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Os dados da última edição da “Conjuntura de Móveis | Dezembro 2025”, estudo elaborado pelo IEMI com exclusividade para a ABIMÓVEL (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário), indicam que os resultados do último quadrimestre não foram suficientes para sustentar a indústria de móveis e colchões em um patamar consistente de crescimento ao longo do ano.
Apesar de avanços pontuais observados no período, os indicadores acumulados confirmam um cenário de ajuste da atividade, marcado pela perda de fôlego do consumo interno, com um desempenho ainda fragilizado do varejo, bem como por um ambiente externo que impõe novas barreiras às exportações.
Produção perde tração
Até o terceiro trimestre de 2025, a produção de móveis e colchões vinha sustentando um crescimento moderado. No entanto, na comparação com o ano anterior, o desempenho passou a perder ritmo, revertendo a trajetória positiva.
No último mês de outubro, a produção industrial no setor atingiu 41,4 milhões de peças, com alta de 6,1% em relação a setembro. No entanto, ao se observar o acumulado do ano, o indicador que era de +1,3% até o nono mês passou para -0,4% de janeiro até outubro.
No recorte de 12 meses, o indicador acumulou alta de 0,7%, ainda estável, mas em declínio.
Consumo interno
Tal dinâmica foi impulsionada, entre outros pontos, por um consumo interno aparente que segue linha semelhante, com 41,8 milhões de peças em outubro: +6,5% na passagem de setembro para outubro, mas com queda de 0,4% no acumulado do ano.
A participação dos produtos importados manteve-se em 5,8% no décimo mês do ano, sem alterações competitivas relevantes nesse sentido.
Emprego e investimentos na indústria de móveis
Apesar da instabilidade do cenário, o volume de emprego na indústria moveleira apresentou leve alta de 0,1% em outubro na comparação mensal. No ano, o indicador registrou crescimento de 8,0%, com avanço de 4,5% em 12 meses. Tais resultados mantiveram-se estáveis em relação ao observado em setembro.
Por outro lado, os investimentos em modernização, que passaram a apresentar desaceleração no segundo semestre, caíram ainda mais em outubro e novembro. As importações de máquinas e equipamentos para a fabricação de móveis cresceram 35,6% até outubro, caindo para +29,1% até novembro de 2025. Embora o patamar ainda seja elevado, a perda de ritmo indica maior cautela e seletividade nas decisões de investimento dos industriais moveleiros diante das incertezas econômicas internas e do ambiente comercial internacional.
Comércio exterior segue volátil e passa por reconfiguração de mercados
Por falar no comércio exterior, as importações de móveis recuaram 2,9% em outubro, totalizando R$ 30,6 milhões, mas voltaram a crescer em novembro, com alta de 7,1%, alcançando R$ 32,8 milhões.
Já as exportações de móveis avançaram 2,1% em outubro, somando US$ 68,0 milhões no mês, mas caíram 8,3% em novembro, quando totalizaram US$ 62,3 milhões. Ainda assim, o setor acumula crescimento de 1,5% entre janeiro e novembro de 2025 frente a igual período de 2024 (menor que os +2,1% acumulados até outubro); e de 2,6% em 12 meses.
Mesmo com leve avanço, contudo, o desempenho permanece aquém das expectativas iniciais para o ano, influenciado principalmente pela retração das vendas aos Estados Unidos após o tarifaço. A participação do país nas exportações brasileiras de móveis caiu de 29,5% para 24,3% na comparação entre janeiro e novembro de 2024 com igual período em 2025.
Em contrapartida, mercados regionais como Uruguai, Chile e Argentina ampliaram sua relevância, indicando um processo de diversificação de destinos. Mas ainda insuficiente para compensar integralmente a perda no principal mercado importador.
Atualizações sobre tarifas, barreiras comerciais e novas dinâmicas no mercado internacional serão destaque de um próximo artigo no site da ABIMÓVEL ao longo desta semana.
Varejo melhora pontualmente, mas encerra 2025 em retração
No mercado interno, as vendas de móveis no varejo cresceram 2,0% em volume em outubro frente a setembro. O avanço mensal, porém, não altera o quadro estrutural: no acumulado entre janeiro e outubro de 2025, o indicador registra queda de 4,5%; em 12 meses houve retração de 2,7%.
Em receita, as vendas avançaram 2,1% em outubro, mas recuaram 1,4% no acumulado do ano. Em 12 meses, o faturamento do varejo apresentou leve alta de 0,3%, baseado sobretudo por reajustes de preços e mudanças no mix de produtos, e não por expansão efetiva do volume comercializado.
Inflação do mobiliário permanece controlada
Segundo o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Final), os preços nacionais de mobiliário registraram alta de 0,19% em novembro de 2025. No acumulado do ano, o indicador soma 3,57%, e, em 12 meses, 4,65%, mantendo-se em patamar compatível com o cenário inflacionário geral e sem pressão adicional relevante sobre o consumo.
Perspectivas 2026
O setor de móveis encerrou 2025 operando, portanto, em um contexto de ajuste, após uma inflexão relevante da trajetória produtiva ao longo do ano.
Para além de estratégias bem estruturadas por partes das empresas — incluindo a incorporação de valor agregado, maior presença e diversificação de mercados, além do fortalecimento de marca —, a evolução do setor em 2026 dependerá especialmente da trajetória do crédito, da renda das famílias, do desempenho do varejo e do ambiente externo, com negociações diplomáticas e comerciais efetivas, bem como da capacidade do setor de avançar em estratégias de valor agregado, diversificação de mercados e fortalecimento da competitividade estrutural.
A íntegra da Conjuntura de Móveis – Novembro/2025 está disponível no acervo digital da ABIMÓVEL: abimovel.com/capa/acervo-digital
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https://abimovel.com/inflexao-da-atividade-marcou-2o-semestre-de-2025-na-industria-de-moveis/
Fonte: Abimóvel
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