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Com aporte do governo britânico, projeto impulsiona bioeconomia e tem potencial de gerar R$ 21 milhões por ano para mais de mil famílias em Mato Grosso
Desenvolvida com recursos de uma iniciativa de incentivo à conservação florestal em parceria entre Reino Unido e Alemanha, uma plataforma de beneficiamento de pequi na região do rio Araguaia – área de transição entre Cerrado e Amazônia – prevê processar 10 mil toneladas do fruto ao longo de uma safra de quatro meses. Hoje, para comparação, o principal polo comercial de pequi no país, o Ceasa de Goiânia, trabalha com cerca de 3 mil toneladas ao longo de um ano.
Com recursos do programa REDD+ Early Movers Mato Grosso (REM MT), a expectativa é que a plataforma permita a produção de óleo de pequi em escala industrial, além de subprodutos como álcool para a indústria cosmética e biomassa para ração animal. De acordo com o Centro de Desenvolvimento Agroecológico do Cerrado (Cedac), organização responsável pela execução do projeto, o beneficiamento pode gerar R$ 21 milhões por ano para 1.041 famílias de Mato Grosso, sendo 540 indígenas.
“Além de renda para as famílias e conservação da biodiversidade, nós acreditamos que a valorização deste produto também vai aumentar o interesse em plantar pequi e recuperar áreas degradadas”, afirma Alessandra Karla, coordenadora-executiva e cofundadora do Cedac.
Alessandra conta que, para trabalhar com agricultura familiar, foi necessário superar uma visão antiquada de que plantas nativas eram um empecilho para o desenvolvimento agropecuário. “Na virada do século, não se sentiam os efeitos das mudanças climáticas e não havia conhecimento da importância da biodiversidade e do potencial econômico dessas espécies”, diz a coordenadora.
O cenário mudou. Há agora uma demanda por mudas de espécies nativas. Só no Mato Grosso, o Cedac já é responsável pelo plantio de 600 mil plantas, considerados os esforços do REM e outras iniciativas. O plano é que a plataforma industrial seja utilizada para diversas cadeias produtivas da zona de transição da Amazônia para o Cerrado, como o jatobá e a castanha.
A exploração sustentável de espécies nativas exemplifica como os investimentos climáticos governamentais podem combinar inclusão produtiva, atração de novos aportes financeiros e conservação da vegetação nativa. “É nesse ponto que nós trabalhamos mais forte com os povos que mantêm a floresta em pé. E aí a gente passa a estimular e abrir mercados para a bioeconomia”, diz Érika Gouveia, diretora de florestas da Embaixada Britânica.
O programa REM integra o portfólio de ações do Reino Unido por meio do International Climate Finance (ICF), que auxilia países no enfrentamento e mitigação dos efeitos das mudanças climáticas. Os investimentos no Brasil superam R$ 4,4 bilhões (£620 milhões).
“Eu diria que 60% do ICF no Brasil são voltados para diversas ações em áreas de floresta, reconhecendo seu valor e de seus guardiões. Entre nossas metas no longo prazo está atrair novos players e investimentos privados para garantir a sustentabilidade dos projetos”, afirma Gouveia.
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Fonte: matanativa.art
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