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Notícias

04
set
2026
(MERCADO)
Estudo do Brazilian Furniture aponta potencial de +68,1 por cento nas exportações brasileiras de móveis para a Espanha

Com 41% da demanda atendida por importações, o mercado espanhol reúne oportunidades em diferentes segmentos; acordo Mercosul–União Europeia e posição entre Europa, Mediterrâneo e África também ampliam a perspectiva estratégica do país

A Espanha não deve ser lida apenas como mais um destino no mercado europeu. Entre o Atlântico e o Mediterrâneo, com acesso terrestre a Portugal e França, além de conexão direta com o norte da África, o país combina escala de consumo, infraestrutura logística, tradição em design e uma demanda interna aberta ao produto estrangeiro. Para a indústria brasileira de móveis e colchões, essa combinação desenha uma oportunidade que passa tanto pela venda ao consumidor espanhol quanto pela construção de presença em um dos pontos de articulação comercial entre Europa, África e América Latina.

É esse ambiente que o novo “Estudo de Oportunidade para o Exportador Brasileiro de Móveis e Colchões — País-alvo: Espanha | Edição 2025” procura dimensionar. Desenvolvido pelo IEMI com exclusividade para o Projeto Setorial Brazilian Furniture, iniciativa da ABIMÓVEL (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário) em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), o levantamento reúne dados de produção, consumo, comércio exterior, canais, preços e comportamento do consumidor para orientar decisões de entrada e expansão no país.

Um mercado em transformação

Uma das maiores economias da Europa, a Espanha apresenta uma indústria moveleira consolidada, exportadora e integrada às cadeias europeias. Isso significa que o exportador brasileiro não encontra um espaço vazio, mas um mercado competitivo, no qual fabricantes locais e fornecedores internacionais disputam preço, design, disponibilidade, serviço e capacidade de atender diferentes projetos.

Ao mesmo tempo, os indicadores revelam uma demanda em expansão. Em 2024, o consumo aparente de móveis e colchões no país — calculado pela soma da produção nacional e das importações, descontadas as exportações — foi estimado em cerca de US$ 6,3 bilhões, crescimento de 7,4% em relação a 2023 e de 40,3% frente a 2020 (ano-base do estudo). Ao mesmo tempo, a produção local avançou em ritmo mais moderado, 1,8% na comparação anual.

Essa diferença ajuda a explicar o papel dos produtos estrangeiros. Cerca de 41% do consumo espanhol foi atendido por importações em 2024. No mesmo ano, o país comprou aproximadamente US$ 2,6 bilhões em móveis e colchões no exterior, alta de 11,4% sobre 2023; enquanto exportou US$ 2,4 bilhões (ou seja, 39,5% de sua produção), gerando déficit comercial próximo de US$ 150 milhões. Trata-se, portanto, de uma estrutura aberta nos dois sentidos: importa para abastecer e diversificar a oferta doméstica, mas também exporta uma parcela relevante do que produz.

Na composição das compras externas, os móveis responderam por 59,1% do total, os assentos por 34,8% e os colchões e suportes por 6%. Para o Brasil, essa distribuição evidencia duas frentes. A primeira é aprofundar a presença nas linhas em que já existe aderência, especialmente o mobiliário de madeira. A segunda é ampliar a participação em assentos, colchões, soluções para ambientes compactos e produtos destinados ao canal contract, ainda pouco representados na pauta brasileira para o país.

Demografia, turismo e novos hábitos de consumo

O desenho da demanda espanhola está mudando. A população envelhece — em 2026, as pessoas com 65 anos ou mais já representam 21,1% do total — e o número de domicílios unipessoais tende a crescer. Na prática, esse movimento favorece móveis modulares, multifuncionais e de menor escala, além de soluções que conciliem ergonomia, acessibilidade, manutenção simples e durabilidade.

O turismo e a hotelaria acrescentam outra camada. A renovação de hotéis, restaurantes, apartamentos de temporada e empreendimentos de uso misto amplia o espaço para fabricantes capazes de atender projetos, personalizações, prazos e requisitos técnicos. É uma agenda especialmente ligada ao citado mercado contract, segmento no qual a decisão de compra passa por arquitetos, designers de interiores, incorporadores, redes hoteleiras e empresas de especificação, e não apenas pelo varejo tradicional.

