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Notícias

25
mai
2026
(MERCADO)
Exportações na cadeia moveleira reagem em fevereiro e março, mas fecham 1º trimestre abaixo de 2025

Em meio à reorganização dos mercados internacionais, “Conjuntura de Móveis – Abril/2026” apontou leve avanço dos embarques tanto de móveis e colchões prontos quanto de suprimentos para a indústria moveleira em fevereiro e março, após janeiro mais fraco; acumulado, contudo, é menor do que no  1º tri do ano passado

A leitura do comércio exterior na cadeia do mobiliário exige mais do que observar as variações mês a mês. É preciso entender o ambiente econômico e político em que esses indicadores se formam: mercados em reorganização, compradores mais cautelosos, tarifas em negociação, cadeias produtivas redesenhadas e uma disputa crescente por acesso, previsibilidade e diferenciação.

Os dados da “Conjuntura de Móveis – Abril/2026”, estudo desenvolvido pelo IEMI para a ABIMÓVEL (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário), mostram um primeiro trimestre ainda pressionado nas exportações do setor, mas com sinais de reação ao longo dos meses.

Exportações de móveis e colchões prontos

Entre janeiro e março de 2026, as exportações brasileiras de móveis e colchões prontos somaram cerca de US$ 151,2 milhões, abaixo dos US$ 173,2 milhões registrados no mesmo período de 2025. O resultado representa retração de aproximadamente 12,7% na comparação anual, ainda refletindo um início de ano mais fraco, os efeitos de ajustes comerciais, barreiras tarifárias e a maior cautela de compradores internacionais.

Apesar disso, a evolução mensal indica algum respiro. Após um janeiro de menor desempenho, com US$ 38,9 milhões exportados, os embarques avançaram para US$ 47,0 milhões em fevereiro e chegaram a US$ 65,2 milhões em março. Ou seja, o trimestre não configura uma recuperação consolidada, mas sinaliza capacidade de reação.

Destino das Exportações

acumulado do ano

Dentre os principais mercados externos consumidores de móveis e colchões brasileiros, no acumulado do ano, de janeiro a março de 2026, destacaram-se as participações de Estados Unidos (16,1%), Uruguai (13,7%) e Peru (8,4%).

Fonte: Secex (Ministério da Economia). Elaboração: IEMI.

Nota: Não inclui assentos para aviões e automóveis, nem partes para móveis e nem partes para assentos.

No recorte por destino, os Estados Unidos permaneceram na liderança das compras de móveis e colchões brasileiros, com US$ 24,3 milhões no acumulado de janeiro a março e participação de 16,1% sobre o total exportado. O percentual, todavia, ficou bem abaixo dos 27,8% registrados no mesmo período de 2025 e dos 33,1% observados em 2024. Em valor, os embarques ao país recuaram quase pela metade frente ao primeiro trimestre do ano anterior.

A queda ajuda a dimensionar o peso dos ajustes recentes nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, especialmente em razão das medidas tarifárias que impactaram negociações, pressionaram margens e levaram importadores a reavaliar pedidos e contratos. Ainda assim, o mercado estadunidense segue central para o setor, não apenas pelo histórico de compras, mas também pela capilaridade de seus canais de distribuição, pela força dos especificadores e pelo potencial para produtos de maior valor agregado.

Outros destinos, por sua vez, ganharam participação relativa. O Uruguai respondeu por 13,7% das exportações brasileiras de móveis e colchões no trimestre, com US$ 20,7 milhões. Na sequência vieram Peru, Chile, Paraguai e Argentina. O avanço de mercados sul-americanos reforça a importância da proximidade regional, da adaptação comercial e da diversificação de destinos em um ambiente externo menos previsível.

Essa diversificação, porém, não elimina a relevância de mercados mais maduros e distantes. Ela reduz vulnerabilidades. Em um cenário internacional, sujeito a disputas tarifárias, oscilações de demanda, custos logísticos e alterações regulatórias, depender de alguns  poucos destinos amplia riscos para as indústrias e para a cadeia como um todo. Por isso, ampliar e monitorar presença em diferentes regiões é essencial.

Nesse contexto, ganham peso iniciativas como o Projeto Brazilian Furniture, desenvolvido pela ABIMÓVEL em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos). Ao posicionar o mobiliário brasileiro em grandes feiras, missões comerciais, rodadas de negócios e ações de imagem, o projeto atua na construção de reputação, inteligência comercial e aproximação com compradores, distribuidores, especificadores e formadores de opinião em mercados estratégicos.

