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Notícias

02
out
2019
(DESMATAMENTO)
Alertas de desmatamento na Amazônia em setembro já são o dobro da média para o mês nos últimos 4 anos

Dados mais recentes do Inpe mostram que 1.173,11 km² de floresta estavam com sinais de devastação em setembro, número 101,35% acima da média registrada em setembro de 2015 a 2018.

 

Área desmatada na Amazônia em Itaituba, Pará, em foto tirada no dia 26 de setembro. — Foto: Ricardo Moraes/Reuters

A área sob alerta de desmatamento na floresta Amazônica segue em tendência de crescimento, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Os dados de 1º a 19 de setembro deste ano – os mais recentes do sistema de monitoramento – mostram que 1.173,11 km² de floresta estavam com sinais de devastação, número 58,65% maior do que o registrado em todo o mês de setembro do ano passado, quando foram emitidos alertas para 739,4 km².

Os alertas também já são o dobro da média registrada em setembro de 2015 a 2018, que é de 582,6 km² – alta de 101,35%.

Alertas de desmatamento na Amazônia em km² para o mês de setembro indicam tendência de crescimento no comparativo de 2015 a 2019, mesmo que em 2019, os dados se refiram ao período de 1° a 19. — Foto: Infografia/G1

No comparativo por trimestre, ainda que os dados de setembro não estejam fechados, a tendência de aumento se confirma.

Foram registrados 5.129,21 km² sob alerta de desmate de 1º de julho até 19 de setembro de 2019, enquanto em 2018 foram 1.862,5 km² no mesmo trimestre, com dados fechados até 31 de setembro. Mesmo sem os dados completos de setembro em 2019, a alta já é de 175,39%.

Alertas de desmatamento na Amazônia, por trimestre, em km². Comparativo mostra a evolução do tamanho da área sob suspeita de desmate. — Foto: Infografia/G1

Os dados são do sistema Deter-B, do Inpe, que mede a área sob alerta para desmatamento. Esse número não é classificado pelo governo como taxa oficial de desmatamento, que é medida por outro sistema do Inpe, o Prodes.

A taxa de desmatamento oficial, medida pelo Prodes, é divulgada anualmente e abrange o período de julho de um ano a agosto do ano seguinte. O período que se encerra em 2019 ainda não foi divulgado, mas nos últimos três anos, os alertas têm sido confirmados nas taxas oficiais de desmatamento.

A análise de dados comparativos por trimestre evita distorções sazonais que possam ser causadas por problemas na leitura dos satélites, como a presença de nuvens de chuva, por exemplo.

Exército na Amazônia

O aumento foi registrado mesmo com a presença do Exército na Amazônia, que foi enviado pelo governo federal para combater as queimadas após decreto que instituiu missão de Garantia da Lei e da Ordem (GLO).

De acordo com Carlos Nobre, climatologista, membro da Academia Brasileira de Ciências e ex-pesquisador do Inpe, o desmatamento é mais difícil de ser combatido sem fiscalização e só é captado com imagens via satélite – diferente das queimadas, cujas fumaças podem ser percebidas a olho nu.

Um documento ao qual o G1 teve acesso mostrou que o exército se recusou a acompanhar o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) em pelo menos três operações contra o garimpo ilegal (que também está ligado à devastação da floresta). Em duas ocasiões, a operação não pode ser feita sem a ajuda das forças armadas.

A justificativa é que as ações do Ibama poderiam "acarretar na destruição de bens", que é autorizada pela legislação ambiental desde 1998, mas entrou em debate na gestão Bolsonaro. O presidente chegou a criticar a prática de atear fogo aos equipamentos. O ministro Ricardo Salles disse que iria editar a norma que autoriza a ação.

Segundo ambientalistas, a destruição do maquinário impede novos desmatamentos e facilita o combate ao crime, já que deslocar os equipamentos é caro, demorado, e coloca os agentes sob risco de emboscada.

Visão aérea mostra troncos de madeira retiradas ilegalmente da Amazônia na cidade de Anapu, no Pará, em foto tirada no dia 2 de setembro de 2019. — Foto: Nacho Doce/Reuters

Fonte: Por Elida Oliveira, G1

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