Voltar

Notícias

22
jul
2026
(SILVICULTURA)
Sustentabilidade: primeiro a obra, depois a moldura.

Recentemente fui convidado para visitar uma propriedade florestal e emitir uma opinião sobre a sustentabilidade do empreendimento.

Logo na chegada, o proprietário, Sr. Nicolau, explicou a razão do convite. Tudo começou após um comentário de sua filha:

— Pai, hoje não basta ter uma boa floresta. É preciso reunir indicadores sociais, ambientais e econômicos, informações sobre biodiversidade, recursos hídricos, governança, ESG, certificações e muitos outros parâmetros para comprovar a sustentabilidade do negócio. Se não tivermos essas informações, logo não vamos conseguir vender nossa madeira.

— Precisamos contratar um especialista para avaliar a sustentabilidade da fazenda.

A preocupação era sincera.

Saímos então para percorrer a propriedade.

Enquanto caminhávamos, o Sr. Nicolau ia mostrando, com orgulho, aquilo que considerava importante: florestas bem conduzidas, muitos anos de bons resultados, madeira comercializada regularmente, ausência de pragas e doenças, uma equipe estável, recursos naturais preservados, nascentes protegidas e água em abundância e uma grande diversidade de pássaros.

Depois de algum tempo, parou, olhou para mim e perguntou:

— Doutor, tudo conforme a legislação exige, afinal, o que falta para dizerem que esta fazenda é sustentável?

A resposta exige uma boa reflexão.

Nos últimos anos, a sustentabilidade passou a ser medida por um conjunto cada vez maior de indicadores, protocolos, certificações e relatórios. Todos eles são importantes e ajudam a tornar os empreendimentos mais transparentes e confiáveis.

Mas existe um cuidado que não podemos perder de vista: dedicar mais atenção à moldura do que à própria obra.

Ao abrir a porteira de uma fazenda, a sustentabilidade costuma apresentar seus primeiros sinais.

A floresta cresce bem? Continua produtiva? Os recursos naturais estão protegidos? As pessoas trabalham com segurança e respeito? A atividade gera renda e tem condições de permanecer ao longo do tempo?

Quando essas respostas são positivas, os fundamentos da sustentabilidade já estão presentes.

É justamente aí que indicadores, certificações e relatórios cumprem seu verdadeiro papel: organizar informações, demonstrar resultados e dar credibilidade ao empreendimento.

No fim da visita, apertei a mão do Sr. Nicolau e respondi:

— Acho que o senhor já tinha a resposta. Ela estava diante dos nossos olhos durante toda a caminhada. Agora, basta fazer com que ela também possa ser vista por quem observa a fazenda de fora.

Na volta para casa, fiquei pensando que, talvez, a sustentabilidade seja exatamente assim.

Primeiro ela acontece.Depois, ela é medida.

E, quase sempre, seus primeiros sinais aparecem muito antes dos relatórios. Basta abrir a porteira da fazenda.

Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br

Fonte: Comunidade de Silvicultura

Sindimadeira_rs ITTO