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Notícias
22
nov
2005
(GERAL)
Greve pára madeireiros e carvoeiros
A greve dos funcionários do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), desde o início de junho, continua. E com isso, aumentam a cada dia os problemas relacionados aos setores madeireiro e carvoeiro, por falta de meios para trabalhar dentro da legalidade.
Cerca de 70 representantes dos setores, seja da categoria patronal ou trabalhista, estiveram ontem, das 9h às 13h, em frente à unidade local do Ibama de Tucuruí, que está em greve desde o dia 4. A reivindicação principal dos funcionários é o aumento salarial. O último, segundo Luiz Felipe da Costa, foi há cerca de 10 anos. “Estamos pedindo um aumento de 18%”, enfatiza, comentando sobre a defasagem dos vencimentos.
E o motivo da mobilização dos madeireiros e carvoeiros é o mesmo que foi deflagrado no dia 23 passado: a falta de condições de trabalho por falta de documentos expedidos pelo órgão. Segundo Raimundo Rodrigues, proprietário de uma carvoaria que fica no Km 7 da Rodovia Transcametá (BR-422), em Tucuruí, o problema já afeta 60% da produção e o temor é que haja demissões por causa da falta de Autorização para Transporte de Produtos Florestais (ATPF).
Sem os documentos, é ilegal fazer o transporte da produção que é entregue na Camargo Corrêa Metais, em Breu Branco, e nas siderúrgicas de Marabá, como a Cosipar. Outra situação provocada com a falta do documento é em relação ao abastecimento de matéria-prima para manter o volume de carvão produzido no local. “Trabalhamos com resíduos de madeireiras. Sem ATPFs, as serrarias também ficam sem material para trabalhar, e nós também por conseqüência”, informa Raimundo.
A presença da Polícia Militar e da Segurança Patrimonial da Eletronorte incomodou os empresários, que reclamaram às autoridades que o grupo é pacífico e que não pretende depredar qualquer patrimônio público ou colocar em risco a vida das pessoas. Apesar disso, quatro militares estiveram por quase todo o tempo acompanhando o movimento.
As ATPFs, prejudicadas por causa da greve dos funcionários do órgão, foram o tema central da conversa. A tentativa é chegar a um acordo no sentido de serem atendidos pelo Instituto, a fim de não prejudicarem uma das atividades que mais emprega mão-de-obra local. E este atraso foi esclarecido pelo técnico ambiental, Luiz Felipe. “Nós só podemos liberar as ATPFs com autorização das gerências regionais [que no caso citado é a de Marabá], mas lá também está em greve, o que atrapalha a emissão dos documentos”.
Depois de mais de duas horas de espera, o chefe do Ibama, Cláudio Haydemar , resolveu atender a uma pequena comissão formada por representantes sindicais dos municípios presentes: Tucuruí, Breu Branco, Jacundá e Goianésia. A imprensa foi impedida de acompanhar o debate que durou pouco mais de 30 minutos. Na saída, porém, o bom senso prevalecia.
Fernando Ribeiro, executivo da União das Entidades Florestais do Estado do Pará - Uniflor, afirma que a categoria acatou a sugestão de Cláudio Haydemar, de confeccionar imediatamente um documento relatando a situação enfrentada na região e enviar ao presidente nacional do Ibama, Marcus Vinícius de Barros, para que tome as medidas necessárias.
“E vamos também tentar acalmar o ânimo dos trabalhadores, que querem grevar, para evitar que prejudiquemos outros setores com o fechamento de rodovias, por exemplo”, avisa Fernando. Para ele, o setor florestal é fundamental para o Estado, uma vez que é responsável pelo maior número de emprego, agregando atualmente 10 mil pessoas de forma direta, apenas na região de Tucuruí.
“A greve, se continuar, pode causar um caos social, com a demissão de 10 mil pessoas (...). O setor já está sendo prejudicado não é de hoje, mas nunca vi uma situação como esta. A greve só foi o estopim disso tudo”, desabafa o executivo da Uniflor. Para Cláudio Haydemar, chefe do Ibama, há possibilidades deste impasse ser resolvido em alguns dias, já que estavam sendo realizadas, ontem, reuniões em Brasília entre os dirigentes do órgão, Ministério de Planejamento e o comitê de greve, para negociar o fim da paralisação que já dura quase 25 dias.
“Não temos esta palavra [radicalização] em nossos planos de ação”, afirma Fernando Ribeiro. “Nosso prazo já venceu semana passada, (...) mas vamos aguardar o resultado do documento enviado ao presidente do Ibama, em Brasília, e as negociações com os grevistas”, informa.
