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Com um crescimento em área de quase 40% nos últimos dez anos, o Brasil acaba de alcançar a marca de 10 milhões de hectares certificados FSC. Esse território, que corresponde a cerca de 66 vezes o tamanho do município de São Paulo ou ainda maior que Portugal, abrange tanto florestas nativas quanto plantadas e consolida um novo paradigma: a floresta em pé como um ativo estratégico para a economia nacional e para as metas climáticas do país.
“Nosso potencial para expandir o manejo florestal responsável ainda é vasto e subutilizado, especialmente quando se trata de floresta nativa. A ampliação das concessões florestais na Amazônia, por exemplo, é um caminho relevante para converter áreas públicas em polos de produção sustentável que geram receita para o Estado e emprego e renda para as comunidades”, diz Elson Fernandes de Lima, diretor executivo do FSC Brasil.
O desmatamento é um modelo de negócio do passado. “A economia florestal certificada é uma das principais estratégias que permite ao Brasil escalar sua produção sem comprometer o seu maior capital: a biodiversidade. Hoje, os 10 milhões de hectares certificados nos mostram que a fronteira da produção brasileira não está no desmatamento, mas na inteligência com que ocupamos e cuidamos do território que já possuímos”, completa.
Ao longo desse processo, também são conservados os chamados serviços ecossistêmicos, que funcionam quase que como uma infraestrutura invisível da nossa economia: a regulação do regime de chuvas, a manutenção dos ciclos hídricos e o sequestro de carbono. São ativos que sustentam o agronegócio e a indústria nacional, e que o manejo florestal responsável garante que permaneçam ativos, e não exauridos.
Parceria com a Verra
O FSC e a Verra, organizações sem fins lucrativos que operam padrões de certificação nos mercados ambientais e sociais, firmaram uma parceria para aplicar selos do FSC a Unidades de Carbono Verificadas (VCUs) emitidas para projetos que estejam registrados tanto no Programa Verified Carbon Standard (VCS) quanto no Padrão de Certificação de Manejo Florestal (FM) do FSC.
A participação simultânea em ambos os programas permite que gestores florestais e comunidades em florestas certificadas FSC ampliem suas contribuições de mitigação climática e desenvolvimento sustentável por meio da geração de créditos de carbono.
Como a Verra é autoridade em crédito de carbono e o FSC, em manejo florestal responsável, a junção das duas marcas aumenta o nível de reputação de um projeto. O investidor que compra um crédito com esse novo selo conjunto sabe que está pagando por um carbono real e, ao mesmo tempo, apoiando uma floresta gerida com o mais alto padrão social, econômico e ambiental.
O fato desses créditos serem verificados e certificados de forma independente sob o Programa VCS e serem provenientes de florestas com certificação FSC demonstra ao mercado tanto o uso das melhores práticas de manejo, quanto o engajamento robusto das partes interessadas.
Biomas e seus potenciais
A Mata Atlântica é o bioma mais populoso do Brasil, abrigando cerca de 80% da população e grandes cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, e, muito por conta disso, também é o mais ameaçado. Em 2025, registrou seu menor nível de desmatamento desde que o monitoramento feito pela ONG SOS Mata Atlântica começou, há 40 anos.
Se somarmos as áreas certificadas FSC dos estados que são 100% ou quase 100% compostos por Mata Atlântica, como Espírito Santo, Rio de Janeiro e Santa Catarina, e estados que têm uma dominância muito forte, como Paraná, São Paulo e Rio Grande do Sul), quase 38% dos 10 milhões de hectares está nesse bioma.
“O modelo de certificação prova que a conservação pode – e deve – ir além da madeira. Iniciativas de manejo sustentável para produtos como mel e erva-mate demonstram que é possível gerar valor econômico respeitando as particularidades da região”, diz Lima. Ele completa explicando que o manejo florestal sustentável é uma poderosa ferramenta econômica que, ao mesmo tempo em que garante a manutenção da floresta, promove oportunidades de emprego e move a economia.
