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Visitamos uma propriedade com cerca de 300 hectares de floresta. Um conjunto impressionante, talhões bem formados, vigorosos, homogêneos, sanidade exemplar e produtividade acima da média. Daquelas florestas que fazem qualquer profissional parar, olhar com atenção e pensar: “aqui tem algo diferente”.
E fomos atrás desse “algo”.
Começaram as perguntas de praxe, preparo de solo, material genético, plantio, tratos culturais, manejo, cuidados ambientais, operações. A cada resposta, uma surpresa, nada fora do comum. Nenhuma técnica inovadora, nenhum pacote especial, nenhuma prática experimental. Tudo exatamente dentro do que é amplamente recomendado pela boa silvicultura.
Nada além do básico.
Em determinado momento, o proprietário resumiu tudo com uma frase simples, mas extremamente reveladora:
- “Já plantei em vários lugares e nunca fiz nada diferente.
- Sempre foi arroz com feijão.
- A diferença é que aqui o arroz com feijão foi bem feito.
- E foi bem feito graças ao Seu João.”
O Seu João é quem está no campo.
- É quem executa as operações.
- É quem prepara o solo no ponto certo.
- É quem respeita o momento do plantio.
- É quem não “atropela” etapas para ganhar tempo.
- É quem observa a floresta todos os dias, corrige pequenos erros antes que eles virem grandes problemas e está sempre alerta a qualquer coisa diferente.
Nada de milagre.
Nada além do recomendado.
Mas tudo muito bem feito.
Essa floresta deixa uma lição muito conhecida, mas que nem sempre recebe o destaque que merece:
- produtividade florestal não nasce no relatório, nem no PowerPoint, nem no discurso bonito. Ela nasce no campo.
Podemos, e devemos, discutir genética, clima, fertilidade, manejo, indicadores, sustentabilidade e certificações. Tudo isso importa. Mas sem execução de qualidade, todo esse conhecimento vira apenas intenção.
A realidade é simples e incômoda:
• Não falta tecnologia à silvicultura brasileira.
• Não faltam recomendações técnicas.
• Não faltam normas ambientais.
O que muitas vezes falta é valorizar quem executa.
Quando o executor de campo é tratado como detalhe, a floresta responde.
Quando é tratado como parte essencial do sistema, a produtividade aparece.
A floresta de 300 hectares não é exemplo porque fez algo extraordinário.
Ela é exemplo porque fez o básico muito bem feito.
E isso só acontece quando há gente capacitada, comprometida e respeitada conduzindo cada operação.
No fim, a silvicultura continua ensinando a mesma lição, geração após geração:
- alta produtividade florestal tem nome, sobrenome e botas sujas de terra.
Tem nome de Seu João.
Nenhum milagre.
Só trabalho bem feito, todos os dias.
Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br
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Fonte: Comunidade de Silvicultura
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