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Notícias

17
dez
2025
(MÓVEIS)
Indústria moveleira ajusta rotas de exportação diante de tarifas dos EUA

Exportações de móveis e colchões cresceram em outubro, mas acumulado do ano perde força

As exportações brasileiras de móveis e colchões encerraram outubro com US$ 67,9 milhões embarcados no mês, variação positiva de 2,1% sobre setembro. O resultado consolida dois meses consecutivos de alta após os impactos iniciais da sobretaxa de até 50% imposta pelos Estados Unidos a uma série de produtos brasileiros em agosto de 2025.

No recorte acumulado, o cenário permanece positivo, mas com desaceleração:

o +4,4% entre janeiro e outubro de 2025 vs. igual período de 2024
o +6,3% nos últimos 12 meses
o O acumulado até setembro, porém, alcançava +4,8%

Tal movimento parece refletir tanto o ajuste dos embarques aos EUA quanto a reorganização logística e comercial para outros destinos.

Mesmo em queda, EUA continuam sendo o principal mercado importador

Entre janeiro e outubro, os Estados Unidos permaneceram como principal destino do mobiliário brasileiro, representando 25,2% das exportações do setor. Contudo, a participação recuou frente ao mesmo período de 2024, quando era de 29,2%.

A retração nos embarques aos EUA tem provocado mudanças relevantes na geografia comercial do setor. O Uruguai, segundo destino mais importante, ampliou sua parcela para 11,4% no acumulado do ano (era de 7,3% em igual período no ano passado), enquanto o Chile manteve estabilidade, com 7,4%.

O destaque, no entanto, vem da Argentina, que recupera capacidade de importação e já responde por 5,8% da pauta do setor. Índice que é mais do que o triplo do observado um ano antes: 1,9%.

Exportações e reconfigurações na cadeia de suprimentos

O movimento de redirecionamento das exportações é também evidente quando se observa o desempenho da indústria de componentes, fornecedores e máquinas. No acumulado entre janeiro e outubro de 2025, os Estados Unidos seguiram como o principal destino, com 32,2% de participação, mas apresentaram queda importante em relação ao ano anterior, quando representou 40,3% das exportações no período.

Em sentido oposto, Singapura passou de uma participação de 2,2% em 2024 para 13,1% em 2025, tornando-se um dos centros logísticos de maior expansão para o setor. O crescimento expressivo indica maior utilização do país como porta de entrada para novos mercados, especialmente do Sudeste Asiático, e demais hubs comerciais da região.

A Argentina também ampliou sua participação, de 10,7% para 11,7% no período comparado.

Nova geografia do comércio exterior do setor

A ‘Conjuntura de Móveis – Novembro/2025’, recém-publicada pela ABIMÓVEL (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário), destaca, portanto, movimentos simultâneos:

América Latina

o Mercados próximos facilitam redirecionamentos mais rápidos de pedidos, tanto pelo viés do design e da qualidade quanto logístico. Importadores de toda a região participam de rodadas de negócios no Brasil e há também aumento da participação brasileira em feiras regionais por meio do Projeto Brazilian Furniture.


Europa

o Rearticulação estratégica com a presença brasileira em grandes eventos do setor, levando design assinado, gestão sustentável e conformidade técnica. O próximo destino é a IMM Cologne, que ocorrerá na Alemanha em janeiro de 2026.

Ásia e Oriente Médio

o Avanço de obras imobiliárias no continente tem aberto novas oportunidades para móveis tanto residenciais quanto corporativos. O Brazilian Furniture vem atuando de forma estratégica com ações em diferentes regiões da Ásia.

Essas frentes de expansão comercial fazem parte dos esforços da ABIMÓVEL em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) para a internacionalização e fortalecimento da indústria brasileira de móveis.

Negociações com os EUA: avanços importantes, mas ainda sem reflexos no setor

No campo regulatório, as incertezas permanecem concentradas nos Estados Unidos. Embora a retirada da tarifa adicional de 40% sobre mais de 200 produtos agrícolas brasileiros represente um sinal positivo nas negociações bilaterais, a medida não abrange bens industriais, incluindo móveis, madeira processada, alumínio e outros insumos estratégicos. Assim, os custos adicionais e as barreiras comerciais permanecem como fator limitante para as exportações do setor em seu principal destino.

Além disso, em 21 de novembro, o Departamento de Comércio dos EUA abriu consulta pública, por meio do Federal Register, sobre supostos subsídios concedidos à cadeia de madeira suave em seis países exportadores, entre eles o Brasil. A ABIMÓVEL acompanha o tema de perto, com suporte jurídico especializado, e segue fornecendo informações que demonstram a importância econômica e a conformidade regulatória da cadeia moveleira brasileira.

O que esperar para o próximo ano

Para as exportações no setor moveleiro, os próximos passos dependerão de três fatores-chave:

1. Resultado das negociações tarifárias com os Estados Unidos
2. Capacidade de consolidação em mercados que ampliaram participação
3. Execução das ações estratégicas programadas para 2026, com destaque para eventos internacionais
.
Enquanto isso, as empresas seguem ajustando portfólios, condições comerciais e rotas logísticas para preservar competitividade.

Já a ABIMÓVEL continuará atuando na defesa do setor, apoiando a indústria exportadora e reforçando o compromisso com a agregação de valor por meio do design, da sustentabilidade e da normalização técnica para o mercado interno e global.

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ABIMÓVEL – Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário
Assessoria de Imprensa: press@abimovel.com | (14) 99156-0238

https://abimovel.com/industria-moveleira-ajusta-rotas-de-exportacao-diante-de-tarifas-dos-eua/

Fonte: https://abimovel.com

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