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Notícias

05
jan
2022
(TECNOLOGIA)
Glitter biodegradável e atóxico é desenvolvido com celulose

Pesquisadores de Cambridge criaram uma alternativa ecológica ao amado brilho.

Minúsculos plásticos coloridos e óxidos de ferro, entre outros componentes, dão forma ao glitter – um dos itens mais amados pelos foliões carnavalescos. Há alguns anos já se alerta sobre o potencial devastador no meio de ambiente de espalhar microplásticos pelas ruas. E, não se engane, mesmo os que não são adeptos aos festejos, se depara com o glitter em outras ocasiões, como nos enfeites natalinos e nos cosméticos. Na Universidade de Cambridge, no Reino Unido, pesquisadores se debruçaram em estudos para criar uma alternativa ecológica ao material.

Além de contribuir com a poluição plástica, o glitter comum é feito de materiais tóxicos.“Eles penetram no solo, no oceano e contribuem para um nível geral de poluição. Os consumidores estão começando a perceber que embora os brilhos sejam divertidos, eles também trazem danos ambientais reais”, afirma a professora Silvia Vignolini do Departamento de Química Yusuf Hamied de Cambridge, autora sênior do artigo. A solução foi usar celulose para criar um glitter atóxico, vegano e biodegradável.

O glitter é feito de nanocristais de celulose, que podem dobrar a luz de forma a criar cores vivas por meio de um processo chamado cor estrutural. O mesmo fenômeno produz algumas das cores mais brilhantes da natureza – como as das asas de uma borboleta e penas de pavão – e resulta em tons que não desaparecem, mesmo depois de um século.

Por muitos anos, o grupo de pesquisa de Silvia Vignolini extraiu celulose da polpa de madeira e a transformou em materiais brilhantes e coloridos, que poderiam ser usados para substituir pigmentos tóxicos usados em vários produtos de consumo, como tintas e cosméticos.

Outro autor do estudo, Benjamin Droguet, explica que o desafio estava em gerenciar todas as interações físico-químicas simultaneamente para produzir os materiais em escala. O feito alcançado e, segundo os cientistas, foi a primeira vez que tais materiais foram fabricados em escala industrial. Os resultados são relatados na revista Nature Materials. Além disso, a demonstração do processo de fabricação em equipamentos comerciais é um passo importante para disponibilizar o novo material fora do laboratório.

Alguns dos glitters alternativos vendidos atualmente são glitters minerais. Os pesquisadores de Cambridge alertam, no entanto, que as empresas costumam usar mica e dióxido de titânio combinados em um pigmento de efeito. “No entanto, o dióxido de titânio foi recentemente proibido na União Europeia para aplicação alimentar devido aos seus potenciais efeitos cancerígenos, enquanto a extração de mica ocorre frequentemente em países em desenvolvimento que podem depender de práticas de exploração, incluindo trabalho infantil”, afirma a universidade em nota.

Quanto ao esperado efeito brilhante não há razão para se preocupar: a solução desenvolvida brilha tanto como a original.

Marcia Sousa

Fonte: Ciclo Vivo

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