.
Cadeia de suprimentos encontra maior espaço fora dos EUA
Por outro lado, as exportações da cadeia fornecedora apresentaram maior capacidade de compensação. Entre janeiro e julho, os embarques de componentes, matérias-primas, equipamentos, máquinas e demais suprimentos cresceram de US$ 2,01 bilhões para US$ 2,11 bilhões — alta de 5,1%.
Os Estados Unidos continuaram como o principal destino dessa vertical, com US$ 703,5 milhões e participação de 33,3%. As vendas ao país, no entanto, também recuaram, mas com menor intensidade: -9,9%, reduzindo sua fatia em relação aos 38,9% registrados um ano antes.
A expansão nos demais mercados, porém, foi suficiente para superar essa perda. Excluídos os EUA, as exportações da cadeia brasileira de suprimento para móveis avançaram aproximadamente 14,6%.
A Argentina ocupou a segunda posição, com US$ 273,5 milhões e crescimento de 8,5%. As vendas ao México aumentaram 32,9%, para US$ 108,5 milhões. Paraguai, Colômbia, Países Baixos e França também ampliaram as compras de produtos brasileiros.
Brasil – Detalhamento do Comércio Externo
Destino das Exportações
(acumulado do ano)
Dentre os principais mercados externos consumidores de componentes, fornecedores e máquinas brasileiras, entre janeiro e julho de 2026, destacaram-se as participações de Estados Unidos (33,3%), Argentina (13,0%) e México (5,1%).
Países Jan-Jul/2024 Jan-Jul/2025 Jan-Jul/2026
Origens das Importações
(acumulado do ano)
Em termos de participação, a China segue sendo a principal origem, com de 36,7% das importações totais de produtos de componentes, fornecedores e máquinas entre janeiro e julho de 2026. Em seguida, vem o EUA, com 10,8% e a Alemanha com 9,3%.
Fonte: Secex (Ministério da Economia). Elaboração: IEMI.
Essa maior resistência está relacionada, entre outros fatores, à diversidade da própria vertical. Painéis, ferragens, matérias-primas, componentes, máquinas, equipamentos, tintas, vernizes e tecnologias atendem diferentes aplicações e perfis de compradores, criando mais possibilidades de inserção internacional.
Singapura se consolida como nova frente comercial
Singapura foi o principal destaque entre os novos mercados. As exportações brasileiras de suprimentos para a fabricação de móveis ao país passaram de US$ 976 mil, entre janeiro e julho de 2025, para US$ 94,9 milhões em 2026.
O crescimento superior a 9.600% parte de uma base reduzida, mas alterou a posição do destino na pauta. Singapura passou a responder por 4,5% das exportações da vertical e tornou-se o quinto maior mercado no acumulado do ano.
Interessante observar que o avanço ocorreu antes de os indicadores poderem incorporar os efeitos do Acordo de Livre Comércio Mercosul–Singapura, vigente para o Brasil desde 1º de agosto. O tratado estabelece tarifa zero para as exportações brasileiras e cria regras comuns para comércio, serviços, investimentos e operações digitais.
A posição de Singapura como centro logístico, financeiro e de distribuição amplia seu potencial como plataforma para outros mercados asiáticos. Transformar o salto registrado em uma relação comercial duradoura dependerá, contudo, da continuidade das operações e do aproveitamento efetivo das preferências tarifárias.
A agenda de abertura do bloco sulamericano com outros países inclui também a EFTA, formada por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça. A implementação bilateral do acordo começa em 1º de outubro com a Islândia e em 1º de novembro com a Noruega. A expectativa é de tratamento preferencial para aproximadamente 99% do valor exportado pelo Brasil ao bloco.
Somadas ao Acordo Mercosul–União Europeia, essas frentes ampliam as possibilidades de acesso a mercados de maior poder aquisitivo. Em um comércio internacional mais fragmentado, os acordos deixam de representar apenas oportunidades de crescimento e passam a funcionar também como instrumentos de redução da exposição a riscos tarifários e geopolíticos.
