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Brasil se junta a Canadá, Suécia, Áustria e Noruega ao adotar a madeira engenheirada para erguer prédios: o que muda na segurança contra incêndios, tempo de obra e impacto ambiental
Como um painel de madeira pode superar o aço em um incêndio? O Brasil acaba de entrar no mapa da madeira engenheirada, ao lado de Canadá, Suécia, Áustria e Noruega. A resposta está na carbonização controlada do CLT: a camada externa queima de forma previsível, protegendo o núcleo estrutural que continua suportando carga. Isso muda completamente a segurança, o ritmo da obra e o impacto ambiental da construção civil.
O que é exatamente a madeira engenheirada e como o CLT se diferencia?
A madeira laminada cruzada, conhecida pela sigla CLT (Cross-Laminated Timber), é um painel estrutural formado por camadas de tábuas coladas em sentidos alternados. A diferença para o compensado comum está na espessura das lamelas e na capacidade de resistir a cargas em ambas as direções, como uma laje de concreto.
Diferente do glulam (madeira lamelada colada), que alinha todas as fibras na mesma direção e serve para vigas e pilares, o CLT funciona como parede, piso e até estrutura autoportante. Ele chega ao canteiro pronto, cortado com precisão milimétrica por controle numérico computadorizado, eliminando ajustes e desperdícios.
Como a madeira engenheirada (CLT) entrega segurança estrutural superior, reduz o tempo de obra e diminui a pegada de carbono
Como a madeira engenheirada resiste ao fogo melhor do que o aço?
O CLT recebe classificação REI 90, o que significa que mantém a capacidade de carga e a integridade estrutural por 90 minutos em um incêndio. O segredo é a carbonização: a superfície exposta ao fogo vira uma camada de carvão que isola termicamente o interior, preservando a resistência mecânica do miolo.
O aço, por outro lado, começa a perder metade de sua resistência estrutural em cerca de 15 minutos de exposição direta ao calor. A APA – The Engineered Wood Association lista desempenho superior ao fogo e também comportamento sísmico como vantagens comprovadas do CLT, resultado da leveza e da capacidade de dissipar energia.
Por que Canadá, Suécia, Áustria e Noruega já constroem prédios altos com madeira?
A Áustria foi pioneira: em 1998, aprovou o CLT para uso comercial, após a tese de Gerhard Schickhofer. De lá para cá, o material ganhou normatização internacional e se tornou a base de edifícios que desafiam a altura. A Noruega ergueu o Mjøstårnet, uma torre de 85,4 metros e 18 andares, toda em estrutura de madeira.
Na Suécia, o edifício Kajstaden usa CLT até nos poços de elevador. No Canadá, a torre residencial Origine, de 13 andares, prova que a madeira engenheirada também atende a demandas de habitação de alta densidade. Em todos esses casos, os códigos de obra locais já incorporaram o CLT como solução padrão.
Por Paulo Silva
Fonte: https://bmcnews.com.br/
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