Voltar

Notícias

03
jan
2026
(PAPEL E CELULOSE)
Com 300 caminhões de árvores por dia, 500 toneladas de papelão reciclado e 75 por cento da energia gerada queimando resíduos

Com 300 caminhões de árvores por dia, 500 toneladas de papelão reciclado e 75% da energia gerada queimando resíduos, a maior empresa de papel e papelão do mundo transforma florestas de pinheiros da Geórgia em carbono e caixas para os EUA

A maior empresa de papel e papelão do mundo transforma florestas de pinheiros em caixas de papelão, usa energia de resíduos e reciclagem de papelão.

Na Geórgia, a maior empresa de papel e papelão do mundo recebe diariamente 300 caminhões lotados de árvores, recicla 500 toneladas de papelão e gera 75% da energia queimando resíduos, enquanto transforma florestas privadas de pinheiros em celulose, carbono industrial e milhares de caixas que abastecem o consumo dos EUA.

Em 2022, o próprio relatório de sustentabilidade da International Paper expôs o custo climático de operar a maior empresa de papel e papelão do mundo, mostrando que o carbono liberado no processamento das árvores já supera mais do que o dobro das emissões da queima de combustíveis fósseis em suas operações, enquanto as fábricas seguem convertendo pinheiros em energia, polpa e embalagens para o mercado americano.

Numa planta da companhia no estado da Geórgia, cerca de 300 caminhões de árvores recém cortadas chegam todos os dias, uma linha própria de reciclagem reprocessa 500 toneladas de papelão usado por dia e uma usina interna gera 75% da energia que a fábrica consome queimando resíduos. Tudo isso acontece em uma região conhecida como o cesto de madeira da América, onde a cobertura florestal dos Estados Unidos permanece praticamente estável desde os anos 2000, mesmo com a pressão da indústria de celulose e papel.

Florestas de pinheiros viram investimento industrial no sul dos EUA

A matéria-prima dessa engrenagem começa muito antes da porta da fábrica. Silvicultores mostram áreas que foram cortadas há cerca de dez anos e rapidamente replantadas com pinheiros de crescimento rápido, em ciclos que podem levar em torno de trinta anos entre uma colheita e outra.

Depois da derrubada, os proprietários rurais vendem as árvores para diferentes indústrias, que as transformam em madeira serrada, postes, celulose e embalagem ondulada.

A lógica da maior empresa de papel e papelão do mundo e de seus fornecedores é clara: transformar floresta em ativo financeiro, garantindo um mercado estável para a madeira e, em troca, um incentivo econômico para que essas áreas sejam mantidas como plantações de pinus em vez de serem convertidas em lavouras, estacionamentos ou outros usos permanentes do solo.

Críticos, porém, lembram que monoculturas de pinheiros não são o mesmo que florestas naturais.

O sul dos Estados Unidos abriga apenas uma pequena parcela das florestas do planeta, mas responde por uma fatia desproporcional da produção global de celulose e papel, o que faz da região um símbolo de alta produtividade para uns e de alta exploração para outros.

Pátio de madeira com pilhas gigantes e irrigador contra incêndio

Ao chegar à fábrica da Geórgia, os caminhões descarregam toras vindas de fazendas e florestas num raio aproximado de 120 milhas.

Parte fica empilhada em montes gigantescos, que garantem matéria-prima suficiente para manter a linha operando 24 horas por dia. Um sistema de irrigadores mantém a madeira úmida, reduzindo o risco de incêndio nas pilhas.

Um guindaste alimenta um grande tambor descascador que retira a casca dos troncos.

Essa casca não é jogada fora. Ela vira combustível nas caldeiras da própria planta.

Em seguida, as toras descascadas vão para um triturador que as transforma em lascas de madeira, acumuladas em uma montanha que pode chegar a perto de 1 milhão de toneladas estocadas, volume que leva aproximadamente dez dias para ser totalmente processado.

Química pesada, vapor e energia gerada com o próprio resíduo

Na etapa conhecida como pulping, as lascas de pinus seguem por uma esteira até enormes digestores. Lá dentro, vapor e produtos químicos dissolvem a lignina, a cola natural que mantém as fibras unidas.

O objetivo é liberar fibras longas e resistentes, ideais para papéis estruturais, e descartar a parte pegajosa.

O processo gera gases com cheiro de enxofre, responsáveis pelo odor típico de fábricas de papel, mas a International Paper afirma capturar grande parte desses gases para reduzir o cheiro e as emissões.

O que sobra da mistura química e dos resíduos de madeira é chamado de licor negro.

Em vez de virar lixo perigoso, esse licor é concentrado e queimado em uma caldeira de recuperação, onde gera vapor e permite reaproveitar parte dos produtos químicos usados no processo.

A planta funciona quase como um parque químico interno e, graças a essa recuperação, produz cerca de 75% de sua própria energia, reduzindo a compra de combustíveis fósseis em relação ao passado, embora ainda libere grandes quantidades de carbono ao processar as árvores.

