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A recuperação de áreas degradadas vai se consolidando como uma nova alternativa da silvicultura brasileira dentro da agenda de clima, biodiversidade e serviços ambientais. É um campo promissor, agora também conectado ao mercado de carbono, mas que exige critérios claros para ganhar legitimidade e evitar que iniciativas frágeis ou oportunistas ocupem espaço.
Num país continental como o Brasil, restaurar não é apenas plantar, é escolher onde e por que restaurar. Sem priorização, dispersam-se recursos e perde-se impacto ambiental real. Daí a importância de colocar o setor florestal nesse debate, pela sua experiência em escala, monitoramento e governança, tem muito a contribuir na construção de métricas e na organização da eficiência ambiental.
Instrumentos como o PLANAVEG, o PSA e a PNMC precisam, cada vez mais, sinalizar com clareza para onde a restauração deve se orientar, mananciais, corredores ecológicos, zonas de pressão antrópica e áreas críticas para segurança hídrica. Não é comparável, por exemplo, recuperar áreas estratégicas no entorno do Sistema Cantareira, em São Paulo, ou outras bacias, que abastecem grandes populações, com retorno direto para milhões de pessoas, e reflorestar uma pastagem remota na Amazônia, onde a regeneração natural já opera e a fiscalização é mínima. No primeiro caso, o resultado é visível e incontestável, no segundo, corre-se o risco de gerar ativos ambientais pouco verificáveis.
Com a entrada da restauração no debate climático e no mercado de carbono, o tema ganha outra dimensão. Quanto maior o valor financeiro potencial de um hectare restaurado, maior a necessidade de comprovar adicionalidade, permanência e monitoramento. Sem isso, o mercado perde credibilidade e a restauração vira apenas narrativa, sem entrega real.
Por isso, o avanço depende de critérios nacionais de priorização, métricas transparentes, monitoramento acessível, integração com a agenda climática e participação qualificada do setor florestal. Trata-se de transformar restauração em política pública e instrumento climático eficaz, e não em corrida de hectares.
No final, recuperar bem é recuperar com inteligência. Priorizar é garantir que cada hectare restaurado entregue valor ambiental para o país, segurança para o clima e credibilidade para o mercado.
Dar visibilidade aos trabalhos de restaurações é garantir a legitimidade das políticas públicas imprescindíveis na alavancagem das novas alternativas da silvicultura brasileira.
Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br
Fonte: Comunidade de Silvicultura
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