Alta das importações reduz superávit de móveis e colchões
Enquanto as exportações de móveis e colchões recuaram, as importações cresceram 41,2%, de US$ 166,2 milhões para US$ 234,6 milhões.
Com isso, o superávit comercial do segmento diminuiu 36,5%, passando de aproximadamente US$ 279,0 milhões para US$ 177,1 milhões. O Brasil continua exportando mais móveis e colchões do que importa, mas a diferença entre os fluxos foi reduzida em mais de US$ 100 milhões em um ano.
A China concentrou 74,2% das importações brasileiras de produtos prontos. As compras provenientes do país cresceram 48,2%, de US$ 117,6 milhões para US$ 174,2 milhões. Áustria, com participação de 7,0%, e Itália, com 5,1%, aparecem na sequência.
Mais do que o crescimento isolado das importações, a combinação entre velocidade, concentração de origem e reorganização dos fluxos internacionais exige acompanhamento. Com a ampliação de tarifas e controles em grandes mercados, parte da oferta global pode ser redirecionada para países com menores barreiras de entrada, intensificando a concorrência no mercado brasileiro.
O movimento ganha relevância em um período de demanda doméstica irregular, crédito caro e menor disposição para investimentos. Produtos estrangeiros produzidos em grande escala e com preços competitivos devido, muitas vezes, a legislações menos restritivas ou fatores de concorrência desleal, podem disputar espaço com a fabricação nacional justamente quando as empresas brasileiras enfrentam maior pressão sobre custos e margens.
Importação de suprimentos exige leitura específica
Na cadeia fornecedora, as importações cresceram 2,7%, para US$ 2,55 bilhões. Embora mais moderado, o avanço também veio acompanhado de maior concentração chinesa.
As compras provenientes da China aumentaram 19,3%, para US$ 934,8 milhões, elevando a participação do país de 31,6% para 36,7%. Estados Unidos e Alemanha aparecem em seguida, com fatias de 10,8% e 9,3%, respectivamente, mas reduziram suas vendas ao Brasil.
A análise desse fluxo exige diferenciação. O grupo inclui produtos que concorrem com fabricantes brasileiros, mas também matérias-primas, componentes, equipamentos e tecnologias utilizados pela própria indústria nacional. Medidas generalizadas, como leis de reciprocidade, podem elevar custos produtivos e limitar o acesso a recursos necessários à modernização das fábricas.
Por isso, a ABIMÓVEL defende mecanismos de monitoramento e defesa comercial tecnicamente direcionados, capazes de enfrentar práticas desleais, distorções de preços e desvios de comércio sem comprometer a competitividade dos fabricantes brasileiros.
Diferentes frentes
Como resposta às pressões macroeconômicas e geopolíticas, ainda, a entidade salienta a relevância da integração entre indústria e design como vetor de diferenciação e agregação de valor no setor moveleiro.
Reforçando esse movimento, a ABIMÓVEL anunciou no início de setembro os finalistas da 2ª edição do Prêmio Design da Movelaria Nacional. As 59 peças, selecionadas entre mais de 450 inscritos de todo o país, comporão uma exposição especial durante o 13º Congresso Nacional Moveleiro, nos dias 04 e 05 de novembro de 2026, em Curitiba (PR) – o credenciamento está aberto e é gratuito –, antes de os grandes vencedores representarem a produção autoral brasileira no Salão do Móvel de Milão em 2027.
Por falar na expansão internacional do setor, a atividade ganha impulso com as ações do Projeto Brazilian Furniture, organizado pela entidade em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos).
Neste mês de setembro, 48 empresas brasileiras marcaram presença na La Feria de Diseño Medellín, na Colômbia, enquanto frentes estratégicas se consolidam com o mapeamento de oportunidades em novos mercados e o desenvolvimento de novas ações, como o Projeto Comprador na Expo Revestir 2027, que está com consulta de interesse aberta para indústrias nacionais interessadas em negociar com compradores internacionais durante o evento – acesse aqui.
Conjuntura de Móveis
A íntegra da Conjuntura de Móveis está disponível no acervo digital da ABIMÓVEL: abimovel.com/acervo-digital.
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Fonte: Abimóvel
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