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Espécie nativa da Mata Atlântica, a imbuia combina veios marcantes, durabilidade e sofisticação em projetos de arquitetura e interiores
Presença marcante, veios expressivos e uma tonalidade profunda fazem da imbuia uma das madeiras brasileiras mais valorizadas na arquitetura e na decoração. Tradicionalmente associada à marcenaria de alto padrão, ela atravessa décadas sem perder relevância, justamente por unir estética, resistência e identidade nacional.
Espécie nativa da Mata Atlântica, a imbuia (Ocotea porosa) teve suas características botânicas, tecnológicas e de uso amplamente documentadas no livro ´Espécies Arbóreas Brasileiras´ volume 1, do pesquisador Paulo Ernani Ramalho Carvalho, publicado pela Embrapa Florestas — referência que ajuda a compreender por que essa madeira segue tão presente em projetos contemporâneos que valorizam materiais duráveis, autorais e de origem brasileira.
Características da madeira imbuia
Segundo o livro, a imbuia é classificada como uma madeira moderadamente densa. Trata-se de uma madeira de textura média, grã direita a levemente reversa, e superfície naturalmente lisa, com brilho discreto.
Um de seus aspectos mais valorizados é a grande variação cromática do cerne, que pode ir do pardo-amarelado ao castanho escuro, com veios paralelos ou ondulados que formam desenhos naturais bastante expressivos. Além disso, possui o cheiro característico e agradável da madeira, além do gosto amargo e adstringente — traços comuns nas espécies do gênero Ocotea.
Do ponto de vista do desempenho, a imbuia possui boa durabilidade natural, com resistência ao ataque de organismos xilófagos, o que explica seu uso histórico em mobiliários, painéis, esquadrias e elementos estruturais. No entanto, é uma madeira de secagem lenta, especialmente em peças mais espessas, exigindo controle cuidadoso para evitar rachaduras e colapsos internos. Em compensação, apresenta ótima trabalhabilidade, proporcionando bom acabamento e aceitando bem vernizes e pinturas.
Essas características técnicas ajudam a entender porque a imbuia consolidou-se como uma madeira de alto valor estético e funcional, especialmente indicada para aplicações onde o desenho, o acabamento e a longevidade são decisivos.
Usos da imbuia na arquitetura
Historicamente, a madeira de imbuia foi utilizada em vigas, assoalhos, esquadrias, portas, janelas e forros, além de mobiliários de luxo, painéis decorativos, peças torneadas e instrumentos musicais. Hoje, seu uso é mais concentrado na marcenaria sob medida em painéis, portas, aparadores, estantes e mobiliário fixo, onde sua estética pode ser plenamente valorizada.
Para a arquiteta Tássia Pereira, sócia do escritório TT Interiores, a imbuia funciona especialmente bem em projetos residenciais. “Ela traz presença e acabamento sofisticado, por isso é uma madeira que se destaca muito na marcenaria sob medida”, explica.
Segundo Tássia, seu diferencial visual está no tom mais profundo e nos veios elegantes. “É uma madeira com cara de peça autoral e, ao mesmo tempo, muito brasileira. Ela entrega um luxo discreto, sem precisar de tingimento ou artifícios”, explica.
Como combinar a imbuia na decoração
Justamente por ter uma cor mais escura e veios marcantes, a imbuia pede projeto e dosagem. “A variação natural de tons influencia diretamente o desenho”, explica Tássia. “A paginação precisa ser cuidadosa para um resultado contínuo e refinado. Costumamos equilibrar com bases claras, tecidos naturais e uma iluminação bem pensada, para valorizar a madeira sem pesar o ambiente.”
Quando bem aplicada, a imbuia é capaz de unir acolhimento e sofisticação. “A sensação de aconchego vem da temperatura visual da madeira, enquanto a sofisticação aparece no desenho dos veios e no acabamento. E, por não depender de tendências, ela se mantém atemporal”, diz a arquiteta.
A madeira conversa especialmente bem com os estilos contemporâneo sofisticado, clássico atual e propostas mais orgânicas, como o japandi, desde que usada com parcimônia e combinada a tons claros.
Vantagens da imbuia e cuidados
Além da estética, a imbuia oferece boa percepção de durabilidade. Trata-se de uma madeira densa e resistente, cujo desempenho no uso cotidiano depende principalmente do acabamento e da proteção contra umidade, atrito excessivo e exposição direta ao sol.
A arquiteta recomenda cuidados simples: “A limpeza deve ser feita com pano macio levemente umedecido e sabão neutro, evitando produtos abrasivos. Proteger do sol direto ajuda a manter a cor mais estável, e feltros nos móveis fazem diferença na conservação”. Manutenções pontuais no acabamento, quando necessárias, ajudam a prolongar a vida útil das peças.
Por ser uma madeira naturalmente impermeável a tratamentos sob pressão, a especificação correta desde o início é essencial — mais um motivo para optar por profissionais especializados.
Com a exploração controlada da espécie, a imbuia passou a ser utilizada de forma mais seletiva, muitas vezes em elementos protagonistas do projeto. “Para quem vai usar pela primeira vez, o ideal é começar com uma peça-chave, como um painel, uma porta ou um aparador, e construir o restante do ambiente para valorizar a madeira”, orienta Tássia.
Layla Silva
Fonte: https://revistacasaejardim.globo.com
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