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Notícias

21
ago
2026
(SILVICULTURA)
Gado no pasto e colheita no mesmo hectare: o sistema que está multiplicando o lucro das fazendas no Brasil

Para os produtores rurais, a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) permite gerar grãos, pastagem para gado e madeira na mesma área e reduzir a pressão pela abertura de novas áreas.

O sistema funciona porque as culturas se distribuem ao longo do tempo: as árvores permanecem fixas, enquanto agricultura e pecuária se alternam entre períodos de maior e menor ocupação.

A pressão crescente por eficiência produtiva e pela redução do desmatamento tem levado a ILPF a ganhar espaço no Brasil.

Graças aos avanços no melhoramento genético, tornou-se viável associar gado, grãos e árvores no mesmo espaço.

A combinação de máquinas agrícolas modernas e práticas de manejo refinadas aumenta a produtividade das lavouras.

Funcionamento prático do sistema ILPF

Na prática, as árvores permanecem no sistema o tempo todo, enquanto a lavoura é semeada no período de plantio das árvores.

À medida que crescem e atingem tamanho suficiente, o gado entra nas entrelinhas, áreas entre as fileiras de árvores, para pastejo.

O desbaste retira algumas árvores para usos menos valiosos, deixa as demais para fins de maior valor agregado e libera luz para a lavoura, que é retomada entre as faixas de árvores.

Essa alternância de culturas e pecuária garante produtividade contínua sem que um componente interfira irreversivelmente no outro.

Ganhos que compensam o investimento inicial

Do ponto de vista agrícola, as árvores atuam como barreiras naturais contra doenças dispersas pelo vento e oferecem proteção em condições climáticas inadequadas.

Árvores bem manejadas melhoram o microclima e o bem-estar de raças taurinas em clima tropical.

Economicamente, a redução de gastos com doenças e pragas, muitas associadas ao estresse ambiental do animal, contribui para melhorar a rentabilidade da propriedade.

Sem áreas sombreadas, os animais tendem a reduzir a ingestão de forragem, diminuindo o ganho de peso ou a produção de leite; com sombra disponível, evitam essa redução.

Os benefícios ambientais também geram ganhos econômicos por meio dos serviços ecossistêmicos.

O sistema aumenta a infiltração de água no solo, reduz o escoamento superficial e a erosão, eleva os teores de matéria orgânica e melhora a ciclagem de nutrientes.

Essas vantagens reforçam a sustentabilidade e a lucratividade da propriedade rural.

Planejamento cuidadoso é essencial

A implantação de ILPF requer planejamento cuidadoso, pois o sistema exige mais capacitação do produtor.

A pecuária leiteira é um cenário ideal, já que a produção de vacas sofre grande influência do estresse ambiental, minimizado pelas árvores.

Pecuária de corte com gado de origem europeia também se beneficia do bem-estar térmico proporcionado pelo componente florestal.

A viabilidade depende do mercado madeireiro regional. Regiões com demanda por madeiras nobres tendem a aumentar os lucros ao final do ciclo.

Escolhas de espécies e dimensionamento

O eucalipto é a espécie mais indicada pelo baixo custo de manejo e mudas, além da tecnologia acumulada.

Espécies de maior valor agregado, como mognos e cedros exóticos, têm custo operacional elevado e exigem alto custo de mão de obra.

Operações como desbaste e destoca também são onerosas e podem danificar o solo se malfeitas.

Para diminuir a manutenção, recomenda-se utilizar grandes espaçamentos entre renques, acima de 30 metros, adequados ao tamanho dos implementos agrícolas.

O componente florestal permanecerá no sistema por longo tempo, até 15 anos ou mais se focado em madeiras nobres.

Histórico e adaptabilidade do sistema

Há registros, desde o século XVI, de práticas agrícolas que integram árvores frutíferas e produção pecuária.

No Rio Grande do Sul, a integração entre culturas de arroz inundado e pastagens demonstra uma tradição regional de combinar diferentes usos do solo.

Em 2013, a Lei 708/07 instituiu a Política Nacional de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta no Brasil e consolidou o sistema como estratégia oficial.

O sistema pode ser adaptado para propriedades de todos os tamanhos e em todos os biomas brasileiros, desde que o produtor tenha acesso a capacitação, assessoria técnica e capital para o investimento.

Decisões que definem o sucesso

A implantação depende de análise de condições edafoclimáticas, mercado regional, logística, aptidão do produtor e disponibilidade de assistência técnica.

O projeto deve se basear no ciclo de corte da espécie florestal e no número de intervenções que o produtor está disposto a fazer.

O sistema ILPF representa uma mudança de paradigma na agricultura brasileira: permite intensificar a produção sem abrir novas fronteiras agrícolas.

Para o produtor disposto a planejar com cuidado e manejar rigorosamente, o retorno combinado de grãos, gado e madeira compensa o investimento inicial e transforma a propriedade em um negócio mais resiliente e lucrativo.

https://maisfloresta.com.br/gado-no-pasto-e-colheita-no-mesmo-hectare-o-sistema-que-esta-multiplicando-o-lucro-das-fazendas-no-brasil/

Fonte: Mais Floresta

ITTO Sindimadeira_rs