Para Lima, atingir este patamar de certificação é resultado de um trabalho árduo e de muitos anos, que envolve empresas, organizações não-governamentais e sociedade de forma mais ampla. “Seguir nessa trajetória de crescimento e de geração de impacto positivo para pessoas e para a natureza, precisamos nos aproximar ainda mais desses atores e buscar sinergias com governos e, especialmente, as pessoas que vivem na floresta e da floresta”, avalia.
Já na Caatinga, o manejo ganha um novo contorno com a necessidade cada vez mais urgente de descarbonização das cadeias produtivas. Ali, o foco não é a extração de toras de madeira ou a coleta de frutos, mas sim a produção de biomassa. O potencial da produção sustentável de energia é grande na região e o FSC Brasil espera ter pelo menos um projeto certificado lá ainda este ano.
E apesar de biomas como o Cerrado e a Caatinga enfrentarem uma pressão proporcionalmente mais devastadora e com menos proteção legal, a Amazônia é a maior floresta tropical do mundo e tem um impacto significativo no clima global.
Nessa região, o manejo é quase sinônimo de resistência. A certificação FSC reconhece o papel fundamental das comunidades tradicionais, quilombolas e cooperativas de pequenos produtores como verdadeiros guardiões da floresta. O desafio — e o grande salto de mercado que o FSC está promovendo — é fazer com que a lógica de produção desses atores, nesses lugares, seja entendida e aceita pelos grandes mercados consumidores.
O papel da rastreabilidade em cadeias produtivas mais sustentáveis
É a rastreabilidade que garante que uma tora de madeira, um crédito de carbono ou uma saca de castanhas não deixaram um rastro de destruição pelo caminho. Cada etapa é registrada e é possível acompanhar todo o processo de produção da extração na floresta até a prateleira na loja.
O maior inimigo da conservação não é o consumo de recursos florestais, mas sim a ilegalidade. Quando a madeira de desmatamento criminoso entra no mercado, ela derruba os preços e inviabiliza as empresas que operam de forma correta.
Essa cadeia de custódia - o caminho rastreável e documentado que um produto percorre desde a sua origem até o consumidor final - ajuda a eliminar inseguranças operacionais e confere a transparência exigida por grandes importadores e investidores. É uma “blindagem” cada vez mais necessária para empresas – ou até mesmo para países, como o Brasil - que buscam protagonismo na economia de baixo carbono.
O marco dos 10 milhões de hectares reflete o valor da floresta em pé e prova que a viabilidade econômica do Brasil está intrinsecamente ligada à sua capacidade de proteger e produzir de forma sustentável.
“O maior desafio atual é criar pontes entre a floresta e os mercados consumidores para que o conhecimento que existe lá ganhe reconhecimento e valor”, avalia Elson. Para ele, “atingir essa marca não é o fim de uma jornada, mas o ponto de virada para a escala que o Brasil precisa entregar ao mundo”.
Sobre o Forest Stewardship Council™ (FSC®)
O FSC é uma organização sem fins lucrativos que oferece uma solução comprovada para o manejo florestal responsável. Atualmente, mais de 150 milhões de hectares de florestas no mundo são certificados de acordo com os padrões do FSC. O sistema é amplamente reconhecido por ONGs, consumidores e empresas como o mais rigoroso para enfrentar os desafios atuais de desmatamento, clima e biodiversidade.
O padrão de manejo florestal do FSC baseia-se em dez princípios fundamentais, que abordam uma ampla gama de fatores ambientais, sociais e econômicos. O selo da “árvorezinha” do FSC está presente em milhões de produtos de origem florestal e assegura que são obtidos de forma sustentável, da floresta ao consumidor.
Contato para jornalistas: Camila Carvas – camila@gwa.com.br
Camila Carvas
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Fonte: GWA
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