A digitalização também alterou o percurso de compra. O estudo aponta que 87% dos internautas espanhóis compram on-line e que o país reúne cerca de 30 milhões de consumidores digitais. No mobiliário, porém, a loja física mantém importância, sobretudo nas compras de maior valor. Para a empresa brasileira, isso torna insuficiente escolher entre e-commerce e distribuição convencional: o mercado exige uma estratégia omnichannel, com catálogo digital consistente, informação técnica, amostras e imagens adequadas, apoio ao especificador e uma estrutura local capaz de dar continuidade ao relacionamento e ao pós-venda.

O Brasil já tem base no mercado espanhol, mas ainda compete abaixo de seu potencial

Conforme o estudo,  o Brasil exportou aproximadamente US$ 6,4 milhões e 2,8 mil toneladas de móveis e colchões para a Espanha em 2024. O valor ficou 5,1% abaixo de 2023, mas permaneceu 22,9% acima de 2020; em volume, o crescimento acumulado sobre 2020 foi de 21,6%.

Atualização realizada na base do Comex Stat, com o mesmo recorte setorial do estudo, contudo, mostra que as exportações brasileiras de móveis prontos e colchões para a Espanha voltaram a crescer em 2025, subindo para US$ 8,16 milhões: um avanço de 27,2% sobre 2024. Em volume, os embarques chegaram a 3,87 mil toneladas, alta de 40,3%.

Já no primeiro semestre de 2026, foram exportados US$ 3,58 milhões, queda de 14,9% diante dos US$ 4,21 milhões registrados em igual período de 2025. O resultado, porém, permaneceu 14,2% acima do primeiro semestre de 2024. O volume recuou 21,5% na comparação anual, enquanto o preço médio avançou de US$ 2,19 para US$ 2,38 por quilo.

Neste fluxo, mantidas as ações de promoção e incorporados produtos de maior valor agregado e design próprio, o IEMI calcula que as exportações brasileiras podem chegar a US$ 10,8 milhões no médio e longo prazos. O que significa um crescimento potencial de 68,1% sobre a base de 2024.

Para isso, contudo, o desafio será não necessariamente abandonar a competitividade de preço, mas evitar que ela seja a única chave de entrada. Design autoral integrado à capacidade industrial, identidade material, rastreabilidade, acabamento, flexibilidade produtiva, customização e serviço podem deslocar a oferta brasileira para faixas nas quais o comprador remunera melhor a diferenciação.

Esse movimento também passa por ampliar categorias. Assentos, peças para espaços compactos, mobiliário modular, soluções outdoor, produtos para hotelaria e restauração e colchões aparecem como caminhos a serem desenvolvidos de acordo com o perfil produtivo e comercial de cada empresa. Outro ponto favorável é a entrada temporária em vigor do Acordo Mercosul – União Europeia.

O que muda com o Acordo Mercosul–União Europeia

Assinado em 17 de janeiro de 2026, o Acordo Provisório sobre Comércio entre Mercosul e União Europeia passou a ser aplicado em 1º de maio. O instrumento antecipa o pilar comercial enquanto o acordo de parceria mais amplo segue seu processo de ratificação. Para o exportador, o novo quadro aumenta a previsibilidade das regras e cria preferências tarifárias, mas seu efeito sobre o setor moveleiro varia conforme a classificação do produto. Além disso, grande parte dos móveis acabados e assentos já ingressavam na União Europeia com tarifa geral de 0%.

A atenção a esses pontos evita uma leitura genérica de que todo o mobiliário brasileiro se tornou mais barato na Europa. Para muitos produtos, o ganho mais relevante está na combinação entre facilitação comercial, segurança normativa e redução de custos em linhas específicas. Também é preciso reforçar que o benefício não é automático: a mercadoria precisa atender às regras de origem e ser acompanhada da prova correspondente para receber o tratamento preferencial.

