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Estudo mostra que a presença dos predadores abriu caminho para a recuperação dos álamos, antes devastados pelo excesso de alces
Há algo inédito acontecendo no Parque Nacional de Yellowstone: depois de oito décadas sem se firmar, mudas de álamos tremedores estão finalmente crescendo altas e fortes na porção norte do parque. O ressurgimento dessas árvores emblemáticas do Oeste americano está diretamente ligado ao retorno de outro habitante lendário da região — o lobo-cinzento.
Mas o que aproxima lobos e álamos? A resposta está em um terceiro personagem dessa história: o alce. De acordo com um estudo publicado na revista Forest Ecology and Management por pesquisadores da Universidade Estadual do Oregon, o predador teve um papel crucial na recuperação das árvores.
Isso porque, desde que os lobos desapareceram de Yellowstone, na década de 1930, a população de alces disparou — chegando a cerca de 17 mil animais em 1995. Com tantos herbívoros, os brotos de álamo eram consumidos logo no inverno, impedindo a renovação dos bosques.
“[Os álamos] brotavam novos brotos, mas eles não conseguiam crescer mais [por causa dos alces]”, explicou Luke Painter, ecologista da Universidade Estadual do Oregon e principal autor do estudo, em entrevista ao Oregon on the Record. “Os povoamentos basicamente tinham árvores mais velhas… e elas estavam morrendo, e não havia nenhum novo crescimento embaixo, de álamos jovens, para substituir essas árvores mais velhas.”
A volta dos lobos em 1995 mudou esse cenário. Com o número de alces reduzido pela ação dos predadores, o álamo pôde se recompor. A equipe de Painter avaliou 87 áreas de álamo no norte de Yellowstone em 2012. Oito anos depois, a surpresa: em 43% desses locais já havia árvores jovens, com troncos de pelo menos cinco centímetros de diâmetro — um marco que não ocorria desde os anos 1940.
O impacto é expressivo. Entre a reintrodução dos lobos e 2020, o número de mudas de álamo aumentou 152 vezes. Esse renascimento também beneficia outras espécies: pica-paus e carriças encontram abrigo nos troncos, e castores dispõem de material para construir represas. Na ecologia, esse efeito em cascata é conhecido como “cascata trófica”, quando a ausência ou a volta de uma espécie-chave desencadeia transformações em todo o ecossistema.
“A reintrodução de grandes carnívoros iniciou um processo de recuperação que estava paralisado há décadas”, disse Painter em comunicado. “Este é um caso notável de restauração ecológica… A reintrodução de lobos está gerando mudanças ecológicas de longo prazo, contribuindo para o aumento da biodiversidade e da diversidade de habitats.”
Fonte: Por: Redação CicloVivo
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