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Notícias
30
nov
2005
(GERAL)
Pobres querem dinheiro para manter floresta de pé
A COP-11 (Décima Primeira Conferência das Partes) da Convenção do Clima da ONU começou ontem em Montréal, no Canadá, com o país-anfitrião pedindo uma ação mais ampla contra o aquecimento global.
"Vamos mirar uma abordagem mais eficaz, mais inclusiva e de longo prazo contra a mudança climática", disse o ministro do Ambiente canadense, Stéphane Dion, na abertura da conferência, que reunirá cerca de 10 mil representantes de 189 países até o dia 9 de dezembro. "É preciso mais ação agora", afirmou.
Por "abordagem inclusiva" Dion quis dizer que a guerra diplomática a ser travada em Montréal nos próximos dias tem o objetivo de trazer para as negociações de um novo acordo contra o efeito estufa (já que o Protocolo de Kyoto expira em 2012) dois grupos de países: um formado pelos Estados Unidos, maior emissor mundial de gases-estufa, e outro liderado por Índia, China e Brasil. Os EUA de George W. Bush se retiraram de Kyoto em 2001. Os gigantes do Terceiro Mundo não são obrigados a reduzir suas emissões por Kyoto, mas deverão ter de fazê-lo no futuro.
É do Terceiro Mundo que vem a principal novidade da COP-11. Amanhã, um bloco de nações em desenvolvimento liderado por Costa Rica e Papua Nova Guiné deve fazer uma proposta radical à conferência: eles querem receber dinheiro para preservar as florestas tropicais.
O grupo, autodenominado Coalizão das Florestas Tropicais, argumenta que o resto do mundo está se beneficiando da riqueza natural das florestas --inclusive de seu papel como agentes reguladores do clima-- sem dividir os custos. Uma forma de corrigir esse desequilíbrio seria fazer com que a manutenção das florestas, o chamado desmatamento evitado, pudesse gerar créditos de carbono negociáveis internacionalmente.
O Protocolo de Kyoto, único acordo internacional existente para reduzir as emissões de gases-estufa como o dióxido de carbono, já permite, por meio do chamado Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, que países pobres vendam créditos às nações com metas de redução a cumprir. O desmatamento evitado, no entanto, está fora do esquema.
"O objetivo é alinhar os interessas das nações florestadas em desenvolvimento com os das nações industriais -com as últimas fornecendo mercados para créditos de carbono e produtos florestais", disse Sir Michael Somare, premiê papuano. "Se nós, as nações com florestas, reduzirmos nossas emissões de gases-estufa, deveríamos ser compensados por essas reduções", afirmou.
O Brasil, país que tem no desmatamento a fonte de dois terços de suas emissões --mas que sempre evitou tratar do tema no âmbito de Kyoto--, deve pegar carona na iniciativa da coalizão para propor também que a redução do desmatamento seja compensada de alguma forma num esquema pós-Kyoto. Mas sem metas obrigatórias de redução.
"O fato de Papua ter colocado [o assunto] na pauta abre o processo de discussão", disse à Folha o secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco. "Interessa apoio para o conceito de que a redução do desmatamento faça parte da Convenção [do Clima] --sem reabrir Kyoto."
Folha On Line / com "The Independent" e agências internacionais
"Vamos mirar uma abordagem mais eficaz, mais inclusiva e de longo prazo contra a mudança climática", disse o ministro do Ambiente canadense, Stéphane Dion, na abertura da conferência, que reunirá cerca de 10 mil representantes de 189 países até o dia 9 de dezembro. "É preciso mais ação agora", afirmou.
Por "abordagem inclusiva" Dion quis dizer que a guerra diplomática a ser travada em Montréal nos próximos dias tem o objetivo de trazer para as negociações de um novo acordo contra o efeito estufa (já que o Protocolo de Kyoto expira em 2012) dois grupos de países: um formado pelos Estados Unidos, maior emissor mundial de gases-estufa, e outro liderado por Índia, China e Brasil. Os EUA de George W. Bush se retiraram de Kyoto em 2001. Os gigantes do Terceiro Mundo não são obrigados a reduzir suas emissões por Kyoto, mas deverão ter de fazê-lo no futuro.
É do Terceiro Mundo que vem a principal novidade da COP-11. Amanhã, um bloco de nações em desenvolvimento liderado por Costa Rica e Papua Nova Guiné deve fazer uma proposta radical à conferência: eles querem receber dinheiro para preservar as florestas tropicais.
O grupo, autodenominado Coalizão das Florestas Tropicais, argumenta que o resto do mundo está se beneficiando da riqueza natural das florestas --inclusive de seu papel como agentes reguladores do clima-- sem dividir os custos. Uma forma de corrigir esse desequilíbrio seria fazer com que a manutenção das florestas, o chamado desmatamento evitado, pudesse gerar créditos de carbono negociáveis internacionalmente.
O Protocolo de Kyoto, único acordo internacional existente para reduzir as emissões de gases-estufa como o dióxido de carbono, já permite, por meio do chamado Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, que países pobres vendam créditos às nações com metas de redução a cumprir. O desmatamento evitado, no entanto, está fora do esquema.
"O objetivo é alinhar os interessas das nações florestadas em desenvolvimento com os das nações industriais -com as últimas fornecendo mercados para créditos de carbono e produtos florestais", disse Sir Michael Somare, premiê papuano. "Se nós, as nações com florestas, reduzirmos nossas emissões de gases-estufa, deveríamos ser compensados por essas reduções", afirmou.
O Brasil, país que tem no desmatamento a fonte de dois terços de suas emissões --mas que sempre evitou tratar do tema no âmbito de Kyoto--, deve pegar carona na iniciativa da coalizão para propor também que a redução do desmatamento seja compensada de alguma forma num esquema pós-Kyoto. Mas sem metas obrigatórias de redução.
"O fato de Papua ter colocado [o assunto] na pauta abre o processo de discussão", disse à Folha o secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco. "Interessa apoio para o conceito de que a redução do desmatamento faça parte da Convenção [do Clima] --sem reabrir Kyoto."
Folha On Line / com "The Independent" e agências internacionais
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