Antes da polpa se tornar papel, a linha recebe ainda um reforço de fibras de origem reciclada.

É aqui que entram as 500 toneladas diárias de papelão pós-consumo que chegam de centros de distribuição e supermercados situados em um raio de centenas de quilômetros.

O sistema é projetado para remover sujeira, graxa, fita adesiva e até restos de comida, permitindo que até caixas de pizza sejam recicladas com segurança.

Máquinas gigantes transformam polpa em rolos de papel estruturado

Com fibras virgens e recicladas misturadas em grandes tanques de água e produtos químicos, a massa úmida segue para uma máquina conhecida simplesmente como máquina de papel.

O equipamento é tão longo que a folha vai secando aos poucos, primeiro prensada para expulsar água, depois passando por cilindros aquecidos a mais de 93 graus Celsius.

Ao final da linha, o resultado ainda é um papel contínuo, enrolado em enormes bobinas. Só na etapa seguinte ele ganha a forma que o público reconhece como caixa.

Esses rolos são enviados para fábricas de embalagem ondulada, onde a maior empresa de papel e papelão do mundo converte o material em produtos sob medida para supermercados, indústrias e comércio eletrônico.

Do rolo de papel à caixa ondulada que chega na porta do consumidor

Em uma planta de caixas, como a que a International Paper opera em estados do Meio-Oeste americano, o coração da linha é o ondulador.

Nele, uma das camadas de papel é aquecida e prensada contra rolos com ranhuras, o que cria as flautas onduladas que dão rigidez às embalagens.

Flautas menores permitem melhor impressão, mas são menos resistentes. Flautas maiores sacrificam qualidade de impressão para ganhar resistência mecânica.

Combinando diferentes tipos de flauta e gramaturas de papel, a empresa consegue fabricar mais de 1,6 milhão de designs diferentes de caixas, indo de embalagens minúsculas, do tamanho de uma caixinha de anel, até estruturas suficientes para proteger uma máquina de lavar.

Depois da colagem das camadas, as chapas passam por impressoras gráficas e máquinas de corte que definem o formato final, quase sempre enviado plano para economizar espaço no transporte.

Os recortes e sobras voltam para a usina de reciclagem, fechando mais um ciclo interno da cadeia.

Reciclagem alta, mas dependência permanente de árvores novas

Nos Estados Unidos, mais de 70% do papelão usado é reciclado, uma taxa bem superior à de alumínio, vidro ou plástico.

Cerca de 80% dos americanos têm acesso à coleta de papelão em suas calçadas, o que ajuda a manter o fluxo de caixas usadas de volta às fábricas. Esse índice elevado é um dos pilares da narrativa de sustentabilidade da maior empresa de papel e papelão do mundo.

Mas especialistas lembram que o papelão não pode ser reciclado indefinidamente. Estudos apontam que as fibras de papel suportam cerca de sete ciclos de reciclagem.

A cada vez, as fibras se encurtam e enfraquecem, até que se degradam tanto que escapam pelas telas do processo e deixam de ser aproveitadas.

Mesmo num cenário hipotético em que 100% das caixas voltassem para reciclagem, ainda seria necessário entrar fibra virgem, o que mantém viva a pressão sobre as plantações de pinus.

Plantios de pinus, florestas naturais e o saldo de carbono

A International Paper afirma que mais de 90% da fibra que utiliza vem de árvores do sul dos Estados Unidos, a maior parte em propriedades privadas.

A empresa diz que oferece um mercado que permite aos donos manter as áreas como florestas comerciais e pagar pelo replantio, evitando que as terras sejam convertidas em usos definitivos, como agricultura intensiva ou infraestrutura.

Ao mesmo tempo, organizações ambientais argumentam que essas plantações de pinus estão substituindo florestas naturais mais diversas.

Pesquisas citadas por ambientalistas indicam que florestas nativas podem armazenar muito mais carbono do que plantações comerciais, além de prestar serviços como filtragem de água potável e redução da erosão.

Técnicas de manejo que preservam árvores grandes e parte da complexidade estrutural podem aproximar as plantações de um modelo mais sustentável, mas especialistas alertam que isso exige silvicultura altamente qualificada e nem sempre aplicada na prática.

Para reforçar a imagem de responsabilidade, a maior empresa de papel e papelão do mundo destaca certificações estampadas em suas caixas e relata que uma parcela relevante das fibras usadas vem de florestas certificadas por padrões de manejo sustentável.

A disputa entre a narrativa da conservação e a realidade industrial, porém, continua aberta nas florestas do sul americano, onde milhões de pinheiros seguem entrando em caminhões para virar energia, carbono e caixas que circulam o planeta.


Escrito porMaria Heloisa Barbosa Borges

https://clickpetroleoegas.com.br/com-300-caminhoes-de-arvores-por-dia-500-toneladas-de-papelao-reciclado-e-75-da-energia-gerada-queimando-residuos-mhbb01/

Fonte: https://clickpetroleoegas.com.br/

ITTO Sindimadeira_rs

Notícias em destaque