Notícias
A silvicultura brasileira de produção de madeira com espécies exóticas se consolidou em tecnologia, governança e impacto positivo na economia do país. Tornou-se relevante para o comércio exterior, para a geração de empregos diretos e terceirizados, para a bioeconomia e para a agenda climática global. Mas é apenas uma parte do setor florestal.
Quando o debate abrange todo o setor e entra na esfera das políticas públicas, principalmente num ano eleitoral, reaparece uma pergunta incômoda.
O que temos a reivindicar para o setor florestal brasileiro?
E, mais importante ainda, quem fala por nós?
Estamos diante de um ciclo político que inevitavelmente colocará temas sensíveis na mesa, energia, clima, uso do solo, carbono, biodiversidade, bioeconomia, mercado de serviços ambientais, ordenamento territorial, pesquisa, incentivos e competitividade global.
Nesses debates, o setor florestal será chamado, ou deixará de ser chamado, conforme sua capacidade de apresentar propostas, prioridades e justificativas claras.
Daí a provocação central.
Sabemos quais são as nossas prioridades nacionais?
Temos clareza sobre o que deveria ser solicitado ao Governo Federal?
Queremos apoio para quê? Pesquisa? Regulação? Incentivos? Fomento? Silvicultura de espécies nativas? Mercado de carbono? Pagamento por Serviços Ambientais? Ou tudo isso junto?
Quem define? Devemos, e queremos, participar dessas definições?
E mais uma questão estrutural, talvez a mais sensível.
Quem poderia apresentar reivindicações com legitimidade e respeito de todos os segmentos do setor?
A indústria? As empresas florestais? As entidades técnicas? As associações regionais? Ou uma coalizão institucional que ainda não existe plenamente?
Silvicultura de produção, indústria, nativas, bioeconomia, mercado, clima, fomento, terceirização, pesquisa, energia, carbono, cada eixo tem seus protagonistas. Porém, num ambiente político institucional, dispersão não é força, é vulnerabilidade. E falta de síntese costuma custar caro.
Um ano eleitoral exige articulação e presença.
E pode colocar diante do setor florestal uma oportunidade rara.
Podemos ser demandados sobre nossas prioridades.
Estamos preparados para responder?
Ou uma pergunta mais profunda ainda.
O setor florestal, em toda sua abrangência, deseja, e está pronto, para ter uma representação institucional que possa se apresentar com legitimidade e voz organizada em momentos como este?
Num ano eleitoral, o país olha para trás e para frente ao mesmo tempo. E, quando isso acontece, setores organizados falam, são ouvidos e influenciam agendas. Setores dispersos são apenas citados, ou ignorados.
Se não falarmos por nós, alguém falará. Se não reivindicarmos nossas prioridades, alguém as decidirá.
A esperança é que este ciclo político marque uma reflexão construtiva para integrar os mais diversos segmentos de um setor que já é grande demais para não ter voz.
O país ganhará muito quando o setor florestal souber dizer, com legitimidade, o que tem a oferecer e o que precisa para seguir contribuindo.
Nelson Barboza Leite – Agrônomo – Silvicultor – nbleite@uol.com.br
Fonte: Comunidade de Silvicultura
Notícias em destaque














