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Notícias

07
ago
2026
(GERAL)
“Árvore-da-cocada” produz fruto doce e madeira comestível

Parente selvagem do mamão, jaracatiá rende dois ingredientes raros: um fruto adocicado e um tronco que vira doce caseiro

O território brasileiro guarda tesouros gastronômicos escondidos em suas matas nativas. Em regiões de transição entre cerrado e mata fechada, uma espécie rara produz frutos adocicados que lembram, de forma surpreendente, o sabor de uma cocada cremosa. E encanta fazendeiros do interior paulista e mineiro há gerações.

O jaracatiá (Jacaratia spinosa) é um parente silvestre do mamão e pertence à mesma família botânica, a Caricaceae. A árvore atinge entre 20 e 30 metros de altura em ambiente de mata nativa, embora fique bem mais baixa, em torno de 7 metros, quando cultivada em fazendas e chácaras.

A espécie ocorre naturalmente em florestas tropicais úmidas de diversos biomas brasileiros, incluindo áreas de transição com o cerrado, e se estende por outros países da América do Sul e Central, da Nicarágua ao norte da Argentina. O tronco reto e cônico se cobre de espinhos, e por isso a colheita exige cuidado redobrado.

O nome “jaracatiá” varia conforme a região: em Minas Gerais e no Espírito Santo o fruto também é chamado de mamão-do-mato ou mamão-bravo, enquanto no Paraná recebe o nome de jacaratia. Na Argentina e no Paraguai, é conhecido como yacaratiá.

Por que o fruto tem sabor de cocada

O fruto maduro apresenta casca amarelo-alaranjada e polpa leitosa, com sabor doce que lembra a cocada cremosa. Segundo estudo da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a polpa madura concentra cerca de 9,3% de açúcares, além de fibras alimentares, proteínas e carotenóides, compostos que também conferem a coloração amarelada característica.

O fruto ainda verde, porém, contém um látex cáustico que irrita a pele e a boca, motivo pelo qual só deve ser consumido depois de completamente maduro, quando a casca já apresenta tom laranja.

Por que o tronco da árvore também vira doce

A maior particularidade do jaracatiá está no uso culinário de sua madeira interna. O tronco é macio, fibroso e rico em água, características raras entre as árvores frutíferas, e por isso pode ser ralado como se fosse coco. O resultado é um doce artesanal que deu à planta o apelido popular de “árvore-da-cocada”.

Essa tradição de aproveitar a madeira como alimento é documentada também em estudos bioquímicos sobre a composição do cerne do jaracatiá, que classificam a prática como um uso gastronômico raro entre espécies nativas.

Como o jaracatiá vira doce caseiro

O fruto maduro pode ser consumido in natura, depois da retirada da casca e de qualquer resquício de látex. É na forma de compota, porém, que ele revela todo o potencial. O cozimento lento em açúcar cristal produz uma sobremesa brilhante, de sabor concentrado e textura macia.

Além do valor culinário, a árvore desempenha função ecológica relevante. Seus frutos atraem aves e mamíferos nativos, inclusive macacos-prego, que se alimentam diretamente da polpa nas matas onde a espécie ocorre. Por esse motivo, proprietários de sítios e chácaras costumam plantar o jaracatiá em projetos de recuperação de matas ciliares degradadas, já que a árvore ajuda a atrair de volta a fauna silvestre.

Para quem pensa em cultivar a espécie, alguns cuidados fazem diferença:

• Solo úmido: a árvore se desenvolve melhor em solos férteis, próximos a baixadas úmidas e margens de rios.
• Espaço para crescer: por atingir grande porte na natureza, exige área ampla para o desenvolvimento da copa.
• Manejo dos espinhos: o tronco e os ramos apresentam espinhos abundantes, o que torna a colheita e o manejo tarefas que pedem atenção redobrada.

Principais dúvidas sobre consumo e cultivo

A presença de látex no fruto verde e o corte da madeira geram dúvidas recorrentes entre produtores. Engenheiros agrônomos reforçam dois pontos centrais. O fruto só deve ser consumido maduro. E a retirada de parte da madeira interna, quando feita de forma controlada, não compromete necessariamente a sobrevivência da árvore, prática que segue sendo estudada por pesquisadores da área.

Assim, a preservação do jaracatiá ajuda a manter viva uma tradição gastronômica pouco conhecida fora do interior brasileiro. Entre o doce do tronco ralado e a polpa cremosa do fruto, a árvore carrega um sabor de infância que muitas famílias do campo ainda preservam.

• Por Henrique Rodarte

https://agroemcampo.ig.com.br/2026/noticias/fruta-cerrado-sabor-cocada-jaracatia/

Fonte: https://agroemcampo.ig.com.br/

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