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Notícias

17
set
2019
(TECNOLOGIA)
Com projeto de bioconstrução, brasileiro é finalista de prêmio global

Ele criou um protótipo de casas de baixo custo que usam recursos locais, como madeira e terra.

 

As populações do Semiárido brasileiro, região que ocupa cerca de 18% do território nacional, enfrentam diversos desafios socioambientais, como ciclos de chuva escassos, solos degradados e altas temperaturas.

Em conjunto com políticas públicas específicas para a região, ideias inovadoras e sustentáveis podem ajudar a amenizar o impacto destas características locais — e ainda gerar benefícios para as pessoas e o meio ambiente.

Nesse sentido, o arquiteto brasileiro Bernardo Andrade usou a bioconstrução para reduzir os impactos ambientais da construção civil no Semiárido brasileiro, apoiando o desenvolvimento e a segurança alimentar e hídrica das famílias locais.

Ele criou um protótipo chamado “Casa do Semiárido”, de baixo custo, que utiliza recursos locais, como madeira e terra, e se adapta às necessidades específicas desse bioma. O modelo foi projetado para minimizar uso de recursos, reutilizar água e materiais e integrar práticas agrícolas regenerativas e sustentáveis.

Bernardo é um dos cinco finalistas da América Latina e Caribe do prêmio global Jovens Campeões da Terra e conversou com a ONU Meio Ambiente sobre sua trajetória e projeto.

Foto: ONU

ONU Meio Ambiente: O que despertou seu interesse por habitação sustentável?

Bernardo Andrade: Quando estava na universidade, assisti a um documentário de Michael Reynold que teve um grande impacto na maneira como eu pensava a arquitetura. Então, decidi ser voluntário no instituto dele, no Novo México, Estados Unidos, para aprender algumas das técnicas mostradas no documentário, como o uso de materiais considerados resíduos em projetos de alvenaria e incorporação de plantas que realizam serviços ecossistêmicos de saneamento.

Também fiz outros cursos sobre agricultura sustentável e princípios da permacultura, assuntos que me interessavam. Ao concluir a minha graduação, todos esses elementos faziam parte da minha concepção de habitação tanto quanto a que havia aprendido no curso de arquitetura.

O Prêmio Jovens Campeões da Terra, apoiado pela empresa alemã Covestro, é a principal iniciativa da ONU Meio Ambiente para jovens com soluções inovadoras para enfrentar os desafios ambientais do nosso tempo.

ONU Meio Ambiente: E o que fez você decidir usar essa abordagem voltada para o Semiárido brasileiro?

Bernardo Andrade: Fui criado em um centro urbano, mas parte da minha família vem do Semiárido. Desde cedo tive contato com as dificuldades da região. Além disso, estava conectado a uma ONG internacional que atua na região para melhorar os meios de vida das comunidades locais. Foi então que decidi fazer uso de meu conhecimento para tentar introduzir aspectos sustentáveis no trabalho que era feito no Semiárido.

ONU Meio Ambiente: Ao desenvolver um projeto, como as características ambientais locais são consideradas?

Bernardo Andrade: A escassez de água é provavelmente o maior problema do Semiárido. Assim, ao planejarmos a casa modelo, pensamos em expandir os reservatórios tradicionais de captação de água. Também criamos mecanismos para armazenar e reutilizar este recurso, separando a água destinada às pias e chuveiros (água cinza) daquela que abastece a descarga de vasos sanitários.

Na Casa do Semiárido adotamos mecanismos de baixo custo. A água cinza é filtrada com o uso de bananeiras e é reutilizada, por exemplo. Já a água da descarga passa por uma câmara subterrânea com múltiplas camadas de plantas, como o mamão, que absorvem seus nutrientes.

Além de fazerem o tratamento da água, estas plantas ainda produzem alimento para as famílias e animais. Além disso, construímos todo o entorno da casa de forma que retenha o máximo de umidade possível, preservando a vegetação local sem perda da fauna original, regenerando gradualmente os solos degradados e possibilitando a produção agroflorestal para consumo e renda.

ONU Meio Ambiente: Quais são os próximos passos para a Casa do Semiárido?

Bernardo Andrade: Pretendemos criar um manual didático e acessível que possa transmitir às comunidades locais os conhecimentos e técnicas implementados. Ao mesmo tempo, no nível local onde a construção está sendo realizada, queremos promover cursos gratuitos de permacultura e incentivar uma troca orgânica de conhecimentos, com o objetivo de fortalecer os laços comunitários.

Acreditamos que grande parte dos desafios ambientais que se apresentam possuem solução humana, seja por meio de interação diária ou seja mostrando às comunidades as diferentes alternativas para melhorar os meios de subsistência, promovendo benefícios econômicos e ambientais.

Por ONU Meio Ambiente

Fonte: Redação CicloVivo

Neuvoo Jooble