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06
abr
2026
(TECNOLOGIA)
Cientistas usam serragem misturada à argila para criar tijolo mais leve, prometem isolamento térmico eficiente e impressionam ao transformar descarte em solução para a obra

Pesquisa revela como resíduo da madeira pode reduzir peso dos tijolos e melhorar desempenho térmico, indicando alternativa sustentável e eficiente para a construção civil sem alterar processos tradicionais de fabricação.

Pesquisadores identificaram que a incorporação de serragem de madeira à argila pode gerar tijolos mais leves e com melhor desempenho térmico, em uma combinação que aproveita um resíduo comum da indústria madeireira e o transforma em material com potencial de uso na construção.

Os resultados foram apresentados em estudo científico publicado na revista Scientific Reports, que analisou o efeito da serragem nas propriedades físicas e térmicas de tijolos cerâmicos queimados.

Estudo analisa impacto da serragem na composição dos tijolos

A investigação foi conduzida por Omrane Benjeddou, do Departamento de Engenharia Civil da Prince Sattam bin Abdulaziz University, na Arábia Saudita.

Tijolos com serragem ficam mais leves e melhoram o isolamento térmico, apontam cientistas em estudo com foco em eficiência e sustentabilidade.

O trabalho avaliou cinco formulações de tijolos, com 0%, 2%, 4%, 6% e 8% de serragem em massa na composição da argila, para medir como a adição desse material alterava densidade, porosidade, condutividade térmica, difusividade térmica e capacidade térmica específica.

Tijolos mais leves e porosos com adição do resíduo

Na prática, o experimento mostrou que o aumento do teor de serragem deixou os tijolos progressivamente mais porosos e mais leves.

Segundo o artigo, a porosidade total subiu de 18% no modelo sem serragem para 42% na amostra com 8% do resíduo.

No mesmo intervalo, a densidade caiu de cerca de 2.090 kg por metro cúbico para 1.398 kg por metro cúbico, uma redução próxima de 33%.

Para os autores, esse comportamento está ligado à queima da matéria orgânica durante o processo de fabricação, que abre vazios internos na peça cerâmica.

Esse alívio de peso chamou atenção porque interfere diretamente na manipulação e no transporte das peças.

O estudo registra que, acima de 4% de serragem incorporada, os tijolos já podem ser enquadrados como leves, característica valorizada em sistemas construtivos que buscam reduzir carga estrutural e facilitar a execução.

Desempenho térmico melhora com presença de ar nos poros

Ao mesmo tempo, o ganho mais sensível para o uso em edificações apareceu no desempenho térmico, um ponto central para ambientes sujeitos a forte incidência de calor.

Tijolos com serragem ficam mais leves e melhoram o isolamento térmico, apontam cientistas em estudo com foco em eficiência e sustentabilidade.

Nos ensaios de laboratório, a condutividade térmica dos tijolos diminuiu à medida que a quantidade de serragem aumentou.

A amostra de referência, sem adição do resíduo, apresentou valor aproximado de 0,55 W por metro-kelvin.

Já a peça com 8% de serragem chegou a cerca de 0,41 W por metro-kelvin, uma queda superior a 25%.

O artigo associa esse resultado ao ar retido nos poros formados após a queima da serragem, já que o ar oferece maior resistência à passagem de calor do que a matriz sólida da argila.

Material desacelera troca de calor em edificações

O estudo também observou redução da difusividade térmica, indicador ligado à velocidade com que um material responde às variações de temperatura.

Em paralelo, houve aumento da capacidade térmica específica conforme a fração de serragem cresceu.

Esse conjunto de propriedades sugere um material mais interessante para envoltórias construtivas que precisam desacelerar a transferência de calor entre o exterior e o interior da edificação.

Esse fator é especialmente relevante em locais onde o conforto térmico influencia o consumo de energia com resfriamento artificial.

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Como os tijolos foram produzidos em laboratório

Para chegar a esses resultados, os pesquisadores fabricaram amostras em placas de 270 por 270 por 40 milímetros, com mistura controlada de argila, serragem e água.

Depois da moldagem, o material passou por secagem gradual em estufa, com etapas entre 40 °C e 110 °C, antes da queima em forno laboratorial.

Abastecimento e tratamento de águas

O ciclo térmico total de queima durou 23 horas e incluiu aquecimento progressivo até 850 °C, seguido de um período de manutenção nessa temperatura para consolidar a matriz cerâmica e promover a combustão do resíduo orgânico incorporado à massa.

Normas técnicas garantem precisão dos resultados

As medições foram feitas com base em normas técnicas para densidade, porosidade e transmissão térmica em regime estacionário.

No caso da condutividade térmica, os ensaios seguiram o padrão NF EN ISO 8990, com uso de aparato de caixa térmica capaz de aplicar diferença controlada de temperatura nas faces do material.

O artigo ressalta que essa metodologia permite avaliar, com reprodutibilidade, o comportamento do tijolo diante do fluxo de calor, dado considerado decisivo para materiais voltados à eficiência energética de edifícios.

Reaproveitamento de resíduos ganha espaço na construção

Além do ganho técnico, a pesquisa se encaixa em uma agenda mais ampla de reaproveitamento de resíduos da cadeia da madeira.

A serragem costuma ser gerada em grande volume em serrarias, marcenarias e processos industriais de corte e acabamento, e o estudo a trata como matéria-prima de valor agregado quando incorporada à cerâmica vermelha.

Ao substituir parte da argila por um subproduto já disponível, a solução busca combinar descarte reduzido, menor massa final e melhor isolamento térmico em um único produto.

Os autores destacam que a adição de serragem, sobretudo em proporções a partir de 4%, abre caminho para tijolos com perfil leve e termicamente mais eficiente, sem abandonar o processo tradicional de fabricação por queima.

Em um setor que lida com custos de transporte, desempenho térmico e pressão por soluções de menor impacto, a proposta chama atenção por usar um resíduo simples para alterar propriedades relevantes do material.

Se uma sobra tão comum da marcenaria consegue mudar o comportamento térmico de um tijolo, que outros descartes do dia a dia ainda podem virar solução real para a construção civil?

Escrito porAlisson Ficher

https://clickpetroleoegas.com.br/cientistas-usam-serragem-misturada-a-argila-para-criar-tijolo-mais-leve-prometem-isolamento-termico-eficiente-e-impressionam-ao-transformar-descarte-em-solucao-para-a-obra-afch/

Fonte: https://clickpetroleoegas.com.br/

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