Nos Estados Unidos, essa agenda avança, entre outras ações, por meio da aliança estratégica da ABIMÓVEL com a NKBA (National Kitchen & Bath Association), maior associação de cozinhas e banheiros da América do Norte. Ampliando, assim, o acesso a inteligência de mercado, relacionamento setorial e oportunidades de conexão com um ecossistema altamente qualificado. A Consulta de Interesse para participação na KBIS (Kitchen & Bath Industry Show), aliás, feira que ocorre em Las Vegas, em fevereiro de 2027, está aberta até 03 de junho de 2026 – formulário disponível aqui.

A presença brasileira na ICFF 2026 (International Contemporary Furniture Fair), em Nova York, neste mês de maio, também se inseriu nessa leitura. Realizada durante a NYCxDESIGN Week, a feira aproximou cerca de 30 marcas e designers brasileiros de importantes players da região.

A estratégia também passa pela Europa. O Acordo Mercosul–União Europeia, em vigor provisório desde 1º de maio, abre uma nova frente de ação para a indústria moveleira, ao apontar para maior previsibilidade regulatória, redução progressiva de barreiras e aproximação entre dois blocos relevantes. Para o mobiliário brasileiro, trata-se de uma oportunidade de ampliar presença em mercados que valorizam origem, conformidade técnica, rastreabilidade, sustentabilidade e diferenciação pelo design. Fatores reforçados, mais uma vez, pela participação brasileira – com mais de 70 empresas, profissionais e novos talentos – no Salone del Mobile.Milano 2026.

Exportações de suprimentos para fabricação de móveis

A análise do comércio exterior da cadeia moveleira não se encerra nos móveis e colchões prontos. No primeiro trimestre de 2026, as exportações brasileiras de suprimentos para a fabricação de móveis somaram US$ 766,1 milhões, frente a US$ 820,5 milhões no mesmo período de 2025, o que representa uma retração anual de 6,6%. Ainda assim, após um janeiro mais pressionado, fevereiro e março trouxeram também avanço, numa trajetória similar ao segmento de produtos acabados.

Destino das Exportações

acumulado do ano

Dentre os principais mercados externos consumidores de componentes, fornecedores e máquinas brasileiras, entre janeiro e março de 2026, destacaram-se as participações de Estados Unidos (31,1%), Argentina (15,1%) e México (5,7%).

Fonte: Secex (Ministério da Economia). Elaboração: IEMI.

Os Estados Unidos também lideraram esse recorte, com US$ 238,5 milhões em compras entre janeiro e março de 2026, o equivalente a 31,1% do total exportado pelo segmento. A participação, entretanto, também recuou frente aos 35,9% de 2025 e aos 42,0% de 2024.

Na sequência apareceram Argentina, México, Paraguai, Colômbia e Chile. O desempenho desses destinos confirma a relevância da América Latina como espaço de integração produtiva, circulação de componentes, fornecimento industrial e expansão comercial.

É nesse ponto que agendas como a interzum Bogotá 2026, onde 14 empresas brasileiras expuseram por intermédio do Projeto Brazilian Furniture, ganham ainda mais importância. Ao reunir fornecedores de componentes, máquinas, matérias-primas, insumos, tecnologia e soluções aplicadas à produção moveleira e madeireira, a feira colombiana funciona como plataforma de aproximação entre a cadeia de suprimentos brasileira e fabricantes da região.

O que esperar para o fechamento do semestre

Em um cenário de comércio global mais regulado, fragmentado e sensível a movimentos geopolíticos, competir exige presença, leitura de mercado e consistência. Para a indústria brasileira do mobiliário, os números do trimestre indicam que há espaço para avançar, desde que os movimentos de curto prazo sejam sustentados por uma estratégia contínua tanto empresarial quanto institucional e diplomática.

Publicação Completa

Conjuntura de Móveis – Abril/2026

A íntegra da Conjuntura de Móveis – Abril/2026 está disponível no acervo digital da ABIMÓVEL: abimovel.com/acervo-digital

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https://abimovel.com/exportacoes-na-cadeia-moveleira-reagem-em-fevereiro-e-marco-mas-fecham-1o-trimestre-abaixo-de-2025/

Fonte: Abimóvel

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