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Notícias

29
jul
2026
(TECNOLOGIA)
Engenheiros fabricam madeira ainda úmida e, ao controlar como cada camada encolhe durante a secagem, fazem as peças se curvarem sozinhas para formar torre espiral de 22 metros com paredes de apenas 13 centímetros

Engenheiros fabricaram componentes de madeira ainda úmida e controlaram como cada camada encolheria durante a secagem.

A torre de madeira na Alemanha transforma a contração natural em curvatura programada, usa secagem controlada e madeira laminada cruzada para produzir paredes finas, reduz a dependência de moldes gigantes e amplia as possibilidades da construção sustentável, com uma estrutura espiral de 22 metros criada para receber visitantes.

Engenheiros fabricaram componentes de madeira ainda úmida e controlaram como cada camada encolheria durante a secagem. As peças ganharam curvas calculadas e formaram a Torre de Wangen, uma estrutura espiral de 22 metros, com paredes de apenas 13 centímetros.

As informações foram divulgadas por University of Stuttgart, universidade alemã responsável pelas pesquisas do projeto. A torre foi inaugurada em 26 de abril de 2024, na cidade de Wangen im Allgäu, na Alemanha.

A técnica transforma uma reação natural da madeira, normalmente tratada como defeito pela indústria, em parte da fabricação. Em vez de impedir o material de entortar, os pesquisadores direcionaram esse movimento para criar peças curvas sem grandes moldes ou prensas gigantes.

Madeira úmida foi organizada para encolher na direção calculada

A madeira perde água e diminui de tamanho durante a secagem. Como esse encolhimento não ocorre igualmente em todas as direções, uma peça comum pode deformar, rachar ou apresentar uma curva indesejada.

Madeira úmida foi organizada para encolher na direção calculada

Os engenheiros aproveitaram essa diferença. Eles posicionaram as fibras e organizaram as camadas para que uma parte da placa encolhesse mais, enquanto outra limitava o movimento. Essa combinação produziu uma curvatura programada.

As placas começaram planas e passaram por uma secagem industrial controlada. À medida que a água saía, o material avançava até o formato previsto no modelo digital, sem depender de uma máquina forçando toda a curva.

Madeira laminada cruzada mantém a forma depois da secagem

A torre usa madeira laminada cruzada, material produzido com camadas de madeira coladas em direções diferentes. Essa organização aumenta a estabilidade e permite controlar melhor o movimento causado pela perda de umidade.

Uma camada com mais água funciona como a parte ativa, pois encolhe com maior intensidade. Outra camada restringe esse movimento e conduz a placa até a curva desejada. Depois, novas camadas ajudam a travar o formato final.

O processo não elimina equipamentos industriais. A inovação está em usar menos força para moldar painéis grandes, aproveitando uma reação que já aconteceria naturalmente. Isso abre espaço para construções de madeira com formas curvas e precisas.

Paredes de 13 centímetros ajudam a sustentar uma torre de 22 metros

A University of Stuttgart, universidade alemã responsável pelas pesquisas do projeto, detalhou a combinação entre paredes de 13 centímetros e uma estrutura espiral capaz de receber os esforços da construção.

Madeira laminada cruzada mantém a forma depois da secagem

A curvatura deixa a superfície mais rígida, em efeito parecido com o de uma chapa ondulada. As paredes ajudam a resistir às forças laterais provocadas pelo vento, enquanto a parte central da escada sustenta o peso gerado pelas pessoas.

A Torre de Wangen foi apresentada como a primeira torre acessível do mundo a usar componentes estruturais de madeira laminada cruzada que ganham forma durante a secagem. As paredes funcionam como fechamento e também como parte da sustentação.

Construção sustentável usa material renovável com mais eficiência

A arquitetura sustentável aparece no uso de madeira renovável obtida localmente e transformada na região. A espessura reduzida das paredes também permite alcançar resistência estrutural sem aumentar desnecessariamente a quantidade de material.

O desenho por computador reuniu forma, secagem, fabricação e montagem desde o começo. Cada curva precisava atender ao projeto arquitetônico e, ao mesmo tempo, respeitar o comportamento real da madeira durante a perda de água.

A torre integra uma estratégia que permite desmontagem e reúso dos componentes. Essa possibilidade considera o destino futuro dos materiais e amplia o papel da construção sustentável além da economia de recursos durante a obra.

Pesquisa saiu do laboratório e chegou a uma construção permanente

A Torre de Wangen nasceu de pesquisas do Centro de Excelência em Projeto e Construção Computacional Integrados para Arquitetura, chamado IntCDC. O trabalho reuniu engenharia, fabricação digital, empresas locais e conhecimento sobre madeira.

Achim Menges, professor e representante do IntCDC, relacionou os trabalhos apresentados em Wangen a anos de pesquisa e cooperação com empresas da região. A integração permitiu levar a técnica de autoformação da madeira para uma estrutura permanente.

A torre mostra que um movimento antes combatido pode ser usado para fabricar componentes grandes e precisos. O resultado reúne 22 metros de altura, paredes de 13 centímetros e uma forma espiral criada pela própria contração da madeira.

Se a madeira pode ser moldada usando umidade e cálculo, quais outras etapas caras da construção poderiam aproveitar processos naturais? Deixe sua análise nos comentários.

Escrito por Flavia Marinho

https://clickpetroleoegas.com.br/engenheiros-fabricam-madeira-ainda-umida-e-ao-controlar-como-cada-camada-encolhe-durante-a-secagem-fazem-as-pecas-se-curvarem-sozinhas-para-formar-torre-espiral-de-22-metros-com-pared-fcmo87/

 

Fonte: https://clickpetroleoegas.com.br

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