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Por que oliveiras centenárias com mais de 200 anos e avaliadas em até R$ 100 mil viraram alvo de contrabando entre Argentina e Brasil e impulsionam mercado milionário de luxo
Árvores históricas e raras cruzam fronteiras ilegalmente enquanto se tornam símbolo de status em projetos paisagísticos de alto padrão no Brasil
O contrabando de oliveiras centenárias vindas da Argentina para o Brasil deixou de ser um caso isolado e passou a chamar a atenção das autoridades e do mercado de luxo. Nos últimos meses, esse tipo de operação ilegal ganhou força, impulsionado principalmente pelo alto valor dessas árvores e pela crescente demanda em projetos paisagísticos sofisticados.
A informação foi divulgada pela “Gazeta do Povo”, que detalhou apreensões recentes realizadas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), revelando um esquema que movimenta cifras elevadas e envolve logística complexa para transportar exemplares raríssimos de árvores com mais de 200 anos.
Apreensões revelam esquema crescente nas fronteiras brasileiras
Polícia apreende no Paraná árvores centenárias de origem estrangeira transportadas ilegalmente — Foto: PRF
No último domingo (12), a PRF apreendeu seis oliveiras centenárias em Maringá, no interior do Paraná. A carga, oriunda de contrabando, havia saído da Argentina e tinha como destino final a cidade de Herculândia, localizada na região de Marília, em São Paulo.
No entanto, o motorista do caminhão não conseguiu apresentar a documentação obrigatória exigida para esse tipo de importação. Entre os documentos exigidos estão a permissão fitossanitária, laudos laboratoriais comprovando a ausência de pragas e o desembaraço aduaneiro.
Diante da irregularidade, ele foi preso em flagrante, enquanto a carga foi encaminhada para um pátio da Receita Federal. Além disso, esse tipo de ocorrência não é mais raro: segundo a PRF, mais de cem oliveiras já foram apreendidas desde o ano passado, principalmente nas regiões de fronteira entre o Paraná, Santa Catarina e a Argentina, além de rodovias estratégicas no interior paranaense, como Cascavel e Maringá.
Mercado de luxo impulsiona contrabando de árvores raras
O crescimento desse tipo de crime está diretamente ligado ao mercado de alto padrão no Brasil. Isso porque oliveiras centenárias se tornaram peças-chave em projetos de arquitetura e paisagismo voltados para residências de luxo e condomínios exclusivos.
Empresas especializadas buscam essas árvores para atender clientes exigentes, especialmente em estados como São Paulo, Minas Gerais e Goiás. Como resultado, a demanda crescente elevou significativamente o valor desses exemplares.
No mercado regular, uma única oliveira centenária pode custar cerca de R$ 100 mil. Por outro lado, quando adquirida de forma clandestina, esse custo pode cair consideravelmente, o que acaba incentivando compradores e intermediários a recorrerem ao mercado ilegal.
Além disso, o fato de muitas dessas árvores terem mais de dois séculos de existência aumenta ainda mais o seu valor simbólico e financeiro, transformando-as em verdadeiras relíquias vivas dentro de projetos paisagísticos.
Origem histórica e excesso de oferta na Argentina explicam o fenômeno
As oliveiras têm origem na região do Mediterrâneo e também no Oriente Médio, sendo tradicionalmente associadas à produção de azeite, especialmente em países como a Espanha. Durante o século XVII, essas árvores foram levadas para a América do Sul por colonizadores espanhóis, chegando à Argentina, Chile e Uruguai.
Por outro lado, no Brasil, o cultivo dessas espécies só ganhou escala significativa no século XX. Essa diferença histórica ajuda a explicar por que a Argentina possui hoje um grande número de oliveiras antigas disponíveis.
Atualmente, devido à baixa produtividade em algumas regiões argentinas, muitos produtores optam por substituir essas árvores por culturas mais rentáveis. Consequentemente, isso gera uma oferta abundante de oliveiras centenárias, que acabam sendo vendidas em grandes quantidades — muitas vezes de forma irregular — para o Brasil.
Dessa forma, o cenário perfeito para o contrabando se forma: alta oferta de árvores antigas, grande demanda no mercado de luxo brasileiro e preços elevados que incentivam a ilegalidade.
Um mercado lucrativo que levanta alertas ambientais e legais
Embora o comércio dessas árvores seja altamente lucrativo, ele também levanta preocupações importantes. Isso porque a importação irregular pode trazer riscos fitossanitários, como a introdução de pragas e doenças que podem afetar a agricultura nacional.
Além disso, o transporte e a retirada dessas árvores de seus locais de origem também geram impactos ambientais significativos. Mesmo assim, o alto valor de mercado continua sendo o principal motor desse tipo de crime.
Portanto, enquanto o mercado de luxo segue impulsionando a demanda por elementos exclusivos e históricos, o contrabando de oliveiras centenárias tende a continuar sendo um desafio para as autoridades brasileiras.
Escrito Felipe Alves da Silva
Fonte: https://clickpetroleoegas.com.br
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