O acordo também não substitui as exigências técnicas e ambientais europeias. Para móveis de madeira enquadrados no Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR), as obrigações começam a ser aplicadas em 30 de dezembro de 2026 para operadores de médio e grande porte e, em regra, em 30 de junho de 2027 para micro e pequenos operadores.

Rastreabilidade, legalidade da matéria-prima e devida diligência passam, assim, a integrar a estratégia de acesso ao mercado e podem se transformar em vantagem competitiva para empresas que organizarem evidências e processos com antecedência.

Exclusividade Brazilian Furniture

Empresas participantes do Projeto Setorial Brazilian Furniture podem acessar o “Estudo de Oportunidade para o Exportador Brasileiro de Móveis e Colchões — País-alvo: Espanha | Edição 2025” na área de associados do projeto: brazilianfurniture.org.br/intranet.

Brazilian Furniture

Sua marca no mercado global

Criado pela ABIMÓVEL em parceria com a ApexBrasil, o Projeto Setorial Brazilian Furniture conecta a indústria brasileira às oportunidades do mercado global. Por meio da exposição em feiras, rodadas de negócios internacionais, inteligência de mercado, ações de promoção de imagem e promoção comercial, bem como programas de sustentabilidade e de design integrado à indústria, o projeto aproxima empresas e compradores, produtos e demandas, ampliando a visibilidade das marcas participantes e fortalecendo a presença do Brasil nos mercados estratégicos do setor.

Com centenas de empresas participantes, o Brazilian Furniture atua em duas verticais complementares: “Móveis” e “Componentes, Máquinas e Demais Fornecedores”, representando a força, a diversidade, a qualidade e a capacidade produtiva de toda a cadeia nacional.

Leve sua marca aos principais eventos do setor, conecte-se a compradores internacionais e conquiste novos mercados com o Brazilian Furniture.

Participe: brazilianfurniture.org.br

Sobre a ABIMÓVEL

A Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (ABIMÓVEL) atua há quase cinco décadas na defesa, desenvolvimento e fortalecimento da cadeia moveleira nacional. A instituição promove e conduz uma agenda positiva para o setor, beneficiando mais de 22,8 mil empresas, que em 2025 geraram receita superior a R$ 92,1 bilhões e 287,2 mil empregos diretos, numa cadeia produtiva que emprega cerca de 1,1 milhão de trabalhadores indiretamente.

Ao longo de sua trajetória, a ABIMÓVEL tem liderado uma série de programas e ações voltados aos negócios, à competitividade, ao design, à sustentabilidade, à normalização técnica, à inovação e à internacionalização da indústria, promovendo iniciativas que ampliam o posicionamento do mobiliário brasileiro no cenário interno e global. O país é hoje o maior produtor de móveis da América Latina e o sétimo maior do mundo, posição que reflete a relevância estratégica de uma cadeia produtiva diversa, capilarizada e conectada às transformações do mercado.

abimovel.com

Sobre a ApexBrasil

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) atua para promover os produtos e serviços brasileiros no exterior e atrair investimentos estrangeiros para setores estratégicos da economia brasileira.

Para alcançar os objetivos, a ApexBrasil realiza ações diversificadas de promoção comercial que visam promover as exportações e valorizar os produtos e serviços brasileiros no exterior, como missões prospectivas e comerciais, rodadas de negócios, apoio à participação de empresas brasileiras em grandes feiras internacionais, visitas de compradores estrangeiros e formadores de opinião para conhecer a estrutura produtiva brasileira entre outras plataformas de negócios que também têm por objetivo fortalecer a marca Brasil.

A Agência também atua de forma coordenada com atores públicos e privados para atração de investimentos estrangeiros diretos (IED) para o Brasil com foco em setores estratégicos para o desenvolvimento da competitividade das empresas brasileiras e do país.

apexbrasil.com.br

MÓVEIS: O NOSSO NEGÓCIO!

Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (ABIMÓVEL)

Assessoria de Imprensa — press@abimovel.com | 14.99156-0238

https://abimovel.com/estudo-do-brazilian-furniture-aponta-potencial-de-681-nas-exportacoes-brasileiras-de-moveis-para-a-espanha/

Fonte: Abimóvel

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