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Notícias

04
jul
2026
(INTERNACIONAL)
Relatório da FAO e da Bauhaus Earth quantifica como o aumento do uso de produtos de madeira na construção civil poderia impulsionar a demanda anual em 50 milhões de m³

Um relatório da FAO e da Bauhaus Earth quantifica como o aumento do uso de produtos de madeira na construção civil poderia impulsionar a demanda anual em 50 milhões de m³

Um maior uso de madeira de origem sustentável poderia ajudar a reposicionar o setor da construção civil, transformando-o de um grande emissor de gases de efeito estufa em um motor para a mitigação das mudanças climáticas, de acordo com um novo relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e da Bauhaus Earth.

As conclusões surgem em um momento em que o ambiente construído responde por 37% das emissões globais relacionadas à energia e aos processos. Com a projeção de que a população urbana mundial dobrará até 2050, uma parcela substancial das futuras moradias do mundo ainda precisa ser construída, principalmente na Ásia e na África.

Lançado hoje durante a Semana de Ação Climática de Londres 2026, o relatório "Produtos de Madeira na Bioeconomia: Uma Avaliação Baseada em Cenários do Potencial de Produtos de Madeira Engenheirada para a Mitigação das Mudanças Climáticas" examina o potencial do uso da madeira na construção civil para remodelar a demanda em todo o setor florestal.

Em particular, os produtos de madeira engenheirada — criados pela união de camadas, fibras ou partículas de madeira — estão ganhando espaço na construção civil, oferecendo emissões de carbono reduzidas em comparação com os materiais convencionais.

O relatório destaca que a concretização dos benefícios climáticos da madeira no setor da construção dependerá de estratégias que garantam que o aumento da demanda apoie as metas climáticas sem exercer pressão adicional sobre as florestas.

Demanda crescente transformará os mercados
O relatório revela que o aumento do uso de produtos de madeira na construção civil pode impulsionar a demanda anual em 50 milhões de m³ globalmente e, potencialmente, em até 250 milhões de m³, dependendo da implementação.

Esse aumento potencial pode trazer benefícios climáticos significativos. O estudo sugere que, com um aumento de 20% em novas construções residenciais feitas de madeira, as emissões globais poderiam ser reduzidas em 236 MtCO₂-eq por ano no período de 2025 a 2070, em comparação com os cenários atuais. Aproximadamente dois terços dessa redução viriam do armazenamento de carbono, e o benefício restante seria derivado da substituição da madeira por materiais com maior intensidade de carbono.

O estudo também destaca a magnitude dos impactos regionais. No mesmo cenário de aumento de 20%, a Ásia necessitaria de 40 milhões de m³ adicionais de madeira serrada de coníferas, quase 30% a mais do que os níveis atuais, e a África, quase 20 milhões de m³, representando um aumento de 165%.

Além disso, o estudo avalia os impactos potenciais das mudanças climáticas na produtividade e competitividade florestal, visto que estes também devem afetar o fornecimento futuro. O estudo identificou o potencial para a América do Norte passar de exportadora líquida para importadora líquida de madeira em tora, enquanto a Europa poderia se tornar uma exportadora mais forte.

Os benefícios climáticos dependem da gestão sustentável.

O relatório enfatiza que os benefícios climáticos da madeira dependerão de como as florestas e os recursos madeireiros são geridos.

Atualmente, aproximadamente metade da madeira industrial mundial provém de florestas em regeneração natural, sendo o restante proveniente de florestas plantadas, explica o estudo. As florestas plantadas precisarão desempenhar um papel cada vez mais importante para atender à crescente demanda, mas a capacidade de atender à demanda futura dependerá de políticas nacionais, práticas de gestão florestal sustentável e concorrência.

Ao mesmo tempo, cerca de metade do consumo global de madeira ainda se destina a combustíveis de baixo custo, e uma mudança gradual em relação aos usos tradicionais da madeira poderia aumentar a disponibilidade de madeira em tora, observa o relatório. O relatório conclui que é necessária uma ação coordenada para orientar a transição para uma bioeconomia baseada em florestas e para garantir que a crescente demanda por produtos de madeira apoie as metas climáticas e de sustentabilidade.

O relatório foi preparado no contexto da Avaliação Global dos Recursos Florestais, com o apoio da União Europeia.

Fonte: Alerta de notícias florestais da FAO – InFOflash nº 120

https://aitim.infomadera.net/un-informe-fao-y-bauhaus-earth-cuantifica-el-aumento-de-productos-de-madera-en-la-construccion-podria-incrementar-la-demanda-anual-en-50-millones-de-m3/
 

Fonte: AITIM

ITTO Sindimadeira_rs