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08
fev
2019
(MADEIRA E PRODUTOS)
Módulos de CLT formam condomínio de edifícios em projeto universitário

Trabalho foi realizado pelos arquitetos Ailton Cabral Moraes e Julia Costa Gonçalves, para uma disciplina voltada ao uso da CLT em um programa de pós-graduação na Universidade de Brasília

A madeira laminada cruzada (CLT) se une ao sistema modular em um projeto de condomínio de edifícios de três pavimentos para a cidade de Serrambi, em Pernambuco. O trabalho foi desenvolvido durante uma disciplina voltada para o uso da madeira na arquitetura, especificamente de CLT, criada para o Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (UnB).

A disciplina – que pode ser frequentada também por alunos de graduação – surgiu no primeiro semestre de 2018 a partir de uma iniciativa dos professores José Manoel Morales Sánches e Thaisa Marques Leite.

O arquiteto Ailton Cabral Moraes, que já tinha experiência em estruturas de madeira, sendo inclusive professor nesta área, soube da disciplina e resolveu cursá-la. Na universidade, ele e a arquiteta Julia Costa Gonçalves elaboraram o projeto do Residencial C-29, que contempla o condomínio de edifícios cujas estruturas são feitas de madeira laminada cruzada.

(Foto: Quadra15-Arquitetura)

Em entrevista ao portal Madeira e Construção, Moraes explica que a proposta era a elaboração de projetos para diferentes regiões do Brasil, sendo que a escolha do terreno ficava ao critério de cada equipe. Apesar de não existir um cliente “real”, o objetivo era fazer um projeto o mais “próximo do real possível”.

O arquiteto já tinha os dados do terreno em Serrambi e os dados sobre a legislação na região. “Utilizamos todas as informações reais para desenvolver o projeto o mais próximo da realidade”, salienta. Diante disso, o tamanho do edifício foi limitado pelas normas. O pequeno condomínio de prédios de três pavimentos seria o que a legislação permitiria para a localidade.

(Foto: Quadra15-Arquitetura)

Sobre a madeira laminada cruzada, os arquitetos levaram em consideração o transporte deste material de uma fábrica em São Paulo até o Nordeste. Por isso, a decisão para o projeto foi pelo uso de módulos tridimensionais. “Os módulos chegariam até o local do condomínio os mais prontos possíveis, para serem montados apenas no canteiro de obras”, explica Moraes. Isso também resultaria em benefícios, como rapidez na construção.

Estes módulos de CLT seriam empilhados sobre uma estrutura de concreto armado, formando os pavimentos. Posteriormente, receberiam os revestimentos externos. Cada pavimento abrigaria dois apartamentos, sendo um deles de dois quartos; o outro, de um quarto.

(Foto: Quadra15-Arquitetura)

Moraes classifica como positiva a experiência relacionada à elaboração do projeto e à participação na disciplina de arquitetura com CLT. Depois da experiência como aluno no primeiro semestre de 2018, ele participou como professor auxiliar da mesma disciplina no semestre seguinte.

“Houve uma repercussão bem interessante. De um semestre para outro, a procura dobrou, com muitas inscrições de alunos da graduação. Para eles, é uma disciplina optativa. Os alunos gostaram bastante por ser uma disciplina prática, com um nível de aprofundamento bastante interessante”, comenta o arquiteto, que também é professor de estruturas de madeira do Centro Universitário de Brasília (UniCEUB).

(Foto: Quadra15-Arquitetura)

De acordo com Moraes, existe uma deficiência na abordagem sobre estruturas de madeira na maior parte dos cursos de arquitetura, conforme um levantamento feito recentemente por ele. “Mas, nós, professores desta área, estamos percebendo interesse dos alunos. Disciplinas como esta estão sendo bem vistas”, afirma.

 

Fonte: Por Joyce Carvalho para o Portal Madeira e Construção

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