Renata Gobatti
Fonte:Diário do Pará
Cerca de 70 representantes dos setores, seja da categoria patronal ou trabalhista, estiveram ontem, das 9h às 13h, em frente à unidade local do Ibama de Tucuruí, que está em greve desde o dia 4. A reivindicação principal dos funcionários é o aumento salarial. O último, segundo Luiz Felipe da Costa, foi há cerca de 10 anos. “Estamos pedindo um aumento de 18%”, enfatiza, comentando sobre a defasagem dos vencimentos.
E o motivo da mobilização dos madeireiros e carvoeiros é o mesmo que foi deflagrado no dia 23 passado: a falta de condições de trabalho por falta de documentos expedidos pelo órgão. Segundo Raimundo Rodrigues, proprietário de uma carvoaria que fica no Km 7 da Rodovia Transcametá (BR-422), em Tucuruí, o problema já afeta 60% da produção e o temor é que haja demissões por causa da falta de Autorização para Transporte de Produtos Florestais (ATPF).
Sem os documentos, é ilegal fazer o transporte da produção que é entregue na Camargo Corrêa Metais, em Breu Branco, e nas siderúrgicas de Marabá, como a Cosipar. Outra situação provocada com a falta do documento é em relação ao abastecimento de matéria-prima para manter o volume de carvão produzido no local. “Trabalhamos com resíduos de madeireiras. Sem ATPFs, as serrarias também ficam sem material para trabalhar, e nós também por conseqüência”, informa Raimundo.
A presença da Polícia Militar e da Segurança Patrimonial da Eletronorte incomodou os empresários, que reclamaram às autoridades que o grupo é pacífico e que não pretende depredar qualquer patrimônio público ou colocar em risco a vida das pessoas. Apesar disso, quatro militares estiveram por quase todo o tempo acompanhando o movimento.
As ATPFs, prejudicadas por causa da greve dos funcionários do órgão, foram o tema central da conversa. A tentativa é chegar a um acordo no sentido de serem atendidos pelo Instituto, a fim de não prejudicarem uma das atividades que mais emprega mão-de-obra local. E este atraso foi esclarecido pelo técnico ambiental, Luiz Felipe. “Nós só podemos liberar as ATPFs com autorização das gerências regionais [que no caso citado é a de Marabá], mas lá também está em greve, o que atrapalha a emissão dos documentos”.
Depois de mais de duas horas de espera, o chefe do Ibama, Cláudio Haydemar , resolveu atender a uma pequena comissão formada por representantes sindicais dos municípios presentes: Tucuruí, Breu Branco, Jacundá e Goianésia. A imprensa foi impedida de acompanhar o debate que durou pouco mais de 30 minutos. Na saída, porém, o bom senso prevalecia.
Fernando Ribeiro, executivo da União das Entidades Florestais do Estado do Pará - Uniflor, afirma que a categoria acatou a sugestão de Cláudio Haydemar, de confeccionar imediatamente um documento relatando a situação enfrentada na região e enviar ao presidente nacional do Ibama, Marcus Vinícius de Barros, para que tome as medidas necessárias.
“E vamos também tentar acalmar o ânimo dos trabalhadores, que querem grevar, para evitar que prejudiquemos outros setores com o fechamento de rodovias, por exemplo”, avisa Fernando. Para ele, o setor florestal é fundamental para o Estado, uma vez que é responsável pelo maior número de emprego, agregando atualmente 10 mil pessoas de forma direta, apenas na região de Tucuruí.
“A greve, se continuar, pode causar um caos social, com a demissão de 10 mil pessoas (...). O setor já está sendo prejudicado não é de hoje, mas nunca vi uma situação como esta. A greve só foi o estopim disso tudo”, desabafa o executivo da Uniflor. Para Cláudio Haydemar, chefe do Ibama, há possibilidades deste impasse ser resolvido em alguns dias, já que estavam sendo realizadas, ontem, reuniões em Brasília entre os dirigentes do órgão, Ministério de Planejamento e o comitê de greve, para negociar o fim da paralisação que já dura quase 25 dias.
“Não temos esta palavra [radicalização] em nossos planos de ação”, afirma Fernando Ribeiro. “Nosso prazo já venceu semana passada, (...) mas vamos aguardar o resultado do documento enviado ao presidente do Ibama, em Brasília, e as negociações com os grevistas”, informa.
Renata Gobatti
Fonte:Diário do Pará
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