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Polo florestal da Bahia reforça protagonismo da região, enquanto investimentos em biomassa e inovação ampliam perspectivas para o setor de base florestal
A indústria do Nordeste atravessa um novo ciclo de transformação impulsionado por investimentos em setores estratégicos, entre eles a celulose, a bioeconomia e as energias renováveis. Embora a região ainda enfrente desafios para sustentar um crescimento industrial de longo prazo, o segmento florestal desponta como um dos principais vetores de desenvolvimento, especialmente na Bahia.
Responsável por cerca de 13% do Produto Interno Bruto (PIB) industrial do Brasil, a manufatura nordestina registrou retração de 0,8% em 2025, enquanto a média nacional avançou 0,6%, segundo a Pesquisa Industrial Mensal do IBGE. Apesar da desaceleração, especialistas apontam que novos investimentos em economia florestal e bioeconomia podem contribuir para fortalecer a indústria de transformação na região.
“O PIB industrial tem crescido por conta do desempenho desses segmentos, que estão sujeitos a oscilações de mercado e não representam necessariamente uma mudança estrutural”, afirma Giancarlo Kanaan, sócio da consultoria EY-Parthenon.
Na Bahia, a economia florestal consolidou-se como uma das principais atividades industriais do estado. No extremo sul baiano, empresas como Suzano, em Mucuri, e Veracel Celulose, em Eunápolis, formam um dos mais importantes polos brasileiros de produção de celulose e papel.
Com aproximadamente 700 mil hectares de florestas plantadas e 400 mil hectares de vegetação nativa, o setor de base florestal responde por cerca de 6% do PIB da Bahia e por 4% da arrecadação estadual, reforçando sua relevância para a economia local.
Além da produção de celulose, a cadeia florestal amplia sua atuação em iniciativas ligadas à bioeconomia, ao uso mais eficiente da biomassa e ao desenvolvimento de novos produtos de origem renovável.
“A celulose continuará desempenhando um papel central, mas existe uma agenda crescente de inovação voltada ao aproveitamento cada vez mais eficiente da biomassa e à geração de novos produtos de base biológica”, diz Rodrigo Louzada, diretor administrativo e financeiro da Veracel Celulose.
O avanço desses segmentos está alinhado ao novo ciclo de industrialização do Nordeste, fortemente apoiado em energias renováveis e em atividades de base florestal.
“Esse novo ciclo de industrialização é focado no ambiente de energias renováveis, posto que o Nordeste tem condições de ser provedor não só para o Brasil, mas para o mundo. Mas esse crescimento precisa vir acompanhado de infraestrutura”, afirma Cassiano Pereira, presidente da Associação Nordeste Forte.
Segundo representantes da indústria, investimentos em infraestrutura energética, logística e interiorização de polos produtivos serão fundamentais para ampliar a competitividade da região e consolidar o crescimento de cadeias como a de celulose e papel.
Fonte: Fonte Valor Econômico
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