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Notícias

19
nov
2021
(REFLORESTAMENTO)
Milão planeja plantar 3 milhões de árvores até 2030

Projeto visa frear crise climática ao passo que melhora a qualidade de vida da população.

Um ambicioso projeto de reflorestamento urbano está em curso em Milão. O objetivo é plantar três milhões de árvores até 2030 – levando mais áreas verdes para espaços públicos e privados – a fim de mitigar os efeitos das mudanças climáticas.

Ruas, praças, telhados e fachadas residenciais: o plantio deve tomar conta de todos os cantos da cidade que quer se tornar a “Capital Verde da Itália”. Batizado de ForestaMi, o projeto é promovido pela gestão municipal e pelo Conselho Regional da Lombardia. Trata-se do resultado de uma pesquisa realizada pela Universidade Politécnica de Milão. Por dois anos, de 2018-2020, o estudo buscou entender a situação atual do território da cidade e sua vegetação urbana.

“Em primeiro lugar, o estado e a porcentagem de cobertura da vegetação natural foram analisados e avaliados, chegando-se a uma cobertura estimada do dossel (a área ocupada pelas copas das árvores em todo o território) de 16%. O estudo subsequente de vazios urbanos (zonas que sofrem de falta de vegetação natural) lançou luz sobre o potencial para iniciativas de replantio e possíveis projetos-piloto”, detalha o site oficial da iniciativa.Além de mapear áreas estratégicas de plantio, a pesquisa também aponta quais atividades precisam ser colocadas em prática a curto prazo (até 2023), tais como a “realização de estudos sobre o impacto da silvicultura urbana na saúde e no bem-estar psicofísico da população”.

Uma das metas objetivas do ForestaMi é aumentar a cobertura da copa das árvores em 5%, passando de 16% para 21% em toda a área metropolitana até 2030.


O trabalho é grande e busca envolver entidades públicas, associações, empresas privadas, além, é claro, da própria população.

Com 268 páginas, o estudo agora serve de guia para o desenvolvimento de políticas e estratégias florestais urbanas. Entre os pontos a serem desenvolvidos, podemos destacar:

• Criar uma infraestrutura verde na cidade metropolitana por meio do estabelecimento de uma rede de corredores verdes e azuis para conectar parques, florestas, agricultura e arquitetura verde;

• Melhorar a agricultura urbana e periurbana e promover a criação de hortas urbanas;

• Promover a transformação de pátios escolares, universidades, vazios urbanos de condomínios e hospitais em oásis verdes

• Aumentar o número e as superfícies de telhados verdes;

• Recuperar solos abandonados e poluídos por meio de processos de fitorremediação.
 

Em suma, são medidas que podem facilmente inspirar outros gestores públicos, sobretudo, das grandes cidades. Uma das questões citadas, que atingem inúmeras áreas urbanas, é o efeito “ilha de calor”, que pode ser amenizado com o plantio de árvores: ajudando a refrescar os bairros e reduzir o uso de ar condicionado.

O programa ForestaMi é considerado por seus desenvolvedores a “maneira mais eficaz, econômica e envolvente de desacelerar o aquecimento global, reduzir o consumo de energia e limpar o ar, melhorando assim o bem-estar dos cidadãos”. Ou seja, reconhecem os benefícios ambientais, econômicos e até mesmo para a saúde mental.

Desenvolvido por uma equipe multidisciplinar de profissionais, entre ecologistas, paisagistas, agrônomos, engenheiros florestais, planejadores urbanos, sociólogos, pedólogos e engenheiros, a pesquisa científica teve a coordenação de Stefano Boeri, aclamado arquiteto do mundialmente famoso bosque vertical, e pode ser conferida na íntegra aqui.

Marcia Sousa

 

Fonte: Ciclo Vivo

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