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Projeto propõe arranha céu de madeira em Tóquio com 350 metros e 70 andares, usando 185 mil m³ de madeira para armazenar carbono, reduzir emissões em até 60% e reposicionar a engenharia do Japão
Em Tóquio, a Sumitomo Forestry propôs uma torre de 350 metros com grande volume de madeira para armazenar carbono e diminuir emissões da construção, provocando debate técnico e chamando atenção do setor.
A ideia de arranha céu de madeira deixou de ser apenas curiosidade e passou a entrar no radar de engenheiros e urbanistas por um motivo direto: emissões.
A construção civil responde por uma fatia relevante das emissões globais, principalmente por causa do cimento, do aço e da energia usada nas obras, o que transforma cada grande prédio em um tema climático, além de urbano.
Nesse cenário, a madeira engenheirada aparece como alternativa porque mantém na estrutura o carbono que as árvores já capturaram durante o crescimento, funcionando como uma forma de armazenamento por décadas.
O que é o W350 Project e por que ele virou assunto em Tóquio
O caso que mais se aproxima dessa proposta é o W350 Project, um conceito de arranha céu de madeira com 350 metros de altura planejado para o centro de Tóquio, no Japão.
A proposta chama atenção por unir dois pontos raros em um mesmo projeto: altura extrema e uso massivo de madeira como material estrutural.
Se for construído, o W350 Project pode se tornar o prédio de madeira mais alto do mundo e também o edifício mais alto do Japão, segundo descrições do conceito.
Como a estrutura mistura madeira e aço para chegar aos 350 metros
O projeto foi pensado como uma torre híbrida, combinando madeira e aço em um sistema estrutural voltado para suportar cargas elevadas e ventos fortes em grande altura.
A estrutura prevê colunas e vigas em timber, com aço atuando no travamento em um sistema do tipo braced tube, solução usada para dar rigidez e estabilidade a edifícios muito altos.
Outro detalhe que mais chamou atenção é o visual proposto: grandes varandas com vegetação, criando a imagem de uma floresta vertical no meio da cidade.
Os números do projeto, 185 mil m³ de madeira e o que essa escala revela
A torre é descrita com 70 andares e um volume estimado de cerca de 185 mil m³ de madeira, o que deixa claro o tamanho do desafio técnico e logístico.
Esse número também reforça por que o tema entrou no centro do debate sobre construção sustentável. Quanto maior a estrutura, maior o potencial de reduzir emissões quando se troca parte do concreto e do aço por madeira engenheirada.
Especialistas citam que cada tonelada de madeira pode manter armazenado até cerca de 1,8 tonelada de CO₂, já capturado pelas árvores durante o crescimento.
Por que madeira pode funcionar como cofre de carbono em vez de emitir como concreto
A lógica do chamado “armazenamento de carbono” é simples, mas poderosa: enquanto concreto e aço costumam estar associados a emissões relevantes no ciclo de produção, a madeira carrega carbono que já foi absorvido.
Na prática, esse carbono fica retido na estrutura por décadas, desde que o material continue em uso, transformando o edifício em uma espécie de cofre de carbono urbano.
Estudos citados por especialistas apontam que substituir concreto por madeira em edifícios de múltiplos andares pode reduzir as emissões de gases de efeito estufa em até 50% a 60%, dependendo do tipo de construção e do método aplicado.
Vantagens, desafios e o que isso sinaliza para a engenharia em 2026
Entre as vantagens apontadas para o uso de madeira engenheirada estão menor pegada de carbono, boa performance térmica, menor peso estrutural e montagem mais rápida com elementos pré fabricados.
Por outro lado, existem desafios importantes. O custo inicial ainda pode ser mais alto do que o de um prédio convencional e, no caso do W350 Project, estimativas apontam que o valor pode chegar perto do dobro.
Também entram na conta as exigências de normas rígidas contra incêndio e a necessidade de garantir manejo florestal sustentável, para evitar que a solução ambiental se transforme em um novo problema.
O que pode acontecer agora é uma aceleração desse tipo de conceito em projetos reais, impulsionada por tendências de 2026 que combinam inovação, sustentabilidade e tecnologia, com uso de materiais de baixo carbono e ferramentas digitais como BIM e gêmeos digitais para otimizar obras complexas.
No fim, a proposta do W350 Project chama atenção por inverter a lógica da construção em altura: em vez de uma torre vista apenas como consumo de recursos e emissões, o projeto tenta transformar o prédio em um grande estoque de carbono no meio de Tóquio.
Noel Budeguer
Sou jornalista argentino, vivendo no Rio de Janeiro, especializado em temas militares, tecnologia, energia e geopolítica. Escrevo artigos sobre temas complexos em uma linguagem acessível, mantendo rigor jornalístico e foco no impacto social e econômico
Fonte: https://clickpetroleoegas.com.br
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